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De Martinho Lutero ao smart working

Como a mobilidade se tornou uma parceira na rotina das empresas, é necessário garantir que trabalhar remotamente não seja sinônimo de insegurança

Luis Banhara*

23/08/2018 às 8h05

home office
Foto: Shutterstock

Depois que Martinho Lutero apontou o trabalho como um dever divino, abriram-se novos caminhos rumo à Idade Moderna e ao capitalismo. Segundo o monge agostiniano e personagem principal da reforma protestante, o trabalho é um serviço divino, uma verdadeira vocação. Seu pensamento sobre a íntima relação entre a profissão e o trabalho continua extremamente atual. De Lutero até hoje, muitas profissões foram extintas, muitas surgiram e descobrimos novas formas de trabalho com necessidades criadas pela tecnologia, aumento populacional e urbanização.

Com os desafios atuais de escassez de tempo, agilidade e o difícil deslocamento nas grandes cidades, a flexibilidade no modelo de trabalho nunca foi tão valorizada e discutida por especialistas sobre o Futuro do Trabalho. Pesquisas indicam claramente que ela tem impacto direto no clima organizacional e na produtividade. O trabalho flexível se tornou mais um fator decisor tanto para a captação quanto para a retenção de talentos nas empresas.

Faz parte dessa flexibilidade também novos espaços de trabalho compartilhado. Vimos pipocar os escritórios de coworking e novas tendências como “hubs empresariais”. Muitas vezes, o benefício do home-office não pode ser usufruído porque o colaborador não possui um ambiente ou infraestrutura adequada em casa para executar o trabalho proposto. Quem nunca tentou trabalhar em casa e foi constantemente interrompido pelo barulho das crianças, cachorro ou a obra do vizinho?

Os hubs ou centros de trabalho surgem como alternativas economicamente viáveis às empresas e benefícios aos profissionais. Eles costumam estar geograficamente próximos a um número relevante de colaboradores e neles são ofertadas infraestrutura física e tecnológica, sendo uma opção ao convencional home office. Esse movimento pode ser batizado como flex-office ou smart working.

Potencialmente, os benefícios sociais e econômicos são enormes: a adoção de uma forma “madura” de trabalho pode aumentar sensivelmente a produtividade de uma empresa por trabalhador, o que significa um benefício real em receita. Do ponto de vista do colaborador, mesmo um dia por semana de trabalho remoto em casa ou em um hub mais próximo à sua residência pode economizar em média 40 horas por ano de deslocamento.

Do empírico à pesquisa

Dados consolidados confirmam o que já percebemos empiricamente. O estudo encomendado pela Citrix "Como Vamos na América Latina: Nuvem, segurança e trabalho flexível" aponta que o trabalho remoto foi implementado a pedido dos profissionais em 62% das empresas, principalmente por motivos de gestão do tempo (13%), maior produtividade (8%), maior conforto (6%) e mais qualidade de vida (6%).

A adoção de tecnologias como os serviços em nuvem e soluções de colaboração é reforçada pela implementação de modos de trabalho flexível. Segundo o estudo, quase 90% dos participantes afirmam que a tecnologia, como a virtualização, que possibilita acessar dados e aplicações de qualquer lugar e dispositivo torna a equipe mais produtiva. E 43% dos entrevistados acreditam que existe uma ligação direta entre a tecnologia fornecida aos funcionários e seus desempenhos.

Como a mobilidade se tornou uma parceira na rotina das empresas, é necessário garantir que trabalhar remotamente não seja sinônimo de insegurança. Com o uso de tecnologias específicas, a proteção do ambiente da empresa é garantida por meio de políticas de segurança individualizadas, com várias ferramentas de controle de acesso e identificação.

Voltando aos conceitos de Martinho Lutero, o livre arbítrio era outro preceito defendido pelo monge. A mobilidade reforça esse valor no indivíduo, quando permite a escolha de seu local de trabalho e vai ainda além, trazendo ao exercer profissional mais sentido e no final das contas, o que todos buscamos ao longo da vida - um propósito.

*Luis Banhara é diretor geral da Citrix Brasil