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Varejo: a vez do Brasil na revolução digital do setor

Já há motivos para se acreditar que tecnologias emergentes em breve mudarão de vez a experiência de compra dos brasileiros

David Suarez*

16/08/2018 às 15h09

Foto: Shutterstock

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Observar bem de perto as tendências mundiais do varejo. Certamente essa é a melhor recomendação para que se identifique as tecnologias que nos próximos anos vão revolucionar a maneira como as pessoas interagem e consomem produtos e serviços. Se, em um passado não muito distante, expressões como self-shopping, omnichannel, big data e inteligência artificial remetiam a conceitos abstratos — e restritos aos mercados mais desenvolvidos do mundo —, hoje a realidade está em plena transformação. Já há motivos para se acreditar que essas novidades em breve mudarão de vez a experiência de compra dos brasileiros.

No início desta década, a insegurança na adoção destas tecnologias ainda era um traço marcante do perfil do executivo de varejo no Brasil. Soluções de autoatendimento, agora consideradas tendência relacionada ao empoderamento do consumidor, chegaram a ser encaradas como prenúncio de fraudes. Diante da desaceleração da economia no Brasil e dos comprovados resultados positivos alcançados pelo uso de novas tecnologias em outras partes do mundo, os varejistas se viram obrigados a superar as barreiras e apostar na inovação como grande aliada para agradar os consumidores, melhorar as vendas, eliminar perdas e reduzir custos.

Ao retomar a trajetória de crescimento em 2017, após dois anos de quedas, o varejo brasileiro sinaliza que está mais maduro e pronto para capitanear o processo de transformação digital. Alguns impasses, como a alta carga tributária, ainda pesam na hora do investimento, é fato, mas tudo indica que o consumidor brasileiro já começou a experimentar grandes novidades.

Conectados na loja física

É consenso que a mudança do varejo tradicional passa pelo e-commerce. Criar canais de vendas pela internet é quase requisito obrigatório para um varejista acompanhar as tendências de mobilidade, personalização, marketing e oferecer uma série de vantagens que, no ambiente virtual, tornam-se ainda mais atraentes. Com o varejo online crescendo em ritmo mais acelerado que o varejo tradicional, seria natural se imaginar que o comércio eletrônico tomará o lugar das lojas físicas. No entanto, essa ideia, que já esteve em alta, está cada vez mais defasada.

Pesquisa feita pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos revelou que, no ano passado, 91% das compras de alimentos, roupas, brinquedos e medicamentos no país foram feitas no varejo físico. O resultado ajuda a explicar por que gigantes nascidas no e-commerce estão investindo pesado no varejo offline. A Amazon, por exemplo, assumiu no ano passado o controle da Whole Foods Market, rede de supermercados com foco em produtos saudáveis. Para integrar seus negócios online e lojas físicas, a jogada foi transformar o programa de fidelidade Prime em um programa de recompensas da Whole Foods. Seguindo a mesma linha, o Alibaba anunciou parcerias com 600 mil pequenos estabelecimentos comerciais familiares na China.

Hoje as lojas físicas funcionam como uma vitrine do mundo virtual, lugares onde o consumidor vai para ver de perto, sentir e experimentar os produtos que pretende adquirir. O brasileiro, já acostumado a comprar livros, músicas e eletrônicos pela internet, ainda guarda certa sensibilidade para adquirir os alimentos, sobretudo itens mais sensíveis, como frutas e vegetais. Nesse contínuo interesse dos clientes por ainda visitar lojas físicas, adequar o espaço físico das lojas aos anseios de clientes conectados e exigentes surge como o desafio atual para os profissionais de varejo.

Nessa onda de inovações, caixas tradicionais dão lugar a sistemas automáticos de identificação mais rápidos e potentes, que eliminam as longas e desagradáveis esperas nas filas. Leitores portáteis permitem que o próprio consumidor registre os produtos colocados no carrinho e pague por eles, tornando o processo de compra mais conveniente. Os códigos de barras, antes simples replicadores de preços, agora podem se combinar a novas tecnologias para informar a origem dos produtos, ingredientes e dicas de utilização — informações valiosas para fabricantes, fornecedores e varejistas conhecerem os padrões de comportamento dos consumidores.

A automação é uma tendência global, que se desenvolve em ritmo vertiginoso. Tecnologias que a princípio demoraram a chegar ao Brasil, como o autoatendimento, estão decolando rapidamente no País. Assim, está a cada dia mais evidente que o varejo brasileiro está pronto para atingir o o próximo nível de evolução.

*David Suarez  é vice-presidente de vendas para Varejo da Datalogic nas Américas

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