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6 perguntas que a Intel ainda precisa responder sobre Spectre e Meltdown

Guilherme Borini

29/01/2018 às 9h05

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O CEO da Intel, Brian Krzanich, revelou nesta semana para investidores que a empresa planeja lançar ainda em 2018 chips com mitigações embutidas contra as vulnerabilidades Spectre e Meltdown - uma afirmação que, na verdade, levanta mais perguntas do que traz respostas.

Para a Intel, essa é realmente uma situação no estilo do livro ‘Um Conto de Duas Cidades’. Isso porque a empresa registrou recentemente o melhor trimestre da sua história, com a receita no quarto trimestre de 2017 tendo atingido a marca de 17,1 bilhões de dólares, valor 4% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Mas a Intel também tem sido a face das falhas Spectre e Meltdown, que atingem basicamente todos os processadores do mercado de PCs e servidores.

Por que isso importa

A Intel tem estado ocupada trabalhando com fabricantes de PCs e sistemas como Microsoft para liberar microcódigos que incluam as chamadas mitigações, atualizações do microcódigo com patches para as vulnerabilidades. Mas nem isso deu muito certo: a Intel aconselhou os usuários finais a pararem de aplicar os patches após alguns sistemas enfrentarem problemas inesperados de reinicialização. Agora, a empresa revelou que está trabalhando em uma solução mais permanente, mas o impacto sobre os consumidores ainda não está claro.

Prioridade

“Segurança é uma prioridade para a Intel, fundamental para os nossos produtos, e é crítica para a nossa estratégia centrada em dados”, afirmou o CEO da companhia em uma call com investidores. “Nosso focos em curto prazo é entregar mitigações de alta qualidade para proteger a infraestrutura dos nossos consumidores desses exploits. Estamos trabalhando para criar mudanças baseadas no silício para produtos futuros, que corrigirão diretamente as ameaças Spectre e Meltdown no hardware. E esses produtos começarão a chegar ao mercado no decorrer deste ano.”

A divisão de Client Computing Group, da Intel, registrou uma queda de 2% nas vendas para 9 bilhões de dólares. A receita com notebooks ficou estável, enquanto que as vendas relacionadas a PCs desktops caíram 8%.

Krzanich voltou a destacar que as falhas em questão não afetarão vendas futuras da companhia. “Posso dizer para vocês, no mais alto nível, que não veremos muita mudança nas previsões por conta disso”, afirmou o executivo sobre a descoberta das vulnerabilidades, que aconteceu no início de 2018. “Designei algumas das melhores mentes da Intel para trabalhar nisso.”

6 perguntas que a Intel precisa responder

Apesar dessas revelações do executivo, perguntas importantes sobre a solução no hardware prometida pela Intel ainda ficaram sem respostas, tanto para os usuários finais quanto para os clientes corporativos.

Confira abaixo essas questões e nossas suposições sobre quais seriam as respostas para cada uma delas.

1- Quando exatamente essas soluções no silício estarão disponíveis?

O que achamos: final de 2018. Com em roadmaps vazados de produtos, isso provavelmente significaria o “Cascade Lake-X”, de 14 nanômetros, assim como possivelmente o “Cannon Lake”, de 10 nanômetros.

Mas o analista de mercado da Moor Insights, Patrick Moorhead, discorda dessa data. “Acredito que essas mitigações já estejam embutidas (nos chips novos) ou veríamos um atraso de um ano no lançamento dos novos chips”, afirmou. Então, sim, é possível que chips que chegam antes ao mercado, como o Coffee Lake-S, já contem com essas soluções.

2- Essas soluções resolverão as vulnerabilidades Spectre e Meltdown?

O que achamos: Apenas a Meltdown. Como já falamos em nossos especial sobre as falhas, a Meltdown afeta mais fortemente os processadores da Intel por causa da maneira agressiva como esses chips lidam com a execução especulativa. A Spectre parece exigir um redesign mais fundamental.

3- As mitigações vão ser aplicadas apenas a novos produtos?

O que achamos: apenas novos microprocessadores para PCs, apesar da Intel potencial poder refazer chips existentes, especialmente para servidores na nuvem. Fazer isso, no entanto, poderia abrir a possibilidade para um recall de verdade, algo que a Intel parece não estar indicando como parte da sua abordagem “tudo está bem”.

4- Qual efeito essas mitigações terão no chip em si?

O que achamos: sempre que você adiciona lógica a uma CPU, e aumenta fisicamente o seu tamanho, o custo também é afetado. Mas não está claro se a Intel precisará adicionar blocos lógicos dedicados ou apenas reestruturar o chip. Caso haja custos adicionais que possam aumentar os preços, a Intel provavelmente terá de arcar com eles.

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5- Como a performance será afetada?

O que achamos: a única orientação que temos é que os nossos testes mostraram: pouco efeito em benchmarks dependentes de CPU, mas quedas maiores em testes mais amplos de desempenho de sistema.

6- Os chips com essas mitigações embutidas vão impulsionar as vendas de PCs?

O que achamos: nos PCs para consumidores finais, provavelmente não. Nas empresas, é mais provável que a novidade seja vista como um ponto de venda. As companhias não querem o risco de ficarem expostas a processos, e qualquer vendedor de PCs esperto irá lembrá-las disso. Os usuários finais provavelmente apenas vão aprender a lidar com possíveis quedas de performance por conta dos patches e a ausência de GPUs disponíveis.

“Penso que podemos ver uma demanda um pouco maior para servidores, mas não para PCs, já que não acredito que muitas pessoas perceberão queda no desempenho”, aponta Moorhead.

Agora resta esperar que a Intel comece a detalhar melhor os seus planos para a nova solução contra as falhas Spectre e Meltdown.

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