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Inteligência artificial vai roubar nossos empregos?

Guilherme Borini

16/05/2018 às 15h26

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Recentemente, uma das maiores referências em inovação da atualidade, Elon Musk, falou mais uma vez sobre seus receios em relação aos avanços da inteligência artificial (AI). Antes de partir, em março, um dos maiores gênios do nosso tempo, Stephen Hawking, também se manifestou com preocupação sobre o andar do machine learning: “pode ser a melhor ou a pior coisa que já aconteceu à humanidade”.

Opiniões como essas somadas à estranheza causada pelas referências cinematográficas – que vêm automaticamente à nossa mente com flashes de filmes futurísticos, muitas vezes apocalípticos, –, dão um toque de temor ligado à aderência destas tecnologias. É uma nova versão da Revolução Industrial? A inteligência artificial vai roubar o seu, o meu emprego?

O ser humano, desde seus primeiros registros, busca alternativas para aumentar a sua produtividade ao criar ferramentas para ajudá-lo em tarefas que são mecânicas e mantêm um padrão. Por isso, quando consegue resolver uma nova equação neste sentido, o conflito é sempre originado da sensação de “criação superando o criador”.

Analisando a questão por diversas óticas, entendo que a pergunta já não é mais se a IA é uma realidade ou não em nossas vidas. A questão agora é: quais são as oportunidades de negócios e de empregos neste novo mundo que está em desenvolvimento?

Fábio Scopeta, diretor de Engenharia e Inovação da Microsoft LATAM, disse, em aula para a série Trends, do meuSucesso.com, que não é tão claro para as pessoas que o avanço da inteligência artificial tem o intuito de aumentar a capacidade humana e não de substituir o humano.

Já Bruno Bratti, engenheiro-chefe da Wave Computing – uma startup do Vale do Silício especializada em big data e IA – afirmou, na mesma série, que o futuro das companhias em todo o mundo passará por modelos híbridos de trabalho, em que humanos estarão, juntamente com as máquinas, buscando soluções e novas alternativas para consumidores e diversos mercados. Isso significa que a inteligência artificial não tem capacidade de gerar valor por si só, a menos que seja em parceria com a criatividade humana.

Assim como Scopeta e Bratti, acredito que o único caminho para este “admirável mundo novo” é encarar o machine learning como uma realidade, em vez de lutar contra ele. Observamos inúmeros profissionais e companhias perderem oportunidades ao tentar manter o status, baseados em modelos de negócios ou funções obsoletos. Um exemplo recente é o movimento de taxistas no Brasil que tentaram combater novas formas de transporte coletivo. Não é um caso com aplicação de AI, mas ilustra bem a resistência da categoria ao não conseguir deter avanços de novas empresas oferecendo serviços semelhantes a custos menores – e muitas vezes, até com mais qualidade. Isso significa que o tempo investido na resistência foi praticamente inútil.

Obviamente, grandes pensadores como Hawking têm razão em nos alertar sobre os possíveis caminhos da AI no mundo e seus impactos ainda imensuráveis. Porém, para aqueles que não desejam ser levados pela onda do “avanço”, o ideal é observar (e entender) todas estas mudanças com otimismo, abrindo, assim, caminhos para novas ideias e oportunidades que surgirão e que já estão surgindo.

*Leonardo Bossan é diretor da escola digital de negócios meuSucesso.com

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