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Saúde digital e a revolução dos aplicativos para pacientes e gestores

Como apps monitoram a saúde de indivíduos, melhoram a qualidade da assistência e ampliam os resultados financeiros das organizações

Ubirajara Maia*

23/04/2018 às 16h51

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A população mundial alcançou 7,6 bilhões em 2017, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Desse total, ao menos cinco bilhões de pessoas possuem smartphones, segundo estudo da entidade global de telefonia móvel GSMA. É o mesmo que dizer que 65,7% dos seres humanos têm em mãos um aparelho que permite baixar e usar aplicativos - que vão desde o popular WhatsApp para trocas de mensagens até o Waze para navegação por satélite. Assim como em todas as áreas da sociedade atual, na Saúde digital os apps estão promovendo uma revolução que permitirá, no futuro, mudar a forma como se pensa e se promove saúde.

Do ponto de vista do paciente, os aplicativos começam a se expandir além do mero guia pessoal para atividades físicas e dietas nutricionais. Esses apps fitness já aparecem nos smartphones lado a lado com softwares mais complexos, que avisam o horário e a dose certa do medicamento ou permitem monitorar sinais vitais em pacientes com doenças crônicas, por exemplo. A revolução que eles promovem está em colocar o paciente como um dos principais agentes do cuidado com sua própria saúde - responsabilidade que deixa de ser delegada apenas ao médico. Recebendo detalhes sobre seus hábitos e estilo de vida praticamente todos os dias, o indivíduo é estimulado a fazer escolhas mais saudáveis para evitar que doenças se agravem ou mesmo se manifestem, ampliando a qualidade de vida.

Muitas organizações de Saúde também perceberam o potencial dos apps para o relacionamento com o cliente, o monitoramento da saúde e o auxílio na gestão de processos do cotidiano. Há inúmeros exemplos, desde aqueles que permitem agendamento on-line de consultas e exames, até software para registrar a chegada no estabelecimento com um clique, inspirado nos check-ins das companhias aéreas.

Para as instituições, os aplicativos representam mais que acessórios de acompanhamento da saúde. Os dados gerados por eles são como um tesouro a ser desvendado, desde que sejam utilizadas as ferramentas corretas. Mas, para promover a revolução da Saúde digital que tanto ouvimos falar, os apps precisam ser integrados aos demais sistemas de gestão, como o Enterprise Resource Planning (ERP), o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) e os Sistemas de Informação em Radiologia (Radiology Information System – RIS), permitindo aos gestores enxergar o mapa completo e, assim, cruzar os dados e ter insights de negócios para oferecer não só uma assistência com mais qualidade, mas também mudar a forma como a Saúde funciona.

Em um futuro conectado por apps, médicos acompanharão os pacientes de qualquer lugar do mundo, por meio de smartphones, tablets e computadores. Com mudanças na legislação em telemedicina, consultas e procedimentos simples poderão ser realizados sem que profissional e cliente estejam no mesmo lugar físico. Não haverá barreiras para a chegada da assistência - o que amplia o acesso sem, no entanto, encarecer os serviços.

Os apps, pelo contrário, poderão ajudar as instituições a reduzir custos. Uma forma de fazer isso é pelo estímulo à prática das medicinas preventiva e preditiva - que se baseiam em análises realizadas por meio de informações clínicas já existentes sobre o paciente e seu estilo de vida, permitindo identificar possíveis riscos à saúde. As informações colhidas por esses dispositivos também auxiliam na resolução de gargalos como o tempo de espera por atendimento, redução de filas e otimização de processos.

Com o desenvolvimento da Saúde digital, aplicativos com inteligência artificial servirão de apoio para a tomada de decisão por parte do médico, trazendo mais assertividade para os diagnósticos. E nem precisamos ir muito longe: com a interface de programação do Watson, plataforma de computação cognitiva da IBM, incorporada ao PEP, pode-se usar o prontuário clássico (em textos livres) para preenchimento de formulários, além de um chatbot na ferramenta de Business Intelligence (BI) que permite que gestores de instituições de Saúde tenham respostas automáticas sobre quantidade de leitos ocupados, cirurgias agendadas, comparativo de faturamento por convênio, faturamento mensal da instituição de Saúde, entre outros - tudo em seus smartphones e conectados aos sistemas.

Agora é a hora de pacientes e gestores usarem os aplicativos - que já existem e que estão por surgir - para ampliar ainda mais essa revolução em Saúde digital. As possibilidades são infinitas, mas o objetivo maior é o mesmo: ampliar a qualidade de vida da maioria dos 7,6 bilhões de habitantes do mundo.

*Ubirajara Maia é diretor corporativo de sistemas da MV