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5 perguntas para o CEO: Laércio Albuquerque, da Cisco

Guilherme Borini

28/05/2018 às 11h20

laércio albuquerque
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Laércio Albuquerque deu os primeiros passos na área de TI como consultor. Aos 45 anos de idade, chegou ao cargo de presidente da CA Technologies no Brasil, posição que ocupou entre 2012 e 2016.

No cargo, o executivo vivenciou o crescimento dos negócios e o registro do melhor resultado da história da companhia no Brasil no primeiro trimestre de 2016.

Após 20 anos na CA, em 2016 o executivo assumiu um novo desafio: a presidência da Cisco no Brasil. Após dois anos, Albuquerque classifica a experiência como os "melhores e mais felizes anos de toda a minha carreira".

Em entrevista à Computerworld Brasil, como parte da seção 5 perguntas para o CEO, o executivo comenta sobre seus desafios à frente da gigante norte-americana e o que espera do mercado brasileiro neste ano. Confira:

Computerworld Brasil - Foram 20 anos de CA Technologies e, há dois anos, assumiu o posto de presidente da Cisco no Brasil. Qual a principal diferença de atuação, levando em conta os diferentes focos das companhias?

Laércio Albuquerque - Apesar de serem ambas empresas inseridas no mundo de tecnologia, são completamente diferentes no escopo de atuação, dimensão, tamanho e cultura. Foram honrados e prazerosos 20 anos que passei na CA, e me orgulho muito disso, além de manter um certo carinho pela empresa, mas mover a uma companhia 10 vezes maior, tem sido um privilégio indescritível.

A Cisco é uma das empresas mais respeitadas e admiradas de toda indústria, uma empresa que dita as tendências tecnológicas ao invés de segui-las, e que tem transformado ao redor de todo o mundo a maneira como as pessoas se comunicam, se divertem, aprendem e trabalham.

Em um mundo onde estamos no caminho de chegar a 50 bilhões de dispositivos conectados, fornecer as plataformas de conectividade do futuro, plataformas de cibersegurança e as mais avançadas plataformas de colaboração do mundo, faz da Cisco uma empresa inserida no coração da maioria das corporações, e isso é entusiasmante.

A cultura do “anywhere office” também me encanta: todos os funcionários conectados de onde estiverem, participando de reuniões e se comunicando de qualquer lugar, tendo as salas de reuniões na palma da mão, é fantástico. Além de transformar a maneira de como as empresas e governos interagem com seus clientes e cidadãos, a Cisco tem um veio de transformar a sociedade num mundo conectado, inserindo pessoas no mundo digital, preparando jovens para conquistarem seu primeiro emprego, e agir em busca de um mundo melhor.

Tudo isso é incrível e muito nos honra. Tenho tido na Cisco os melhores e mais felizes anos de toda a minha carreira.

CW - Quais foram os principais desafios nesses dois primeiros anos?

Laércio - A Cisco é uma gigante da tecnologia, praticamente 80% dos dados trafegados pelo mundo passam de alguma forma por soluções Cisco, mas nada adianta este gigantismo todo se não tivermos a humildade de estar cada vez mais próximos de nossos clientes e parceiros. Isso tem sido um desafio empolgante, mudar a estrutura de vendas, criar pontos de contato em todos os cantos de nosso país, e mover nosso já reconhecido ecossistema de parceiros a um nível ainda melhor, ajudando clientes de todos os tamanhos e medidas a vencerem em seus desafios de transformação digital. O sucesso tem sido nítido, o crescimento tem sido fantástico, a ponto de a Cisco do Brasil ter sido reconhecida mundialmente como “Top Country of the Year em 2017” pela nossa corporação, isso em um ano de desafios econômicos e políticos que atravessamos.

Um outro desafio foi assumir a presidência do Cisco no ano em que o país sediou o maior evento esportivo do mundo que é a Olimpíada. Como apoiadora dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, a Cisco foi responsável por toda a infraestrutura de equipamentos de rede e servidores corporativos necessários para sua realização e entregou o que foi reconhecido como o Jogos mais Conectados e Seguros da história. Além disso, tínhamos o desafio de tornar o evento como o mais inclusivo da história, deixando um legado para a sociedade que pudesse se estender por décadas. E ao final de 2017, conseguimos concluir nosso programa de Legado Olímpico, com foco totalmente na inclusão da sociedade no processo de Transformação Digital através da Educação e sistemas de ensino, com a doação dos equipamentos usados nos Jogos para a Prefeitura de São Paulo e Governo do Rio, além da doação de tecnologia implementada no Porto Maravilha e Naves do Conhecimento para a Prefeitura do Rio.

CW - O que esperar do mercado brasileiro para este ano, sobretudo considerando as mudanças políticas já em andamento?

Laércio - Ainda enfrentamos muitos desafios políticos e a economia, na melhor das hipóteses parou de ficar ruim, ou seja, continuamos frágeis política e economicamente no Brasil, porém a transformação digital não dá trégua para uma pausa. O mundo está cada vez mais conectado, os consumidores e cidadãos já são digitais. Isso é uma realidade, o que coloca empresas e governos em uma posição onde não há opção, eles precisam se transformar, e no Brasil não é diferente.

As empresas não param, os investimentos em TI continuam, muitas empresas inclusive já balancearam seus budgets aumentando em tecnologia, e seguem com força total na inserção e reinvenção de seus negócios para uma realidade que já e totalmente digital. Com isso, as expectativas são excelentes, continuamos num passo extremamente acelerado na ajuda aos nossos clientes, o que faz com os negócios continuem crescendo. Portanto, as expectativas para o ano continuam muito otimistas

CW - Qual a principal contribuição você espera deixar como executivo de uma das principais empresas de tecnologia do mundo?

Laércio - Na minha fase de vida, o que entusiasma mesmo não é exatamente a tecnologia, mas sim as pessoas. Tecnologia é apenas um meio, as pessoas precisam continuar no foco principal de tudo o que fazemos. Um legado de respeito e admiração é tudo que espero construir com meu trabalho. Um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam felizes e orgulhosas, onde exista um ambiente de confiança mútua e notável, onde teamwork seja uma realidade sentida nas veias, onde exista o senso de pertencimento em uma empresa que transforma a sociedade.

Um legado onde os clientes e executivos do mercado não respeitem apenas a qualidade das soluções que usam, mas que admirem as pessoas e equipes que os auxiliam no dia a dia. A Cisco do Brasil, por questões lógicas, nunca será a maior unidade em receitas do mundo, mas tem como ser a unidade mais respeitada e admirada do mundo, e isso começa quando é a mais respeitada e admirada pelos seus empregados, pelos seus clientes, pelos seus parceiros, e por toda uma sociedade.

CW - Qual o segredo para manter o engajamento de pessoas em meio ao avanço de tecnologias?

Laércio - São tantas as repostas que eu poderia dar aqui, mas tomando como base a própria pergunta, engajar as pessoas em meio ao avanço de tecnologias, só mesmo usando a própria tecnologia! Em um mundo conectado você não pode pedir as pessoas que pensem “fora da caixa” se as coloca dentro uma caixa e exige que a criatividade flua... a tecnologia está aí para mudar isso. Em um mundo ágil, as comunicações têm que ser ágeis. Na Cisco, por exemplo, ninguém pergunta nunca a ninguém “onde você está?”, apenas exige que esteja presente, esteja onde estiver. É o que chamamos de “anywhere office”. todos os funcionários se comunicam o tempo todo por plataformas de colaboração, que incluem mensagerias, voz, vídeos, e tudo que há de mais moderno. Você sai de casa atrasado, começa sua reunião do carro mesmo, na palma da sua mão, interagindo da mesma forma como se estivesse presencialmente.

Novidades do que ocorre com os colaboradores da Cisco ao redor do Brasil são compartilhadas e aplaudidas internamente o tempo todo. Uma sensação incrível de todos conectados com todos o tempo todo; celebramos juntos a cada vitória, compartilhamos e aprendemos juntos a cada desafio, e tantas coisas mais, sempre com o uso de nossas tecnologias avançadas de colaboração.

Além de tudo isso, é essencial ser um líder vulnerável, autêntico e transparente. É preciso tirar os olhos de você mesmo e colocar genuinamente nas outras pessoas, pois quando você faz isso, magic happens.

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