Home  >  Inovação

5 inovações que mudarão o mundo nos próximos 5 anos, segundo a IBM

Inteligência artificial, blockchain e computação quântica estão na rota das tendências estudadas pela companhia

Guilherme Borini

20/03/2018 às 9h41

5 in 5 IBM
Foto:

A IBM deu o pontapé inicial do seu principal evento anual, o Think, realizado nesta semana, em Las Vegas (EUA), mostrando sua visão de futuro. Pesquisadores do IBM Research, unidade de pesquisas da companhia, apresentaram cinco inovações que, para a empresa, vão moldar o mundo nos próximos cinco anos.

O "5 em 5" traz previsões baseadas em três fortes áreas de atuação da Big Blue - inteligência artificial (AI, na sigla em inglês), blockchain e computação quântica. Para cada tendência, um pesquisador do IBM Research foi chamado ao palco para dar breve descrição.

"As tendências refletem as pesquisas que temos feito. A IBM está investindo nas tecnologias que prometem mudar o mundo", destacou Arvind Krishna, diretor de pesquisas da Big Blue, que abriu a apresentação.

'Cripto-âncoras' e blockchain contra fraudes

O primeiro encarregado de explicar a visão da IBM foi Andreas Kind, gerente da indústria de plataformas e blockchain, que defendeu a necessidade de autenticidade para produtos, o que a plataforma de blockchain pode resolver.

O executivo citou o exemplo de um carro com defeito, que, quando necessita de peça de reposição, sempre deixa a dúvida para os consumidores: a peça de fato é real ou estamos sendo enganados pelo "mercado paralelo"?

Por isso, o executivo afirmou que a confiança precisa chegar ao mundo real e deixar de ser algo apenas digital. O blockchain, no caso, consegue rastrear com segurança e confiabilidade toda a cadeia de produção.

Para a IBM, nos próximos cinco anos, as tecnologias de "cripto-âncoras" e de blockchain garantirão a autenticidade de um produto - desde o ponto de origem até as mãos do cliente.

Outro exemplo citado pelo executivo é da área de saúde/farmacêutica. Em alguns países, quase 70% dos medicamentos que salvam vidas são falsificados, e as cadeias de abastecimento complexas - compostas por dezenas de fornecedores em vários países - dificultam a prevenção de adulteração.

"A tecnologia blockchain é considerada o futuro das transações digitais, infundindo confiança, eficiência e transparência nas cadeias de suprimentos. Mas o blockchain sozinho não pode garantir a autenticidade dos bens físicos", diz.

Por isso, os pesquisadores da IBM estão desenvolvendo cripto-âncoras, impressões digitais invioláveis, para incorporar produtos ligados ao blockchain. Essas impressões digitais podem assumir várias formas, como pequenos computadores ou códigos ópticos, mas quando estão ligados a um blockchain, representam um poderoso meio de provar a autenticidade.

Os primeiros modelos devem ser disponibilizados aos clientes nos próximos 18 meses.

Criptografia lattice

Hackers seguirão atuando, mas até encontrarem a criptografia em rede, ou criptografia lattice, como a empresa define.

A escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos avançam todos os anos, assim como as defesas. Em cinco anos, novos métodos de ataque farão com que as medidas de segurança de hoje sejam inadequadas, prevê a companhia.

A pesquisadora Cecilia Boschini comentou que a IBM está desenvolvendo sistemas baseados em modelos matemáticos para resolver problemas de segurança da próxima geração.

A empresa destaca que quase 4 bilhões de registros de dados foram roubados em 2016 - cada um custou ao detentor de registro cerca de US$ 158. Hoje, os arquivos são criptografados enquanto estão em trânsito e em repouso, mas descriptografados durante o uso. Isso permite que os hackers vejam ou roubem arquivos não criptografados. 

Por exemplo, daqui a muitos anos um computador quântico tolerante a falhas com milhões de qubits poderia detectar rapidamente as probabilidades e decifrar até mesmo a criptografia comum mais forte, tornando obsoleta essa metodologia de segurança.

Os pesquisadores da IBM estão desenvolvendo um novo método de segurança construído em uma arquitetura conhecida como criptografia de rede, ou lattice, que esconde dados dentro de modelos de matemática complexos (estruturas algébricas). A dificuldade em resolver esses problemas de matemática é útil para os criptógrafos, porque eles podem aplicar essa dificuldade para proteger a informação, mesmo quando os computadores quânticos são suficientemente fortes para quebrar as técnicas de criptografia atuais.

Microscópios com AI para salvar os oceanos

Microscópios com robôs empoderados por AI podem salvar os oceanos. É o que acredita o pesquisador Tom Zimmerman, que afirma que, em cinco anos, pequenos microscópios autônomos de AI, conectados em rede e implantados em todo o mundo, vão monitorar continuamente a condição do recurso natural mais crítico para nossa sobrevivência: a água.

Zimmerman fez questão de destacar seu histórico de curiosidade e invenções para explicar o projeto que lidera no IBM Research. Ele lembra que, na sua infância, gostava de desmontar equipamentos - como TVs - para usar para outras aplicações. É o mesmo conceito que tem feito em seu projeto, mas agora com muito mais impacto e não apenas diversão.

Ele destaca que cientistas lutam para coletar e analisar até mesmo os dados mais fundamentais sobre as condições em tempo real dos oceanos, lagos e rios. Existem sensores especializados que podem ser implantados para detectar substâncias químicas e condições específicas na água, mas faltam nocivos, como espécies invasoras ou a introdução de novos produtos químicos.

O plâncton, conjunto de organismos que não tem movimentos suficientes para contrariar as correntes, no entanto, é natural, e, mesmo pequenas mudanças na qualidade da água afetam seu comportamento. Eles também formam a base da cadeia alimentar oceânica, que serve como a principal fonte de proteína para mais de um bilhão de pessoas. No entanto, sabe-se muito pouco como o plâncton se comporta em seu habitat natural, porque estudá-los normalmente requer colecionar amostras e enviá-las para um laboratório.

A IBM está construindo pequenos microscópios autônomos que podem ser colocados em corpos de água para monitorar plânctons, identificando diferentes espécies e rastreando seus movimentos em três dimensões. 

No futuro, segundo Zimmerman, microscópios serão equipados com tecnologias de AI para analisar e interpretar os dados localmente, reportando quaisquer anormalidades em tempo real para que possam ser atuadas imediatamente.

Segundo o pesquisador, é possível usar tecnologias como de reconhecimento facial para reconhecer comportamento das espécies. É de fato desmontar uma tecnologia e usar para outro propósito, como Zimmerman fazia em sua infância.

Ética em AI

Como lidar com sistemas e algoritmos de AI tendenciosos? É o que Francesca Rossi, líder global de ética em AI, busca entender.

A empresa acredita que, dentro de cinco anos, o número de sistemas e algoritmos de AI tendenciosos aumentará. Mas é preciso lidar com eles em conformidade - com novas soluções para controlar o viés na AI e defender os sistemas.

Ela destacou que, em seus longos 30 anos de trabalho com inteligência artificial, ficou por muito tempo sem assistir conferências com esse tipo de discussão. "O foco era apenas em fazer máquinas mais inteligentes, mas sem discussões sobre os impactos nas pessoas, cultura e sociedade", lembrou.

Agora, segundo ela, a discussão é multidisciplinar, envolvendo profissionais como sociólogos, economistas, educadores etc, o que ajuda de fato a avançar em tecnologias de AI.

Para Francesca, um princípio crucial, tanto para humanos como para máquinas, é evitar o viés e, portanto, é preciso evitar a discriminação. Identificar e mitigar o viés em sistemas AI é essencial para criar confiança entre humanos e máquinas que aprendem. 

Computação quântica

Para a IBM, computação quântica será uma grande tendência daqui a cinco anos. Neste período, os efeitos desta tecnologia irão além do laboratório de pesquisa e ela será amplamente utilizada por novas categorias de profissionais e desenvolvedores que procuram esse método emergente de computação para resolver problemas até então considerados insolúveis.

A pesquisadora Talita Gershon destaca que não somente cursos de física - como ocorre atualmente em alguns casos - terão aulas baseadas em computação quântica, mas também outras áreas, como ciência da computação e química. A tecnologia estará profundamente inserida em uma variedade de currículos, e aprender sobre isso será um pré-requisito para diversos profissionais.

Para ela, no futuro, os computadores quantum não serão mais vistos como misteriosos. O público em geral adotará essa nova era, já que nossa compreensão coletiva da computação quântica continua a crescer e a tocar todas as indústrias e todas as instituições educacionais. Essa explosão no conhecimento público geral ajudará a iniciar o início da era quântica comercial.

Em cinco anos, a indústria descobrirá as primeiras aplicações em que um computador quântico oferecerá de benefício para resolver problemas específicos. Uma vantagem clara será concedida aos primeiros usuários dessa nova era.

O projeto da IBM para inclusão de computação quântica em universidades já conta com 150 instituições e é uma das apostas da companhia para popularizar a tecnologia.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da IBM

Tags