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“AI não é só chatbot”, sentencia presidente da IBM Brasil

Tonny Martins, há oito meses à frente da Big Blue em solo nacional, aponta que o potencial da tecnologia vai muito além, beneficiando diversos setores

Déborah Oliveira

29/08/2018 às 11h26

Foto: Divulgação

A IBM tem a tradição de promover ao posto máximo da empresa no Brasil os executivos ‘prata da casa’. Foi assim com Ricardo Pelegrini, Rodrigo Kede, Marcelo Porto e agora é a vez de Antonio Martins, conhecido pelo mercado como Tonny Martins. Desde janeiro de 2018, ele está no comando da Big Blue no País depois de liderar por dois anos a operação mexicana da empresa.

Martins ingressou na IBM como estagiário e antes de liderar a IBM México ocupou a posição de vice-presidente da área de Serviços para IBM na América Latina. De 2011 a 2013, foi responsável, como vice-presidente, pelos Serviços de Aplicações da Unidade de Mercados em Crescimento (GMU) com base em Shanghai, China, comandando 149 países e mais de 12 mil colaboradores.

Ao contrário da maioria dos seus antecessores, Martins tem como escola a área de Consultoria e não de Vendas, apesar da formação em Administração de Empresas, pós-graduação em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas e especialização em Marketing pela Columbia University. “Sempre tive interesse por tecnologia e no segundo grau optei pela formação técnica”, contou ele, que está prestes a completar 28 anos de casa.

Experiência multicultural

Por ter atuado em vários países com diferentes culturas, Martins acredita ser esse um ponto positivo da sua formação profissional. Por onde passou, deixou, comprovadamente, resultados positivos da sua gestão, tanto em números como em formação de pessoas, um tema que ele fomenta pessoalmente na IBM Brasil.

“Baseado no China, fui responsável pela região Ásia-Pacífico. Eram várias culturas distintas e a lição mais importante foi como me inserir nesse contexto. Há sutilezas nas relações e formas de trabalho muito diferentes”, comentou em conversa com a Computerworld.

2019 tendências

No país asiático, Martins viu de perto a disciplina e o foco na execução dos talentos locais. Já no México, que tem uma cultura mais próxima a do brasileiro, observou a forte capacidade de o time impulsionar resultados. “Foi um trabalho de protagonista”, orgulha-se ele, ressaltando que nos dois anos à frente da operação mexicana foi possível superar o enorme desafio de transformação digital no país, registrar crescimento acima do mercado e democratizar o acesso à inteligência artificial.

Um dos exemplos citados por ele para essa última conquista foi o Museu Nacional de Antropologia no México. Lá, o Watson, sistema de inteligência artificial da IBM, passou a conectar os dispositivos móveis dos visitantes com parte da exposição local e oferecer interação de perguntas e respostas. O Watson foi treinado para responder a mais de 22 mil perguntas dos visitantes. “Esse projeto materializa a inteligência artificial na arte, mas seu potencial é exponencial em todas as áreas”, afirmou.

Democratização da inteligência artificial

Martins revelou que seu desafio no Brasil é dar sequência ao trabalho bem-sucedido nos últimos anos da empresa e acelerar resultados, não só no médio, como no curto prazo. “O time está empenhado em aprimorar negócios, impulsionando suas jornadas de transformação”, resumiu.

Já há alguns anos, a IBM leva ao mercado a mensagem de transformação pautada pela nuvem, inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) e mais recentemente computação quântica e blockchain. Contudo, o maior desafio hoje da empresa talvez seja democratizar a inteligência artificial. “AI não é só chatbot. Seu potencial é muito maior do que esse”, sentenciou ele.

A automação de tarefas, contou, melhora e acelera negócios, gera insights e abre oportunidades sem precedentes. “Diversos mercados, como indústria financeira e saúde já começam a presenciar esses benefícios”, completou.
Mas para extrair os benefícios da tecnologia, Martins acredita que iniciativas do tipo não podem ser pontuais, ou mesmo desconectadas. “Ao adotar essa postura, empresas terão em cinco anos um legado digital. Não adianta criar chatbot se não desenvolver um modelo de transformação digital.”

Um dos exemplos de empresas que conseguiram extrair o máximo potencial da inteligência artificial foi a Saint Paul Escola de Negócios, que colocou em prática o LIT. O LIT oferece a possibilidade de o aluno acumular microcertificações, formando suas jornadas de aprendizagem e ainda aproveitar as certificações acumuladas para um Programa de MBA da Saint Paul.

Mayo Clinic/IBM Watson

A ferramenta de aprendizado contínuo, totalmente digital, também agrega recursos de inteligência artificial e elimina conteúdos já aprendidos em outros cursos, propondo uma aprendizagem mais rápida e assertiva. Ainda falando sobre AI, o executivo destaca o tutor virtual Paul, baseado em IBM Watson, que sugere “o que” e “como” o aluno deve aprender.

Educação como pilar

Depois de completar intensos oito meses à frente da IBM Brasil, Martins já conseguiu imprimir sua marca na gestão. Uma das frentes que o executivo tem apostado é em educação, interna e externa.

Internamente, uma das frente nesse sentido é o trabalho de ‘reskilling’, ou seja, conceito que mostra a necessidade de atualização constante e em linha com as demandas profissionais atuais e futuras. Não só os colaboradores fazem parte dessa jornada, como os parceiros, que Martins definiu como fundamentais para a estratégia da empresa.

Com a bandeira do engajamento, Martins também elegeu 150 embaixadores na empresa para serem uma espécie de evangelizadores da transformação, influenciando o ecossistema para disseminar a estratégia da companhia. “São líderes altamente engajados”, revelou.

“Também estamos próximos das universidades e dos desenvolvedores”, comentou. Para desenvolvedores, a IBM completa o segundo ano de uma iniciativa diferenciada, o HackaTruck, projeto de capacitação profissional de estudantes de Instituições de Ensino Superior de Tecnologia da Informação em desenvolvimento iOS com aplicação em internet das coisas (IoT).

Horizonte promissor

O presidente da IBM Brasil conta que o ano será positivo para a empresa. Apesar de não citar números, ele contou que o Brasil segue investindo no segundo semestre. “Estamos ganhando market share e conquistando empresas com base em nossos diferenciais de relação próxima ao cliente, conhecimento e referências”, listou.

Apesar de a IBM ser associada aos projetos em grandes empresas, Martins desmitifica a crença de que os produtos da Big Blue se encaixam apenas nas estruturas de gigantes. As pequenas e médias, portanto, estão na mira da companhia. “Trabalhamos com parceiros e centros educacionais para democratizar nossas tecnologias. Para se ter uma ideia, a área de Commercial, que agrega PMEs, é um das que mais crescem em solo nacional”, afirmou o comandante da IBM Brasil.