Home  >  Inovação

Movimento busca aproximação com presidenciáveis por políticas de inovação

Governo é um dos pilares estratégicos do Movimento Brasil Digital, conduzido por 26 empresas de diversos setores

Guilherme Borini

02/08/2018 às 18h55

Brasília
Foto: Shutterstock

Legenda: Brasília

O Movimento Brasil Digital, que tem como proposta transformar o Brasil em uma nação inovadora e inclusiva, foi lançado nesta quinta-feira (2/8) sob o comando de 26 empresas, de diversos setores. Resultado de uma parceria entre o Pacto Empresarial Brasileiro pela Digitalização Humanizada do Trabalho - promovido pela EDP, EY, Korn Ferry e Fiap - e o Manifesto Nação Digital - liderado pela IT Mídia e Fundação Dom Cabral (FDC) -, a iniciativa ganha força ao unir grandes companhias.

Mas um fato é consenso entre os participantes: sem apoio governamental nada sairá do papel. Por isso, um dos cinco pilares definidos pelos líderes do movimento é o de governo, que busca aproximação com governantes e incluir inovação nas políticas públicas. As outras três dimensões - não menos importantes - são educação, empreendedorismo, infraestrutura, além da inclusão.

"Empresas individualmente podem resolver problemas de 50 funcionários aqui, cem ali. Mas se você quiser impactar a sociedade, é preciso ter um programa abrangente e com apoio do governo, para que sejam problemas de Estado", comentou José Luiz Rossi, CEO da Serasa Experian, um dos participantes do movimento e também integrante do grupo de trabalho com foco na vertical governo.

Está claro que o governo tem papel primordial na iniciativa, que pretende apoiar a construção de um novo futuro para o Brasil, para que este se torne um País inovador, participando de maneira relevante da chamada quarta revolução industrial.

E o poder público será foco antes mesmo da sua definição, com a aproximação das Eleições. Todos os projetos do Movimento serão apresentados aos candidatos à Presidência da República para que o próximo governo possa ter uma agenda voltada à inovação em paralelo com os objetivos de curto prazo, como as reformas da previdência e fiscal.

Adelson de Sousa, presidente da IT Mídia, ressaltou que a iniciativa é totalmente apartidária e não conta com atuação direta de nenhum órgão governamental. "As definições e as propostas do movimento têm alinhamento com qualquer governo. Teremos um Conselho Consultivo que tratará as questões com o poder público", explicou Sousa.

Silvio Genesini, presidente do Comitê Executivo do Movimento Brasil Digital, comenta que o movimento já tem agendas definidas com alguns dos candidatos e que o primeiro contato tem sido positivo. "Todos estão se interessando pelo tema", comemorou.

O Movimento Brasil Digital, no entanto, busca promover um diálogo e não quer ficar limitado a esse momento de definições políticas. Por isso, o plano de ação prevê iniciativas até 2025, com acompanhamento e continuidade das políticas de digitalização, além do desenvolvimento de novos projetos.

Inspiração no exterior

O movimento brasileiro buscou inspiração em projetos de países europeus. Boas práticas dos países analisados em estudo realizado pelos participantes apontam que, nas atividades de governo eletrônico, não basta trocar atendimento presencial ou telefônico por meios digitais. "A transformação digital da administração pública vai além disso e o poder de compra do governo pode servir como indutor do desenvolvimento de novas tecnologias", diz documento preparado pelo movimento.

Um exemplo apontado no material é o Reino Unido, que utiliza as compras governamentais para promover a inovação, principalmente em startups e scale-ups. "A plataforma Digital Marketplace, para compra serviços digitais pelo governo, havia acumulado até 2017 £ 1,7 bilhão em negócios, sendo 56% com pequenas e médias empresas (PME). O resultado excedeu a meta do governo, que era chegar a um terço dos gastos com PME em 2020. O Reino Unido quer promover o uso da plataforma por governos locais e outras entidades do setor público."

A Suécia também tem usado compras governamentais para incentivar o desenvolvimento de empresas digitais. A promoção da inovação pela demanda do governo é uma estratégia sueca desde 1990, com atividades centralizadas na Agência Nacional de Compras Públicas.

A Alemanha, por sua vez, quer intensificar suas compras orientadas à inovação, adotando uma resolução com diretrizes de compra que apliquem critérios de sustentabilidade e inovação. A administração pública planeja expandir seus Centros de Competência de Compras Inovadoras (Koinno, na sigla em alemão) e iniciar projetos-piloto para promover a competição entre desenvolvedores na criação de soluções inovadoras para demandas públicas.

Deixe uma resposta