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Metodologias ágeis engajam TI da IBM

Rodolfo Linhares, CIO da companhia na América Latina, detalha transformação no modelo de entrega de projetos

Guilherme Borini

02/05/2018 às 13h23

agile
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Atuação em mais de 150 países e acima de 380 mil funcionários. Os números resumem o tamanho de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo: a IBM. Tamanha complexidade e rigidez impedem a velocidade no desenvolvimento de projetos de negócios, certo? Errado. Pelo menos é o que a IBM Brasil vem comprovando há quatro anos.

A empresa implementou projetos de equipes multidisciplinares, baseados em metodologias ágeis, começando pela área de TI, e que hoje já se estendem a setores como RH e Compras. O foco é acabar com silos, distribuir o trabalho para entregas rápidas e dar agilidade para projetos internos liderados pela TI.

Rodolfo Linhares, CIO da IBM Latam, lembra que, em 2013, a área de TI era dividida basicamente por três grupos: transformação, manutenção e arquitetos. Sistema que, segundo ele, funcionou por muito tempo. “Mas não tinha velocidade e estávamos deixando de entregar valor para as áreas de negócios”, comenta o executivo, durante participação no IT Forum 2018, encontro que reúne CIOs e CEOs das 500 maiores empresas do Brasil.

O objetivo era entrar no mundo Agile, com entregas rápidas e continuas. O modelo selecionado como exemplo foi o do Spotify. “Mas, claro, na escala IBM”, pondera. “Montamos pequenos times de sete a dez pessoas, que pudessem fazer funções multidisciplinares do começo ao fim.”

Foram formados os chamados squads, que reúnem profissionais de diversas áreas. Esses grupos ficam abaixo de uma estrutura denominada tribo, que tem, por exemplo, arquitetos de soluções, gerente de projetos etc. “Quem faz a solução é o time squad. Esse movimento com práticas Agile foi feito pensando nas pessoas”, destaca.

Mudança de mindset e engajamento em alta

Linhares usou por diversas vezes a frase “mudança de mindset“. E de fato foram diversas. “Achatamos a organização”, resume. A frase por si só já mostra um desafio: mudar a consolidada estrutura de entrega de projetos para as entregas fracionadas e rápidas. “Tivemos de explicar que não entregaríamos a cada trimestre, mas a cada semana. Vamos quebrar o problema em pequenos pedaços. A jornada foi acontecendo”, lembra.

Segundo o executivo, a área de TI, juntamente com a unidade de Watson, são as duas únicas que cresceram o nível de engajamento dos profissionais. “Saímos de um time que era visto apenas para (gerenciar) Wi-Fi e impressoras para uma área de pessoas engajadas”, comemora, ressaltando que o crescimento do engajamento vem crescendo ano a ano. “É um time que agora se diverte e comemora muito mais.”

A rapidez pode ser traduzida em números. Um projeto que antes demorava 60 dias, em 2015, dois anos depois já era feito em 11 dias. “O sonho para 2018 é levar apenas três dias”, projeta.

Multi-áreas

Linhares cita a área de Recursos Humanos como parceira essencial para a transformação. “O RH começou a mudar a forma de endereçar toda a estratégia na empresa. É uma área importante para disseminar a mensagem”, aponta.

Mas as interações vão além. Ele comentou sobre o processo de preparação da estrutura tecnológica para o início das atividades de um novo colaborador. Ações como instalar um PC, receber telefone e acessos, que antes demorava até 15 dias para setup completo, hoje levam apenas um dia. Isso porque todas as áreas, como RH, Segurança, ativos e gestão patrimonial já estão integradas ao processo. “Sozinho a TI não conseguia”, completa.

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