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Na prática: conheça casos de uso de ciência de dados no setor da saúde

Guilherme Borini

24/04/2018 às 18h36

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Pesquisador do Departamento de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz, Oswaldo Cruz (bisneto do famoso cientista de mesmo nome) tem mais de 30 anos de experiência com análise de dados e os impactos dela na saúde humana.

O executivo comenta que o grupo de computação científica conta com profissionais como médicos, biólogos e físicos, mas todos com mais de uma formação. “Temos um médico com mestrado em matemática, conversamos sobre químicas de proteínas com um físico”, comenta Cruz, que participou na última segunda-feira (23/4) do SingularityU Brasil Summit, em São Paulo (SP).

“Na verdade, ciência de dados já vem sendo usada há muito tempo”, pondera o pesquisador, que lembra que na área de saúde existe uma grande quantidade de sistemas de informações, mas raramente integrados. Um exemplo é o SIHSUS, que conta com mais de 10 milhões de internações ao ano.

A enorme quantidade de dados tem crescido a relevância da atuação da ciência de dados no setor. Segundo pesquisa de Cruz, a base PublMed – que reúne cerca de 90% de todos artigos científicos na área da biomedicina -, soma aproximadamente 400 artigos sobre o tema. Só neste ano o número deve ficar na casa de 200, o que mostra tamanho avanço.

“Infelizmente ainda trabalhamos na saúde com software e equipamentos legados da década de 90. As autoridades não conseguem mudar e os sistemas continuam antigos”, lamenta.

Mas os avanços já estão aparecendo. O executivo cita exemplos práticos.

O primeiro deles é o Info Gripe, iniciativa para monitorar e apresentar níveis de alertas para os casos reportados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no SINAN, Sistema de Informação de Agravos e Notificação, do Ministério da Saúde. Os dados são apresentados por estado e por regiões de vigilância para síndromes gripais. Segundo ele, atualmente o sistema monitora 790 cidades.

Outra iniciativa, realizada em tese de doutorado com o aluno Davi Barroso Alves, é a identificação de padrões de mortalidade no Brasil entre 1979 e 2015.

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No total, são 33 milhões de registros, permitindo a visualização de diversos padrões, como transição epidemiológica. Foram empregadas técnicas de data mining, machine learning e gerados resultados e gráficos para visualização e interpretação dos dados. As informações são separadas por faixa etária e região, e mostra toda a linha do tempo das principais causas de morte no País.

O cruzamento de dados de smartphones e computadores também permite a detecção digital e a vigilância participativa. O projeto consiste em captura de notícias e rumores diários de eventos de saúde pública nas redes sociais e agregadores de notícias. A ferramenta permite a identificação oportuna de alteração do padrão epidemiológico, bem como proporciona informação útil para a prevenção e controle de doenças.

Outra iniciativa destacada por Cruz é o aplicativo Guardiões da Saúde, financiado pela Skoll Global Threats Fund e desenvolvido pela Epitrack. O app fez parte da estratégia de deteção de surtos durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

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