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Soft skills estão na mira das empresas na hora de contratar. Você possui?

Muito além de competências técnicas, essas habilidades estão na crista da onda na nova economia

Solange Calvo

15/08/2018 às 14h05

Soft skills
Foto: Shutterstock

Hoje, já não bastam as hard skills, competências técnicas que recheiam tradicionalmente os currículos. É preciso ir além e apresentar as cobiçadas soft skills que, de acordo com a consultoria global Gartner, são habilidades transversais como pensamento crítico, solução de problemas, conhecimento de negócios, facilidade de comunicação e sensibilidade, importantes ingredientes do perfil do profissional da nova era.

Não por acaso, a consultoria prevê que até 2021, 40% da equipe de TI será mais versátil que a própria tecnologia, porque esses profissionais conseguirão desempenhar variados papéis, a maioria direcionada a negócios.

As empresas querem profissionais que saibam fazer muito bem a gestão de pessoas, considerando que são as pessoas que dão a elas o valor que têm. É o que afirma Daniel de Paiva, Senior Partner, responsável pelas áreas de Tecnologia e Energia da Havik, empresa atuante em Executive Search.

“Na busca por profissionais da nova era, ganha pontos o candidato que é dono de uma comunicação clara, objetiva e que se manifesta de forma coerente. Nesse cenário, o prolixo sofre graves riscos”, alerta.

Além disso, acrescenta o executivo, estão no foco das organizações profissionais que primam por eficiência, com senso crítico, visão de orçamento, produtividade, alta capacidade de gestão do tempo (do gestor e da sua equipe), avaliação de risco, perfil digital e alinhamento com a inovação, controle crítico diante do ambiente digital, antenado e globalizado, ousado e curioso.

“Afinal, estamos falando de quem irá compor grupos multidisciplinares, que estão em alta nas empresas, por conta de novos modelos de trabalho, que reúnem profissionais com diferentes habilidades, competências e gerações”, diz.

Paiva destaca que não faz muito tempo, o líder buscava status, uma ampla sala ou ambiente personalizado de trabalho. “Hoje, ele busca estilo, integra-se à equipe e a sala não tem paredes, prima pela colaboração, compartilhamento de ideias, proximidade”, destaca.

Na nova economia, ele diz, o profissional é um indisciplinado saudável, ou seja, um revolucionário. “O que é muito diferente do ‘revoltado’, que sabota o bom ambiente. O revolucionário traz descobertas, visão diferenciada e melhorias.”

Entre as soft skills cobiçadas pelo mercado também estão habilidades específicas, que preparem para um profissional econômico-utilitário; capacidade de aprendizado rápido; cursos de cursos de curta duração que proporcionem ampliação de capacidade produtiva; capacidade de concentração.

Muitas das soft skills, até bem pouco tempo, imaginava-se serem impossíveis de se aprender na escola, avalia Paiva. Mas, segundo ele, já existem cursos breves, que duram entre duas e três semanas, orientados a competências comportamentais. “A Singularity University e a Inova Business School, por exemplo, ensinam técnicas que podem despertar habilidades nos profissionais como até mesmo sensibilidade e capacidade de comunicação”, diz.

Mas qual é o padrão do profissional da era digital? “Não há um padrão. Contudo, certamente ele precisa ser um profissional com visão do que ele é, onde quer chegar e quais são seus objetivos. Tudo isso, alinhado com ‘onde a empresa quer chegar’. A partir daí, acontece o direcionamento”, ensina.

Do outro lado do balcão

“Eu me considero preparada para exercer minhas funções de acordo com as exigências da era digital. Mas vale destacar que nunca estamos preparados, pois é uma evolução constante, especialmente considerando o surgimento de novas tecnologias e metodologias que exigem uma qualificação contínua para estar sempre em linha com o cenário”, diz Patrícia Cavalcanti, diretora de Varejo da Schneider Eletric.

Ela dá uma dica: “É importante se manter conectado, estar atento ao que está acontecendo no mundo e por isso é vital estar nas redes sociais, como LinkedIn e Instagram (que ganhou escopo corporativo)”.

Na verdade, de acordo com Patrícia, a era digital a deixou mais confortável. Porque gosta muito de colocar ideias em prática. “Não me contento em somente aprender, quero testar, ajustar e fazer acontecer.”

Hoje, vive mergulhada em vários projetos. “Antes, o mergulho era mais longo e eu e minha equipe tínhamos de conviver com a dúvida: ‘Será que vai dar certo?’. Agora, é diferente, corremos o risco, porque entregamos o projeto em partes, apoiado em metodologias ágeis.

Dessa forma, identificamos mais rapidamente as falhas e solucionamos na mesma velocidade, de acordo com o feedback do cliente e sugestões”, garante.

Patrícia revela que esse cenário instigante e veloz é o que mais a empolga, porque traz esse modelo de trabalho no seu DNA. “Na nova era, não há nada de errado em arriscar, desde que seja em ações rápidas e efetivas. O digital foi fundamental para proporcionar a agilidade na realização de projetos e gosto disso.”

O mercado precisa de algo além, ela avisa: facilidade de comunicação, colaboração e sensibilidade que, na maior parte das vezes não se aprende na escola. “Eu não tenho dificuldades com essas novas exigências. Todas elas fazem parte do meu perfil e me ajudam muito a me adequar no dia a dia com minha equipe. E, certamente, trazem resultados.”

Essa facilidade de adequação a faz entender que, ao trabalhar com profissionais de diferentes habilidades, competências e gerações, é preciso extrair o máximo de cada um para o grupo multidisciplinar. “Costumo dizer que ‘temos de calçar o sapato da equipe jovem’.”

Nessa jornada de transformações, Patrícia alerta que teve de desenvolver a capacidade de liderança no sentido de integrar de maneira harmoniosa diferentes gerações. “Esse é o maior desafio: conviver, colaborar, compartilhar e aprender com jovens e experientes em todas as ações. E, para isso, me considero de mente aberta e apta a ouvir, sempre.”

E mais: “Para liderar uma equipe é preciso promover o engajamento, porque ninguém cria nada sozinho. Essa soft skill também é necessária”.

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