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6 D’s do sistema bancário

Método proposto por Peter Diamandis e Steven Kotler pode ser implementado em uma infinidade de campos diferentes

Marco Santos*

29/06/2018 às 7h50

fintech
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Os 6 D's são uma cadeia de progresso tecnológico, um roteiro para um desenvolvimento ágil que leva a oportunidades com potencial de crescimento exponencial. Esse método, proposto por Peter Diamandis e Steven Kotler, pode ser implementado em uma infinidade de campos diferentes, a fim de compreender e facilitar o desenvolvimento exponencial de tecnologias, bem como para promover, aplicar, orientar e guiar os mesmos para resolver os grandes desafios da humanidade.

No setor de tecnologia, há muitos exemplos de empresas que cresceram exponencialmente como Amazon, Google ou Facebook. Os bancos estão aprendendo com essas empresas e, portanto, aplicamos os 6 D's ao mundo financeiro neste artigo.

Digitalização: do dinheiro físico às transações virtuais

Como os criadores desta teoria apontaram, tudo o que pode ser representado em zeros e uns - música, biotecnologia etc - torna-se informação digitalizada e entra em um crescimento exponencial. Naturalmente, o poder da digitalização é muito evidente no setor financeiro e está permitindo grandes avanços. A documentação física nos bancos perdeu peso, sendo suplantada pelo escaneado e, portanto, "tagueada" corretamente. Isso sem mencionar o dinheiro físico cada vez menos frequente devido à popularização das transações virtuais. Tudo isso está forçando os grandes gigantes do mundo financeiro a explorar todos os canais digitais, a fim de capturar a atenção dos clientes que agora querem serviço a qualquer momento, no canal que preferirem e adaptado às suas necessidades.

Desmaterialização: agências físicas versus virtuais

Em termos gerais, este ponto da teoria do 6D's destaca o desaparecimento de alguns produtos físicos. Assim, tecnologias que antes eram caras e volumosas, como rádio, câmera, GPS etc, estão atualmente integradas em um smartphone que cabe no nosso bolso.

Nesse sentido, existem muitos exemplos da desmaterialização dos bancos. De fato, há vários projetos de cadastro de clientes digitais para que, sem ter que passar por uma agência bancária, eles possam abrir uma nova conta. Um case recente e relevante foi a implementação para a Telefónica 02, na Alemanha, em projeto para o banco digital Fidor.

Decepção ou engano: quando os pagamentos móveis se tornarão populares?

Outro aspecto destacado por Diamandis e Kotler é que quando algo começa a se digitalizar, o seu período inicial de crescimento é "enganoso" ou decepcionante. As tendências exponenciais não parecem expandir-se rapidamente no início, mas o crescimento realmente decola quando a barreira inteira do número é quebrada. O mesmo pode acontecer com algumas inovações tecnológicas: nem sempre é popularizado ou generalizado na velocidade inicialmente esperada.

Por exemplo, no setor financeiro, especialistas previam um crescimento muito maior de pagamentos móveis em seu primeiro estágio, mas os números de uso podem parecer decepcionantes para alguns. É necessário um período de tempo maior para uma inovação tecnológica como essa, a fim de analisar corretamente o seu sucesso.

Disrupção: blockchain e Fintechs

O mercado existente para um produto ou serviço é substituído abruptamente por um novo mercado de tecnologias exponenciais, dada a sua eficiência e baixo custo. Nesse sentido, blockchain é um exemplo perfeito de um case ou de negócio que está mudando a maneira como os bancos e as seguradoras trabalham. Desde fazer pagamentos internacionais em tempo real à gerenciar a identidade digital de clientes de forma distribuída, já existem muitos modelos de uso atualmente no setor financeiro. O futuro de muitas indústrias, não apenas no setor bancário, passará necessariamente pelo blockchain.

Além disso, se temos de falar sobre a disrupção nos serviços financeiros, não há nada mais que ouvir um presidente de uma empresa do segmento dizer que eles não querem ser um banco, mas uma companhia de tecnologia. O que há por trás dessa declaração? Bem, nada mais que FinTechs: todas as empresas de base tecnológica estão começando a comer partes do bolo dos serviços financeiros tradicionais. Temos desde pequenos negócios, com apenas cinco pessoas na equipe, a gigantes asiáticos, como AliPay ou WeChat, ou americanos, como Apple, Google, Amazon, Facebook, entre outros.

Desmonetização: tecnologias em nuvem

Outro aspecto marcante da teoria dos 6D's é o poder que a tecnologia tem para tornar mais baratos alguns serviços e até mesmo gratuitos. O software está se tornando menos caro para produzir e as cópias são virtualmente gratuitas. Você pode baixar um grande número de aplicativos em seu celular para acessar informações do TeraBytes e desfrutar de uma ampla variedade de serviços a um custo marginal próximo de zero. No setor financeiro, deve-se fazer referência a tecnologias em nuvem que permitem o acesso a recursos computacionais muito poderosos e de baixo custo.

Democratização

Quando algo é digitalizado, mais pessoas podem acessá-lo. O acesso a tecnologias muito poderosas não é mais apenas uma questão das grandes organizações ou entidades com recursos. Assim, hoje a tecnologia possibilita levar em conta grupos que no passado eram despercebidos ou não recebia a atenção suficiente dos bancos. Por exemplo, há alguns meses, o BBVA lançou uma solução no desenvolvimento para clientes cegos, permitindo-lhes localização, orientação e retirada de dinheiro de caixas eletrônicos bancários de uma forma simples, assistida e utilizável.

Entender esses 6D's é fundamental para as instituições financeiras abordarem com sucesso o próximo passo em sua transformação digital. Experiência e conhecimento serão essenciais no futuro do setor.

*Por Marco Santos, managing director da GFT para a América Latina

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