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O que o Google tem feito para manter o pioneirismo em open source?

Empresa abriu mais de dois mil projetos ao longo dos anos. Conheça a estratégia de código aberto do gigante de buscas

Scott Carey – Computerworld UK-

07/08/2018 às 12h58

google android oreo
Foto: Shutterstock

O Google tem uma sólida reputação como uma organização de engenharia com uma cultura de código aberto, com os Googlers contribuindo com uma enorme quantidade de códigos para a comunidade e projetos famosos como TensorFlow e Kubernetes.

"O Google tem uma longa história de envolvimento em comunidades de código aberto. Temos um escritório de programas de código aberto há mais de 12 anos e trabalhamos com várias outras grandes empresas para entrar neste espaço de uma forma que protege os projetos”, diz Sarah Novotny, diretora de estratégia de código aberto do Google Cloud Platform (GCP).

Kubernetes e TensorFlow

Apesar de Sarah enfatizar que o Google abriu 2,4 mil projetos ao longo dos anos, de pequenas bibliotecas e STKs, são os projetos do Kubernetes e do TensorFlow que mudaram a indústria e colocaram as credenciais de código aberto da empresa no mapa.

O Kubernetes é uma plataforma de orquestração de containers que mudou a forma como as equipes de DevOps implementam e gerenciam seu código de aplicativo. O TensorFlow tornou o desenvolvimento e a implementação de modelos de machine learning muito mais acessíveis aos desenvolvedores.

Para a executiva, os projetos têm "objetivos estratégicos muito diferentes para o Google". O Kubernetes foi efetivamente entregue à comunidade e o TensorFlow ainda é "muito liderado pela empresa".

Quando perguntada sobre como o Google decide internamente qual tecnologia abrir e comercializar, Sarah afirmou que “a empresa tem sido muito orgânica sobre isso internamente".

Segundo ela, por um longo tempo, era um desenvolvedor dizer “eu estou em uma coisa legal” e o produto e a equipe de liderança não necessariamente enxergavam que teria um impacto muito alto para a comunidade como algo de código aberto ou não era necessariamente algo que seria profundamente financiado, então os engenheiros pressionavam para torná-lo um código aberto.

O objetivo é garantir que "quando enviamos um projeto, sabemos qual é o retorno esperado, mesmo que isso seja apenas para fazer nossos clientes felizes, porque esse é um objetivo estratégico", comenta.

Estratégia de código aberto

Esta é apenas uma das formas de o Google contribuir para a comunidade. "Temos mais de 20 milhões de linhas de código para os quais contribuímos em projetos de código aberto no GitHub e, em 2017, os Googlers contribuíram com quase 1% do total de pedidos de solicitação do GitHub", afirmou Sarah.

Essa abordagem de código aberto se encaixa com a política mais geral do Google Cloud de permitir que os clientes alternem facilmente entre os diferentes provedores de nuvem, procurado alcançar os líderes de mercado Amazon Web Services (AWS) e Microsoft Azure.

"Acho que é um investimento enorme garantir que nossos clientes tenham as ferramentas funcionando bem em nossa plataforma e, observando as solicitações mais amplas e no longo prazo, que essas ferramentas estejam disponíveis e sejam fáceis de usar por meio das diferentes nuvens", frisa Sarah.

Um exemplo é a ferramenta de entrega contínua Spinnaker. O Google contribuiu com uma equipe para ajudar a suportar o Spinnaker no GCP e, agora, "é compatível com implantações em várias nuvens para torná-lo rápido e fácil de usar”, complementa a vice-presidente de engenharia da GCP, Melody Meckfessel.

Melody admite que o Google "ainda está aprendendo" neste espaço, mas que o Spinnaker é um bom exemplo de um projeto adaptável. Segundo ela, esse era um projeto onde não fazia sentido construir sozinhos, mas com a Netflix, que apoia a AWS, por ser multi-cloud e ter benefícios para a comunidade e para os desenvolvedores.

Maior impacto do código aberto

Essa abordagem de código aberto também é atraente para os desenvolvedores, o que certamente ajuda quando se trata do negócio de contratação.

"Ao mudar as culturas, criar um engajamento positivo e garantir que as ferramentas funcionem para que os desenvolvedores melhorem sua experiência, você acaba construindo uma empresa que pode atrair mais pessoas", revela Sarah.

Melody complementa dizendo que aconteceu um impacto positivo nos engenheiros do Google, que passaram a interagir mais tanto para soluções técnicas quando para tornar uma ideia, realidade.

"Eu gostaria de pensar que estamos incentivando nossos concorrentes e parceiros do setor a causar o mesmo tipo de impacto. Então, estamos desenhando. Vemos que a Microsoft e a Amazon são contribuições substanciais para o Kubernetes, por isso estamos tentando trazer essa perspectiva de nuvem mais ampla”, afirma a vice-presidente.

Novo projeto

O Google também lançou seu mais recente projeto de código aberto como uma versão 1.0 "pronta para produção". O Istio é uma 'malha de serviço' que permite que as equipes de desenvolvedores unifiquem o gerenciamento de fluxo de tráfego, apliquem políticas e agreguem dados de telemetria através de microsserviços em um console de gerenciamento compartilhado, independentemente do ambiente.

"Istio é outro projeto de código aberto desenvolvido pelo Google que estende Kubernetes para serviços de nível superior. Assim, você pode descobrir, conectar e monitorar serviços holisticamente em múltiplos locais em um só lugar, sem ter que alterar o código”, revelou o SVP de infraestrutura técnica, Urs Holzle.

O Google começou a trabalhar no que hoje é chamado de Istio no ano passado, junto com os parceiros IBM, Lyft, Pivotal, Cisco e Red Hat.

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