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Procuram-se talentos da era digital

Eles podem estar na própria empresa ou fora dela, mas o importante é ter percepção para selecioná-los e explorar seu potencial

Por Solange Calvo

16/08/2018 às 9h02

talento era digital
Foto: Shutterstock

Em plena era digital, a área de Recursos Humanos (RH) ganhou importante destaque no desafio de contribuir para a formação de um time verdadeiramente adequado às exigências da nova economia. Ter profissionais com perfis alinhados ao cenário disruptivo em ebulição no planeta faz toda a diferença, capazes de acelerar resultados em organizações de todos os setores.

Mas esse não é um desafio que se vence sozinho, na avaliação de Caio Nalini, head de RH do Magazine Luiza. “Nessa busca, contamos com um processo seletivo bastante criterioso. Realizamos duas entrevistas presenciais e nesse processo temos participação conjunta do RH e dos profissionais dos times das áreas com vagas a serem preenchidas. É uma avaliação conjunta”, destaca.

Nalini explica que a cultura da inovação e da busca por profissionais capacitados e criativos é uma prática que vem de longo tempo e não somente agora na era digital. Hoje, segundo ele, mais do que nunca, o time de colaboradores do Magazine Luiza não pode ter somente capacitação técnica, é preciso ter soft skills (habilidades comportamentais). “Queremos gente que gosta de gente, colaborativa e proativa.”

Mas como se mede as soft skills, tão cobiçadas pela empresa no cenário digital? “Nossas perguntas são muito estratégicas e direcionada para detectá-las. Mas um norte importante são nossos valores, que estão alinhados às novas exigências: gente que gosta de gente, mão na massa, foco no resultado sustentável, cliente em primeiro lugar e atitude de dono”, revela.

“Temos régua alta em nosso processo de seleção, mas isso nos garante contratações mais assertivas, como colaboradores alinhados à nossa cultura. Por isso, nossa taxa de desligamento é muito pequena. Em 2018, a mais recente registrou menos de 1%”, aponta.

Para Nalini, muitas características técnicas são requisitos fundamentais, mas, sem dúvida, as soft skills têm peso significativo na avaliação em entrevistas. “O desafio maior são as habilidades comportamentais. Porque não se corrige essa deficiência com treinamento, as competências técnicas sim”, alerta.

Lição de casa

Outro ponto importante, na avaliação de Nalini, é que o candidato precisa ir para a entrevista certo de que a empresa se alinha às suas expectativas. “Temos de considerar a decisão do candidato. Isso porque no momento da divulgação da vaga, já disponibilizamos muitas informações sobre a empresa e acredito que já nesse momento, o próprio candidato já faz a sua avaliação, decidindo ou não participar, considerando o seu alinhamento com nosso perfil. É uma via de mão dupla”, avisa.

O executivo afirma que os candidatos se sentem atraídos pelo perfil da empresa por praticar a cultura da valorização de pessoas, apoiada no desenvolvimento de carreira dos profissionais, em um ambiente transparente, com forte propósito de proporcionar a integração.

LuizaLabs, coração do digital

Preencher todas as vagas de tecnologia é um desafio constante para Nalini. São mais de cem por ano, e com o mercado aquecido pela transformação digital, ele se torna cada vez mais intenso. Em especial no que se refere às contrações para o LuizaLabs, laboratório criado em 2011, para acelerar a digitalização dos negócios da rede varejista.

Suas características específicas levaram à necessidade de um recrutamento diferenciado. Tanto, que existe no RH do Magazine Luiza um grupo formado por três recrutadores e uma consultora de gestão de pessoas de atuação generalista, que cuida especialmente da contratação de profissionais para o LuizaLabs. Ele conta com grupos de trabalho multidisciplinares, que são formados e atuam de acordo com a estratégia do negócio.

De arquitetura diferenciada, com layout característico de startups, o LuizaLabs cresceu de 300 para 500 desenvolvedores em 2017 e a empresa está em franco processo de contratação de desenvolvedores. O número vai crescer muito neste ano. No momento, são cerca de 50 vagas abertas.

União de forças no garimpo

Ana Cláudia Resera, gerente de P&D do grupo Fleury, é uma das profissionais que está sempre atenta às características de talentos da nova era e contribui, juntamente com colegas de variadas áreas, na jornada do RH nesse garimpo.

O Fleury conta com grupos multidisciplinares, segundo Ana Cláudia, e um dos desafios é trazer para um mesmo ambiente diferentes expertises, como os bioinformatas (profissionais que unem habilidades em informática e ciências biológicas). “O importante é o desenvolvimento de uma visão integrada que traz inúmeros benefícios para os pacientes”, diz.

No caso do Fleury, há um cuidado maior com o recrutamento, considerando sua atuação crítica, por lidar com vidas. Para isso, há a preocupação em construir um ambiente propício para um trabalho em sintonia. “Quando se trabalha com foco em vidas, é quase natural ter sensibilidade, nas diferentes competências e habilidades. E sensibilidade, uma das importantes soft skills, é entender a importância de como a tecnologia e o seu empenho afeta a vida das pessoas. Procuramos isso”

Ana Cláudia destaca que atuar no modelo de colaboração em times multidisciplinares é desafiante. Por isso, o profissional precisa ter facilidade para se adaptar aos diferentes cenários, justo por reunir profissionais de variadas áreas, competências e habilidades.

“Os cientistas, por exemplo, trabalham tradicionalmente muito concentrados, sozinhos, introspectivos. São características que fazem parte do seu dia a dia, desenvolvidas ao longo do tempo e que começaram a ser quebradas por meio da participação nesses grupos, que propiciam mais interação e integração.”

Na avaliação de Ana Cláudia, esse modelo de trabalho e as habilidades comportamentais diferenciadas transformam o conhecimento, que passa a ser compartilhado e aprimorado com a troca de experiências e visão 360°. “Esse mix é capaz de mudar perfis, como o dos cientistas, por exemplo, fruto de um trabalho que passou acontecer em múltiplas dimensões com diferentes características. Assim, é possível olhar os dados não de maneira plana e sim tridimensionalmente”, destaca.

São três as características mais buscadas nos profissionais para integrar o time do grupo Fleury na nova era: alta capacidade de comunicação; multitarefa, pronto para trabalhar com diferentes assuntos e ampliar atuação; e empatia e sensibilidade para sentir e avaliar o ambiente de trabalho sob variados aspectos e se adaptar. “Nesse desenho, os gestores têm papel fundamental, o de multiplicadores dessa cultura para seus times.”

Hoje, com tantas mudanças acontecendo de maneira veloz, Ana Claudia destaca a capacidade de se adaptar uma característica vital no profissional da nova economia. “Assim, nosso lema nesse sentido é: ‘Trabalhe suas fraquezas para que elas não se sobreponham às fortalezas’”, ensina.