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Casas e cidades inteligentes: um vislumbre do futuro?

Guilherme Borini

04/07/2018 às 8h02

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O conceito de lar é muito pessoal. Para alguns, representa segurança e proteção. Para outros, é um lugar para fugir dos rigores da modernidade. No entanto, embora essas definições possam ser atemporais, as casas do futuro parecem estar conectadas a ambientes de aprendizado que são perfeitamente integrados à comunidade urbana ao seu redor.

Você nunca verá um caminhão de lixo nas ruas de Songdo, cidade inteligente na Coreia do Sul, levando as caixas de lixo para fora e classificando a reciclagem. Ao que parece, não está no topo da sua lista de hobbies. Essa é apenas uma das muitas tarefas que fazem parte do cuidado da casa. A menos que você viva em Songdo, onde os resíduos domésticos são sugados diretamente da cozinha para uma central de triagem, por meio de uma rede subterrânea de tubos pneumáticos. De lá, ou o lixo é transformado em energia para a cidade ou é reciclado.

O trabalho de construção em Songdo começou do zero em 2002. Ele mostra o que é possível com o planejamento urbano moderno e serve como um fascinante caso teste na jornada em direção às cidades do futuro. Frente ao 31% de crescimento anual no número de domicílios conectados nos Estados Unidos entre 2015 e 2017, podemos afirmar que uma revolução na vida urbana está chegando. Mas como ela será, e, como uma casa inteligente se integra a uma cidade inteligente?

Potencializar esta revolução urbana requer energia. Muita energia. Nenhuma cidade - inteligente ou não - pode sobreviver sem energia e, com uma expectativa de que 60% da população mundial viva nas cidades até 2030, é essencial que os centros urbanos sejam proativos na resolução de seus desafios energéticos.

No entanto, o que é mais animador são as mudanças de cima para baixo no consumo de energia possibilitadas pelas cidades inteligentes. A era do big data fornece aos gerentes de infraestrutura e planejadores urbanos um tesouro de informações anônimas sobre o consumo de energia em tempo real em cidades inteiras – como por exemplo em Berlim. Isso torna mais fácil gerenciar ambientes urbanos em tempo real, ao mesmo tempo em que permite que planejadores urbanos examinem com mais precisão a estratégia de longo prazo. Assim, enquanto itens como medidores inteligentes e válvulas de radiadores inteligentes - cujo uso está crescendo rapidamente - podem definir inovações relacionadas à energia no nível micro, a imagem maior é a de cada casa conectada, contribuindo para um quadro de consumo de energia de toda a cidade.

Ventilando as chamas do futuro

Em setembro de 1666, um incêndio atingiu o centro de Londres, destruindo 87 igrejas paroquiais, bem como as casas de cerca de 70 mil dos 80 mil habitantes da cidade. O “grande incêndio de Londres” já foi imortalizado na história e, embora as técnicas de combate a incêndios obviamente percorreram um longo caminho desde o século XVII, 1666 serve como um lembrete urgente da ferocidade com a qual o fogo pode queimar o ambiente urbano.

O futuro é aquele em que os alarmes inteligentes de fumaça e de incêndio contatam automaticamente os serviços de emergência e alertam os moradores vizinhos. Esse tipo de manutenção preventiva se tornará cada vez mais comum, à medida que as residências inteligentes se tornam mais interligadas com as cidades inteligentes. Por exemplo, a mesma tecnologia de monitoramento de tubos utilizada para informar o proprietário de um cano de água com vazamento pode ser usada para informar as autoridades locais sobre o desenvolvimento de problemas com a rede de esgoto. O uso de tecnologia de monitoramento digitalmente conectada para resolver problemas antes que eles se desenvolvam poderia economizar enormes quantias de dinheiro e evitar a frustrante interrupção da infraestrutura civil.

O big data torna a gestão, provisão e o planejamento de serviços públicos nos ambientes urbanos do amanhã muito mais fáceis e econômicos para as autoridades locais, mas haverá perguntas inevitáveis sobre a maneira como os dados são coletados, armazenados e interpretados. Há também questões críticas de segurança a serem consideradas, para que a infraestrutura das cidades do futuro não seja vulnerável a ataques cibernéticos. Aí reside o osso da discórdia enquanto nos lançamos na era da casa inteligente. Os produtos conectados via dispositivos de Internet das Coisas (IoT) possuem recursos incríveis. Mas para onde estão indo todos esses dados?

Há um benefício médico inevitável na análise de fezes - e os proprietários das casas do amanhã terão a capacidade de comprar o estudo de suas ofertas matinais para infecções bacterianas e parasitárias, perda de células sanguíneas e sensibilidades alimentares. Mas a quem pertencem esses dados e quem mais pode ter acesso? Da mesma forma, há preocupações com a privacidade de brinquedos infantis conectados que capturam os dados biométricos da sua progenitura (ou prole) para monitorar a saúde e o bem-estar. “A criação digital é o futuro da educação infantil”, um dos artigos mais positivos sobre o futuro inteligente. A decisão de ver essa perspectiva como uma inovação eletrizante ou como o precursor da distopia digital é sua!

*Timoteo Muller é gerente de vendas da Dassault Systèmes para a América Latina

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