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5 perguntas para o CEO: Marcel Bakker, da CA Technologies

Guilherme Borini

14/05/2018 às 17h14

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Marcel Bakker completou no último mês o segundo ano à frente da CA Technologies no Brasil. Em abril de 2016, o executivo assumiu o cargo de Laércio Albuquerque, que deixou a fabricante de software para assumir o comando da Cisco no País.

Bakker estava na empresa desde 2014 e, antes da presidência, atuava como vice-presidente de soluções de segurança para a América Latina, além de desempenhar a função de diretor para grandes contas.

O executivo comentou que, se tivesse que definir o momento do Brasil nesses dois últimos anos, certamente usaria o conceito “VUCA”, acrônimo usado para descrever volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

Bakker listou as algumas lições que aprendeu neste ambiente desafiador. Confira na entrevista abaixo, parte da seção 5 perguntas para o CEO.

Computerworld Brasil - Qual foi o principal aprendizado nestes primeiros dois anos à frente da CA?

Marcel Bakker -Se eu tivesse que definir o momento do Brasil, certamente usaria o conceito “VUCA”, acrônimo usado para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) das situações. Durante os últimos dois anos pude aprender algumas lições nesse ambiente desafiador:

O sucesso requer estratégia e execução
É improvável que sua ideia seja inédita, mas isso não é o que mais importa. A originalidade não garante eficiência, segurança, agilidade e experiência. Seja qual for sua estratégia, procure executá-la com empenho, buscando superar as expectativas dos clientes. Quando você oferece além do esperado, a fidelidade é quase automática e essa lealdade mútua permite que você construa uma grande empresa. É muito gratificante.

Esteja preparado para adaptar-se à mudança
A mudança é inevitável, seja em aspectos econômicos, panorama competitivo ou prioridade dos negócios. As empresas que não estão preparadas para se reinventar constantemente, ou as que resistem às tendências globais, estão fadadas ao fracasso – cedo ou tarde. Como presidente, aprendi que é preciso acolher as mudanças e se adaptar à medida que lideramos e direcionamos os negócios.

Abrace e promova a cultura
A cultura de uma empresa é percebida por seus funcionários e clientes e por meio deles também. É importante desenvolver e promover a cultura do negócio de forma consciente, sem esquecer seu diferencial competitivo.

Não tenha medo de falhar
Parece clichê, mas é a mais pura verdade. A confiança do líder afeta toda a empresa, a motivação da equipe e qualidade de seus serviços. Faz parte do nosso trabalho definir a direção e a estratégia da companhia, quase sempre sem garantias do resultado. Se a pessoa no posto mais alto da empresa está insegura, como ficarão os clientes e funcionários?

CW - Como uma fábrica de software pode ser essencial para a transformação digital?

Bakker - É simples. Sem software não há transformação digital. O software está definitivamente no centro dos negócios de todas as empresas, independentemente do setor de atuação. E as empresas que vão prosperar no futuro breve são as que tiverem uma Moderna Fábrica de Software em constante operação. Tenho plena segurança disso.

Mas o que é essa Moderna Fábrica de Software? É a ideia de que toda organização precisa controlar seu processo de criação, desenvolvimento, correção e evolução de suas aplicações. Esse é um trabalho constante, que não pode parar – tal qual o processo fabril que conhecemos para a produção de bens duráveis. O ciclo tem de ser constante, se retroalimentar e aprender sempre, para melhorar sempre.

Além disso, não se pode pensar em apenas uma prática, uma metodologia de trabalho. A integração é fundamental. Por isso falamos tanto de práticas Agile e DevOps, e cada vez falamos mais de DevSecOps. As Modernas Fábricas de Software permitem que áreas de negócio atuem de forma integrada, apresentando soluções para problemas que estão presentes em todos os níveis e unidades de uma companhia. Menos burocracia, mais agilidade, mais simplicidade são essenciais para transformações digitais.

CW - Qual a importância de metodologias ágeis para a condução dos negócios nos dias de hoje?

Bakker - Aprendi que um presidente precisa estar preparado para se adaptar às mudanças de mercado. Isso porque ele precisa conduzir essas adaptações dentro de sua empresa.

A metodologia ágil é uma ferramenta de gestão dessas mudanças de mercado, para que as companhias se adaptem, sem perder tempo e ainda assim façam as decisões corretas para seus negócios. É uma prática que assume que os requisitos iniciais serão alterados, que pode ser aplicada com integração em toda companhia.

Flexibilidade é fundamental para atender à novas demandas e necessidades dos clientes, expectativas dos usuários, mudanças na regulação e criar oportunidades.

E mais importante: é preciso entender que as metodologias ágeis dificilmente terão sucesso se ficarem restritas aos processos de TI. É fundamental que toda a organização conheça, adote e se baseie no Agile, que é uma metodologia para os negócios.

CW - Qual seu grande objetivo, tanto pessoal quanto profissional?

Bakker - Dar significado à transformação. As pessoas atingem o inimaginável por causas em que acreditam, e uma poderosa história de transformação pode reforçar ainda mais seu compromisso. O impacto final depende da disposição do líder de se aproximar pessoalmente dessa transformação, de se envolver com as pessoas abertamente e de reconhecer os êxitos à medida que acontecem. Não há substituto para um presidente que arregaça as mangas e entra de cabeça quando algo de valor significativo, simbólico ou financeiro, está em jogo.

CW - O que um CEO deve fazer para deixar um legado?

Bakker - Ele precisa fazer com que a inclusão e a diversidade estejam no DNA de sua empresa, gerando um ambiente de trabalho único, que respeite e celebre as diferenças e que incentive a cultura da inovação. Assim, a empresa poderá crescer e a gestão do presidente terá significância, não só durante seu tempo na liderança, mas também nos anos seguintes. O CEO realizou um bom trabalho quando a empresa continua a crescer e seus colaboradores se desenvolvem, independente de todas as adversidades econômicas.

Muitos líderes citam qualidades pessoais, como a integridade, honestidade, ética, transparência e senso de justiça como parte do seu legado. Isso tudo é claramente importante, mas para mim é crucial deixar um legado ético da companhia, resultado de um cuidado constante com a qualidade do relacionamento da empresa com a sociedade.

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