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7 histórias inspiradoras de mulheres brasileiras em TI

Executivas compartilharam suas trajetórias e falaram sobre desafios e oportunidades nas áreas

Déborah Oliveira

07/02/2018 às 11h39

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Quantas mulheres você vê na TI nas empresas que conhece? Poucas, não é? Mas no evento Por um Planeta 50-50: mulheres e meninas na ciência e tecnologia, realizado pela Serasa Experian em parceria com a ONU Mulheres, elas estavam em peso e compartilharam histórias sobre suas carreiras, que podem servir de inspiração para profissionais de hoje e do futuro, e suas contribuições para uma TI com mais força de trabalho feminina. A maioria traz um enredo comum: preconceito e dúvidas. Mas a superação é, sem dúvidas, o destaque. Acompanhe abaixo.

Elaine Matos, gerente de Produto da Dow para América Latina e líder da Rede de Diversidade African-American Network (AAN)
“Represento um case de diversidade na empresa”, sintetizou Elaine, afirmando que tinha tudo para ser o contrário, por carregar muitos dos esteriótipos alimentados pela sociedade. “Tenho 34 anos, sou negra, filha de nordestinos e não sou formada em ciência da computação e, sim, em administração”, contou.

A executiva, que há 16 anos trabalha na Dow, uniu-se à luta pela diversidade, bandeira empunhada há anos pela empresa do setor químico. “Quando olhamos para as lideranças, temos 33% de mulheres e somente duas líderes negras. Aí veio a necessidade de criar a rede African American, grupo de empoderamento de mulheres negras, da qual represento há dois anos, trabalhando com ações afirmativas”, comentou.

Para ela, o pensamento mais perigoso é “sempre fizemos assim”. A executiva alerta que é preciso quebrar as regras e mudar o cenário. “Temos de trabalhar a questão das mulheres, acreditar que podemos exercer o cargo que nós quisermos”, afirmou.

Flavia Roberta Silvia, gerente de Projetos da IBM
Flavia cita a avó, que era da Marinha, e ainda seu pai, considerado por ela um verdadeiro ‘nerd’, como seus grandes exemplos e incentivadores do seu ingresso na tecnologia. “Tinha dez anos, quando meu pai me deu um TK 90, microcomputador lançado em 1985. Aquilo foi um sonho”, lembrou.

Anos depois, ela ingressou na Fatec e formou-se em Ciência da Computação. Em seguida, veio a oportunidade de trabalhar na IBM, onde está há 22 anos. “A IBM sempre levantou a bandeira da diversidade. Eu, como negra, me identifiquei”, contou.

Mas nem tudo foram flores em sua trajetória. “Perdi noites de sono, comecei a tomar portas na cara. Mas conheci o mundo pela IBM e gerenciei projetos internacionais. Casei e engravidei. Em três meses, obitive certificações em tempo recorde, com planejamento e foco. Fique grávida de novo, mas isso me custou, pois tive depressão pós-parto no retorno”, listou ela.

São altos e baixos que fazem parte da carreira de muitas pessoas, reconheceu. “Tem momento de glória, mas tem muito rock and roll. E é assim que nos fortalecemos. Não temos ideia de onde podemos ir, imaginamos uma história e os caminhos vão mudando. É preciso centrar, parar e pensar”, observou. Como recomendação, Flavia sugere que as mulheres estejam sempre prontas e invistam pesado no networking, pois ele faz a diferença.

Renata de Biasi, engenheira eletricista da Divisão de Programação e Estatística (OPSP.DT) da Itaipu
Filha de engenheiro, Renata desde criança teve o apoio dos pais para seguir a carreira. Depois de fazer um curso técnico, em seguida, graduou-se em engenharia, em que afirma ter conhecido professores inspiradores.

Há 20 anos atuando como engenheira em Itaipu, por boa parte deles, ela foi a única mulher da área. Hoje, o cenário mudou. “Há mulheres, mas em minha equipe sou a única.” Ela relata não ter sentido preconceito. “Ao contrário, os homens do departamento sempre me ensinaram muito. Nunca me senti diferente por ser mulher. Claro que tem dificuldades, mas isso faz parte da carreira de todas as pessoas.”

Segundo ela, o segredo para se desenvolver é não esperar. “Temos de ir atrás das oportunidades e agarrar as que aparecem”, recomendou.

Regina Acher, cofundadora da Laboratoria
O Dia das Mulheres em Ciência e Tecnologia nunca foi tão importante. Essa é a opinião de Regina. “Quando falamos da qualificação das mulheres não dá para falar só da igualdade, mas especialmente sobre diversidade de pensamento da indústria, além do impacto social”, afirmou ela.

Regina queria fazer a diferença na vida de meninas e mulheres e incentivá-las a seguir carreira em TI. Assim, quando conheceu uma das fundadoras do Laboratoria, ONG peruana que capacita mulheres para a área de tecnologia, decidiu trazer a ideia para o Brasil.

Em abril de 2018, a Laboratoria capacitará sua primeira turma em São Paulo, desenvolvendo 60 meninas. A ideia é replicar o modelo de sucesso da ação na América Latina, que formou 560 alunas nos últimos três anos.

Sueli Nascimento, gerente de Produtos e líder da Rede Mulheres da SAP
Quando criança, Sueli queria ter uma Rosie, a governanta dos Jetsons. “Meu irmão se formou em engenharia e foi para a IBM. Vi ali uma chance de ter a minha robô”, brincou.

Foi quando ela teve o primeiro contato com a computação, com o microcomputador TK 85. “Me apaixonei e percebi que eu poderia ajudar o mundo todo. Já com 17 anos sonhava em ajudar o mundo a rodar melhor e a melhorar a vida das pessoas”, contou.

Ana Lucia Salmeron, diretora de Healthcare & Hotels Segment da Schneider Electric para América Latina
Engenheira eletrônica há 30 anos, Ana sempre trabalhou na área técnica. A influência do pai engenheiro contribuiu para esse cenário. “Meu pai foi um excelente exemplo. Eu queria ganhar bem e ser bem-sucedida. Como gostava muito de matemática e física, ciência da computação foi um caminho natural”, relatou.

Para ela, o difícil é relativo e ao longo da sua carreira entendeu que não há problemas em entregar projetos não-perfeitos. “Sempre busquei a perfeição e muitas vezes isso faz com que nós mulheres evitemos entrar em situações para não falhar. A mania de fazer tudo perfeito da primeira vez nos impede de crescer, sendo que 80% é sensacional, depois vêm os ajustes”, aconselhou.

Apesar da história bem-sucedida, Ana lembra que já pensou, sim, em desistir da carreira. “Depois de ter meu primeiro filho, quis largar tudo, mas minha família me segurou. No segundo filho nem pensei nisso. Passados 30 anos de carreira, foi fácil? Foi, afinal, vida bem vivida é fácil.”

Rejane Jardim, gerente de Projeto da White Martins
Há 13 anos na White Martins, multinacional brasileira que atua no mercado de fabricação de gases industriais, Rejane convivia com os números desde cedo. Afinal, seu pai era comerciante e os cálculos faziam parte da rotina. “Quando cresci, sabia que queria cursar engenharia, mas me sentia sozinha, não sabia qual caminho seguir”, lembrou.

Foi quando, então, no colégio, o professor de Química convidou um colega engenheiro químico para palestrar para os alunos. Ele a encantou com a profissão e a fez tomar a decisião de seguir essa trilha. Veio o vestibular e o resultado foi o ingresso em duas universidades públicas, fora da sua cidade, no interior do Rio de Janeiro.

“Na Rodoviária, vi minha mãe chorando. A abracei e disse que tudo daria certo”, lembrou. O aprendizado que Rejane tira desse momento foi que é preciso liderar seu futuro. “Desenvolva suas habilidades. Pensei que voltar não era opção, então fui fazer um estágio em automação industrial. Formei-me em 2000, fui efetivada nessa empresa. Mas os líderes tomavam algumas atitudes que eu não concordava. Então saí. Isso me fez pensar que não se pode deixar ninguém tomar uma decisão por você. Só você sabe onde quer chegar”, finaliza.