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Quais os benefícios da integração resolutiva de DevOps?

Qual é a definição desta tendência crescente no mercado de TI e como aplicá-la de forma eficaz?

Flávio Paiva*

30/09/2018 às 10h41

DevOps
Foto: Shutterstock

O conceito primordial que baseia a metodologia é certamente a integração comunicativa de departamentos e ferramentas de trabalho para um alcance mais ágil e efetivo dos resultados desejados. Ao incorporar as atividades dos desenvolvedores de software às referentes aos profissionais responsáveis pela infraestrutura de TI de uma empresa, as DevOps têm como objetivo o alinhamento destes dois setores de forma que seu trabalho conjunto esteja apto a complementar lacunas, realizar um controle mútuo de qualidade de seus processos, identificar falhas e necessidades e assim, supri-las e entregar um resultado que contemple ambos os departamentos e suas respectivas especificações operacionais.

Do conceito à prática

A ideia por trás da DevOps é relativamente simples: integração de setores para o alcance de resultados otimizados. Porém, sem um planejamento estratégico baseado em análises periódicas da dinâmica de trabalho de um local, agir efetivamente de acordo com o que a metodologia propõe pode ser um desafio, afinal, DevOps são, antes de qualquer coisa, um conjunto de práticas advindas da implantação de uma cultura de colaboração e comunicação transparente entre profissionais de diferentes áreas e especialidades. E quais práticas são essas?

Manter sempre o foco: muitas vezes, algo que se torna um obstáculo no ciclo de vida saudável de um projeto é direcionamento equivocado dos esforços de um ou mais profissionais somente à sua área de expertise, e não necessariamente ao objetivo que as equipes têm em comum. Isso pode eventualmente descentralizar as atividades e enfraquecer o produto final, o que só reforça a necessidade de uma cultura em que prevaleça a qualidade do que é entregue através de toda a performance de um time, e não de somente um indivíduo e sua respectiva função designada.

Utilize métricas de performance: uma vez que o produto final já é visualizado completamente pelos membros de um projeto, para nos certificarmos de que cada operação está cumprindo sua tarefa plenamente, análises regulares são necessárias para que ocasionais erros sejam identificados a tempo de serem reparados e não comprometerem o resultado a ser entregue.

Empoderamento de equipes: embora o resultado de um projeto seja o foco da metodologia de DevOps, para que isso seja alcançado, um time motivado e engajado em suas atividades faz toda a diferença em todas as etapas do processo. Para isso, manter uma postura de liderança flexível, aberta ao diálogo e apta para compartilhar conhecimentos se torna um fator fundamental.

Formação de times multidisciplinares: quando falamos de um modelo de trabalho integrado e colaborativo, especialmente na área da tecnologia, profissionais que não mais se restrinjam única e exclusivamente a um campo de atuação são vitais para o pleno funcionamento de uma empresa. Ser especializado em determinado tópico é imperativo à sua atividade, porém, atualmente, a flexibilidade já se apresenta como um grande diferencial. Logo, devemos considerar sempre o investimento em diversas capacitações que torne um colaborador apto a analisar e agir sobre todo o leque que abrange a sua profissão.

Padronização de ambientes e protocolos de ação: para que tudo que foi apresentado acima possa funcionar adequadamente, é necessário a adoção de métodos de gerenciamento e supervisão iguais para todos os setores. Documentos, relatórios de atividades, diagnósticos de processos, medidas desta sorte permitem que tudo ocorra com alinhamento e, além disso, que departamentos superiores consigam remediar incidentes e oferecer assistência com mais agilidade e eficiência.

O papel da automação

Após finalizadas as etapas previamente citadas, chegamos ao ponto que se relaciona diretamente com a principal proposta da DevOps: a gestão inteligente e estratégica de uma infraestrutura de TI e suas ferramentas. E é aqui então que nos deparamos com o conceito de IaC, “infrastructure as code” – infraestrutura como código, em tradução livre.

Este conceito que é um dos pontos-chave da DevOps propõe o uso de scripts para a automação de tarefas que, até então, eram exclusivamente manuais. Com o desenvolvimento de softwares capazes de gerir todos os dados a ele alimentados, estas funções podem ser realizadas de maneira ininterrupta, cíclica e em larga escala. Dentre os benefícios resultantes da utilização da IaC, podemos destacar a queda nas taxas de falhas de processos, o ganho de tempo, a economia de recursos e a diminuição do número de auditorias de análise, por exemplo.

De acordo com o estudo realizado pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) em parceria com a consultoria IDC, atualmente, o Brasil já é a 9º maior economia atuante no cenário de TI, tendo registrado um crescimento de 4,5% de recursos investidos na área somente no ano de 2017. Além do que, já lideramos o mesmo ranking na América Latina – isso mostra o potencial de player global que temos e, mais do que isso, a necessidade imediata de continuar caminhando para frente neste aspecto, afinal, este mesmo estudo corrobora esta afirmação: as previsões segundo seus dados coletados são de um crescimento de 4,1% no segmento de TI em 2018. Por que não então investirmos no que impulsiona nossos processos e resultados e nos beneficiarmos de um cenário de tamanhas oportunidades como o que nos encontramos agora?

* Flávio Paiva é gestor de TI, engenheiro elétrico, sócio e CEO da ITO1

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