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Como Edge Computing pode transformar o uso da nuvem

Executivo define conceito como especialização do hardware na ponta e cita importante papel de não sobrecarregar infraestruturas de cloud

Guilherme Borini

05/06/2018 às 9h21

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O conceito de Edge Computing surgiu para atender ao desafio do processamento de dados nas bordas de maneira rápida e segura. Borda, neste caso, corresponde a dispositivos conectados e que produzem dados, no chamado conceito de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). No modelo convencional, as informações são enviadas para a nuvem, onde são realizados os cálculos, análises etc, mas com a explosão no número de dispositivos, o Edge Computing surge para agilizar esse fluxo e não sobrecarregar a estrutura de cloud.

Armando Amaral, CTO & Head of Cloud Solutions da Tivit, classifica o conceito como especialização do hardware na ponta. "O Edge Computing entra na especialização dos artefatos de IoT, para não levar tudo para a nuvem, evitando sobrecarregar a cloud. É um trabalho suplementar à internet das coisas", define.

Amaral explica que, sem o Edge Computing, os equipamentos conectados enviam todas as informações coletadas para a infraestrutura de nuvem. Com essa tecnologia, é possível "cortar caminho" e já levar as informações consolidadas. "O que vai acontecer é cada vez mais processamento na ponta e menos na nuvem, para um uso melhor de cloud", acredita.

O crescimento desse conceito, para Amaral, será apenas um atenuador do crescimento da nuvem, que seguirá sua ascensão exponencial. "A nuvem continuará a ser muito importante, mas não será a única tecnologia."

Mesmo porque o conceito ainda não está consolidado e Amaral calcula pelo menos mais um ano para Edge Computing de fato se tornar relevante nos negócios - não só para a Tivit, mas no mercado como um todo. "Empresas que produzem esse tipo de especialização estão começando apenas agora", diz.

Uma delas é a Intel, parceria da Tivit no setor, que está começando a desenvolver chips preparados para Edge Computing.

Na prática

Com essa especialização do hardware, um exemplo prático apontado por Amaral é o de um sensor de câmara fria. Com um equipamento de Edge Computing, é possível programar o sensor para enviar informações para a nuvem apenas em caso de anormalidade. Ou seja, o processamento sendo realizado no próprio equipamento, antes de enviar todos os dados para a nuvem.

Com processadores especializados, o dado pode ser tratado quando é gerado, filtrado e identificado sendo apenas armazenado na nuvem, em vez de enviar toda informação para a nuvem para ser processada, e depois sim armazenada.

"Para os negócios, isso é muito bom porque consolida informações antes e só armazena o que de fato interessa", completa.