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Em alta, TI não apresenta indícios de queda em empregos

Consultores especializados veem saldo positivo do setor, mesmo diante do cenário negativo em termos de criação de novas vagas no Brasil

Guilherme Borini

31/07/2018 às 14h29

profissionais de TI
Foto: Shutterstock

Legenda: profissionais de TI

O cenário de empregos no Brasil não é dos mais animadores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de desempregados no País foi de 13 milhões de pessoas no segundo trimestre deste ano, o que representa queda de 5,3% em relação ao primeiro trimestre.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, são 520 mil desempregados a menos, queda de 3,9%, mas, apesar da leve retomada, a perspectiva como um todo não parece das melhores.

A projeção inicial do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, era de 600 mil novos postos de trabalho neste ano, mas a mesma previsão já aponta para 460 mil. A Tendências Consultoria prevê uma mudança maior: de 800 mil novas vagas até dezembro, o número atual é de apenas 350 mil. Os principais motivos para a queda da previsão, segundo analistas, são a greve dos caminhoneiros e um início de ano mais lento do que o esperado.

Mas se você atua no setor de Tecnologia de Informação (TI), pode ficar um pouco mais tranquilo. Pelo menos é o que apontam consultores especializados em vagas do setor: Daniel de Paiva, sênior partner da Havik Innovate Executive Search, e Caio Arnaes, gerente sênior de recrutamento da Robert Half.

Arnaes aponta que não vê indícios da demanda de empregos do setor cair. "Pelo contrário. TI é a área que mais temos posições abertas, tanto para contratação direta quanto para alocação de profissionais para projetos. Incrivelmente é a única área que temos facilidade para abertura de vagas", comenta.

Em faturamento, a divisão de vagas de TI para a Robert Half cresceu 112% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de 2017.

A maior demanda, segundo o executivo, é por desenvolvedores, principalmente de linguagens mais novas. "Desenvolvimento mobile, por exemplo, tem demanda interessante e é difícil encontrar profissionais disponíveis."

Paiva vive o mesmo cenário de expansão. O especialista comenta que a Havik e a Harpio, consultoria de recrutamento e seleção do mesmo grupo, registraram alta na demanda da área digital - a proporção é de três a quatro profissionais para um em relação a oportunidades da chamada TI tradicional.

Perfis

Paiva divide os profissionais do setor em três categorias. A primeira delas é a TI tradicional, que corresponde ao mundo de infraestrutura, sistemas, suporte e hardware. "São aqueles profissionais ligados a cabos, equipamentos, ao Oracle, SAP, CRM, ERP etc. O chassi tecnológico da empresa", define. Essa categoria, segundo Paiva, é a maior empregadora por conta do enorme legado e necessidade das empresas de terem a TI funcionando.

A segundo área é a de digital, que inclui tecnologias como big data, serviços de cloud, soluções integradas, cibersegurança e internet das coisas (IoT).

A terceira é classificada por Paiva como futurismo, que engloba termos como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia e outras tecnologias emergentes.

"Se pegarmos essas três áreas, diria que o profissional de TI está 85% dentro da parte tradicional, 14% no digital e apenas 1% no futurismo, que ainda é muito incipiente e laboratorial e as empresas estão com receito porque os investimentos são altos", classifica.

O executivo vê alta demanda na parte digital, na qual estão analíticos, estatísticos e matemáticos que cuidam do tesouro das empresas, o chamado banco de dados. "A demanda para essa área digital está muito acelerada. Empresas estão atrás desses profissionais e brigando muito por eles. Está em ebulição."

Reinvenção

Fato é que, mesmo diante de um mercado em alta, o profissional de TI tradicional precisa se reinventar. "O profissional da TI tradicional precisa se especializar em uma infraestrutura voltada ao digital, que é muito diferente da normal e das funcionalidades que cuidava até então", diz Paiva, que acredita que o setor tradicional não vai gerar novas vagas, mas, por outro lado, vai demandar essa mudança de perfil dos profissionais.

"O impacto (negativo) será sentido pelo profissional que não se adaptar a esse ambiente digital", completa.

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