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C/4Hana é novo fôlego da SAP para avançar em PMEs

Interesse de pequenas empresas pela solução de CRM pode impulsionar adoção do Business One

Guilherme Borini

07/06/2018 às 9h26

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Totvs, SAP e Oracle dominam o mercado brasileiro de ERPs com 81% de participação no Brasil. A liderança geral é da fabricante brasileira, com 35%, seguida de perto pela alemã, com 31%, e a norte-americana na terceira colocação, com 15%.

Os números são da 29ª Pesquisa Anual do GVcia, Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP) e evidenciam também uma forte separação de mercado. No mercado de pequenas empresas (com até 170 teclados), a Totvs detém 50% de participação, muito à frente das concorrentes. Já nas grandes empresas (acima de 700 teclados), a liderança é da SAP, também com cerca de 50%.

Um dos principais esforços da multinacional alemã nos últimos anos tem sido a busca por mudar esse cenário e provar que também pode ser uma opção viável para pequenos negócios. Mais do que um desafio tecnológico, uma quebra de paradigma.

Para abraçar o mercado de PMEs, a empresa conta com o Business One, software de ERP específico para esse público. No último ano, a aposta intensificar sua presença foi cortar custos do software de gestão no formato as a service (SaaS), com assinatura mensal a partir de R$ 250. O preço vale para empresas com até 25 usuários, além dos custos com hospedagem na nuvem de um provedor a ser escolhido pelo cliente.

Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, comenta que a estratégia de preço deu resultado e a empresa viu crescimento na base de clientes. No primeiro trimestre, por exemplo, o crescimento de venda da solução foi de dois dígitos no Brasil - a empresa não abre números locais. "Ainda longe de uma posição de liderança, mas avançando cada vez mais. O caminho de oportunidades é muito grande", disse Cristina, durante coletiva de imprensa no Sapphire Now, conferência anual da SAP realizada nesta semana em Orlando, nos EUA.

Parte desse caminho citado passa pelo sucesso da nova solução de CRM da companhia, o C/4Hana - anunciado na última terça-feira no evento. A executiva acredita que, por ser um tipo de serviço que agrega muito valor a empresas de pequeno porte, pode ser uma importante porta de entrada para empresas que não consideravam antes utilizar soluções de ERP da SAP.

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"Muito disso é uma quebra de paradigma e temos que vencer esse caminho para chegar na cadeia de empresas menores. O C/4Hana pode ser um bom caminho."

Segundo Cristina, o fato de estar na nuvem permite a possibilidade de adoção das ferramentas em qualquer tipo de empresa. "O C/4Hana é para empresas de todos os tamanhos, sendo da nossa base de ERP ou não. A grande beleza da cloud é essa democratização (do acesso à tecnologias de ponta)", completou.

Nuvem pública

Outra aposta da SAP fora do mundo das gigantes é a oferta do S/4Hana no modelo de cloud pública no Brasil.

Mais do que prover uma nova forma de acesso a clientes ao poderoso sistema de gestão empresarial, a oferta pretende preencher uma espécie de "lacuna" em relação às ofertas da SAP no Brasil: médias empresas - organizações com um número mínimo de cerca de 100 usuários. É nesse porte de companhias que está o principal foco do novo modelo em nuvem pública.

*O jornalista viajou a Orlando (EUA) a convite da SAP