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Facebook já tinha planos de exibir anúncios no WhatsApp antes da aquisição

Brian Acton, cofundador do app que deixou a empresa em 2017, não concorda com decisões do Facebook

Da Redação

28/09/2018 às 13h51

whatsapp
Foto: Shutterstock

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Brian Acton, cofundador do WhatsApp, se demitiu do Facebook em 2017. E com isso, deixou US$ 850 milhões na forma de opções de ações não adquiridas. Ele se posicionou contra as mudanças que a administração do Facebook estava tentando trazer para o WhatsApp e pagou o preço, literalmente.

Desde a sua criação, em 2009, o WhatsApp nunca quis mostrar a seus usuários nenhum anúncio. Tanto Acton quanto Jan Koum - o outro fundador - odiavam a ideia de ganhar dinheiro dessa maneira. Seu lema na empresa era "sem anúncios, sem jogos, sem truques".

Em 2014, o Facebook adquiriu o WhatsApp pelo valor de US$ 22 bilhões. Acton disse que, naquele momento, não estava ciente de que a rede social já tinha planos e tecnologia para misturar dados entre plataformas e, eventualmente, gerar receita publicitária. Ele acrescentou que o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, apoiou a implementação de criptografia end-to-end para bate-papos - mesmo que bloqueasse os caminhos pelos quais os dados dos usuários fossem colhidos.

Depois de 18 meses da aquisição, o Facebook mudou os termos de serviço do WhatsApp para permitir o compartilhamento de dados entre as plataformas. A empresa pagou uma multa de US$ 122 milhões à Comissão Europeia por enganá-la sobre sua fusão com o WhatsApp.

O executivo soube depois que o Facebook tinha vários métodos para compartilhar dados. Uma delas era ligar as contas do Facebook e WhatsApp com uma string de 128 bits que denota o número de telefone de um usuário. Outra era combinar números de telefone entre plataformas para conectar duas contas.

No ano passado, o Facebook começou a explorar mais formas de ganhar dinheiro com o WhatsApp. Uma maneira era exibir anúncios em seu recurso Status (inspirado no Instagram-Stories) e a outra era vender ferramentas de análise e de negócios. Acton propôs cobrar dos usuários uma taxa nominal após enviar ou receber certo número de mensagens, mas a gerência do Facebook o abateu.

Os cofundadores do WhatsApp tinham uma cláusula em seu contrato que permitia que eles limpassem todas as ações se o Facebook implementasse métodos de monetização no aplicativo de bate-papo sem o consentimento deles. Mas Acton nunca invocou essa cláusula: ele simplesmente se afastou.

"No final do dia, eu vendi minha empresa. Eu vendi a privacidade dos meus usuários para um benefício maior. Eu fiz uma escolha e um compromisso. E eu vivo com isso todos os dias”, disse ele, ao portal The Next Web.

Enquanto isso, Alex Stamos, ex-diretor de segurança do Facebook, defendeu a decisão da empresa de exibir anúncios no WhatsApp. Ele disse que é necessário gerar receita para aplicativos usando criptografia de ponta a ponta.