Home  >  Segurança

Citrix reforça segurança para habilitar um trabalho cada vez mais móvel

Para Luis Banhara, country manager para o Brasil, há uma quebra de paradigma onde empresas devem trabalhar a segurança de seus dados ao focar no usuário e não no dispositivo

Carla Matsu*

07/06/2017 às 13h52

ctsynergy-625.jpg
Foto:

No universo corporativo, há algo que constantemente tira o sono de CIOs e do departamento de TI de forma geral: a segurança de dados e aplicações. À sombra de mega ataques como o WannaCry e de crescentes e sofisticadas ciberameaças, companhias têm sido alertadas para atuarem de forma mais proativa.

Empresas B2B têm se atentado e agilizado para atender o mercado em ascensão. De acordo com o relatório Cybersecurity Market Report, de 2017 a 2021, a previsão é que sejam investidos mundialmente US$ 1 trilhão em soluções de segurança. Uma das companhias que têm levantado a voz entre o tema é a norte-americana Citrix.

A forma como clientes a descrevem depende muito de quais dos produtos eles contratam. Trata-se de uma empresa de virtualização do desktop e de aplicações; uma empresa de network, de compartilhamento seguro de arquivos, de serviços de nuvem; uma empresa de gerenciamento de mobilidade ou de Software como Serviço (SaaS). No final das contas, a companhia soma a tudo isso e, agora, trabalha para juntar todas as peças de um quebra cabeça que visa colocá-lo como o ponto focal do que chama de "workspace" do futuro.

Em evento anual sediado em Orlando, Flórida, em maio último, a Citrix reuniu nomes de peso para discutir o futuro do trabalho e a segurança do mesmo, incluindo aí o jornalista e autor best-seller Malcolm Gladwell e o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell. Durante os três dias do Citrix Synergy, a fabricante ressaltou os últimos esforços para segurar a área de trabalho, algo que também estende às parcerias estratégicas com a Microsoft, Cisco, HPE, Nutanix e a adoção de tecnologias emergentes como inteligência artificial e aprendizado de máquina.

Em seu keynote, o CEO Kirill Tatarinov ressaltou que a Citrix caminha "para se tornar uma verdadeira ponte de segurança para as empresas, muito mais do que no passado". Luis Banhara, Country Manager da Citrix Brasil, é mais categórico: “Nós somos uma empresa de segurança”, ressalta em entrevista exclusiva à Computerworld Brasil.

“Com base em todo desenvolvimento que temos, em quase 30 anos, com todas as informações que temos, conseguimos nos posicionar como uma empresa de segurança, onde a nossa base é fazer o desenvolvimento, trabalhar a aplicação, dados e a rede de comunicação, todos de forma segura”, completa.

A ideia de que o futuro do trabalho será cada vez mais móvel, onde uma nova geração de funcionários será incentivada a fazê-lo de forma remota ou ainda levando seus próprios dispositivos (BYOD), exige novas camadas de segurança. Mas ao invés de aumentar investimentos em soluções tradicionais como antivírus, para Banhara, trata-se de focar no elo mais sensível da cadeia da segurança da informação, o próprio usuário.

"Com toda essa transformação digital que está acontecendo, o nível de sofisficação que precisa existir é muito grande. E, ao invés de focar no dispositivo, eu vou focar no usuário. Ou seja, ao invés de tornar seguro o dispositivo, eu tornarei seguro o usuário", explica.

Dito isso, a companhia recorreu à inteligência artificial e análise preditiva para entregar uma solução que consiga também automatizar o trabalho de gerentes de TI, algo que Calvin Hsu, vice-presidente de marketing de produto, brinca se tratar de um paliativo para gerentes de TI poderem dormir tranquilamente.

Durante o Citrix Synergy, a companhia lançou a Citrix Analytics, plataforma de segurança e analytics entregue através da Citrix Cloud. A solução coleta e analisa dados a partir dos produtos Citrix, incluindo o XenApp, XenDesktop, XenMobile, ShareFile e NetScaler e ao se beneficiar da inteligência artificial e machine learning, consegue identificar de forma mais rápida e automatizada anomalias nos padrões de segurança. É possível visualizar e contextualizar como dados estão sendo transmitidos e se há violação nas proteções. Se o recurso identificar uma ameaça, como o aumento no download de dados, ele poderá colocar o usuário em questão em quarentena ou mesmo bloqueá-lo.

"Criamos uma espécie de bolha para o acesso do usuário, onde todas as aplicações foram testadas e nenhum agente externo pode entrar. Há muita quebra de paradigma para acontecer e para o bem ou para o mal, ameaças como o WannaCry fazem com que as empresas acelerem este processo", diz Banhara. 

Já a Citrix Workspace Service, também anunciada nesta edição do Synergy, foca na experiência do usuário para entregar uma plataforma que unifica o acesso e melhora a gestão de aplicativos, produtos SaaS, aplicações web e Windows, documentos, dados e fluxo de trabalho em um único painel. A partir dele, usuários conseguem, por exemplo, criar, editar e colaborar em documentos online do Microsoft Office 365 de onde estiverem.

Parcerias estratégicas

No início do ano passado, a Citrix anunciou a extensão de sua parceria global com a Microsoft ao definir preferência pela nuvem Azure para a entrega de serviços habilitados na Citrix Cloud, incluindo aí os XenApp e XenDesktop Essentials. Com a parceria, clientes podem adquirir produtos da Citrix diretamente do marketplace da Azure via modelo de assinatura, uma facilidade que segundo a Citrix rendeu resultados animadores tendo em vista que o XenApp e XenDesktop ficaram entre os downloads mais populares da loja de aplicativos da nuvem da Microsoft.

Outro trabalho em conjunto diz respeito a otimização do Skype for Business em ambientes virtualizados através do XenApp e XenDesktop. Com isso, a aplicação pode ser rodada em uma maior variedade de dispositivos, incluindo aí Chromebooks Google. Agora, as duas companhias se preparam para lançar até o final deste o Citrix Secure Browser Essentials desenvolvido na Azure. Trata-se de uma oferta baseada em nuvem para acesso remoto e seguro à internet que isola a navegação do usuário final das redes corporativas.

A companhia também lançou em janeiro deste ano o Citrix HCI Workspace Appliance Program. A iniciativa, que tem como parceiros a HPE, Citrix e Nutanix, habilitará aplicações de infraestrutura hiperconvergente (HCI) ao se conectar com a Citrix Cloud e automatizar a manutenção de aplicações. Em resumo, soluções HCI ajudam a reduzir a complexidade e custos de hardware e armazenamento, em particular para o mercado de médias empresas. A HPE foi a primeira a mostrar resultados da parceria com a solução Edgeline EL4000 Intelligent Edge Workspace, lançada recentemente.

Virtualizar ou não virtualizar, eis a conta

Em tempos de orçamentos cada vez mais enxutos, muitas empresas têm incentivado o trabalho remoto para reduzir custos de suas operações. Mas, em contrapartida, optar pela virtualização também requer investimentos. A pergunta que fica é se, no final do dia, a conta fecha.

"Os orçamentos estão mais restritos e uma das razões pelas quais estamos nos posicionando como uma empresa de segurança é porque os orçamentos em segurança e para uma área de trabalho segura não estão tão apertados uma vez que as pessoas entendem que é preciso investir nessa área", explica Orestes Melgarejo, gerente sênior de produto e parcerias da Citrix. "Pensamos que é um bom ângulo para CIOs e no que diz respeito à virtualização, é uma ótima maneira de abordar o problema porque você reduz a superfície de ataque e consegue manter dados corporativos e aplicações críticas dentro das paredes apropriadas, atrás do firewall onde você pode ser protegido muito mais facilmente do que em um ambiente de trabalho mais distribuído", completa.

Luis Banhara também reafirma que agora a "tal conta" fecha. Isso porque ao virtualizar a área de trabalho e os servidores, empresas e organizações ganham o benefício de compartilhar e estender a vida útil de máquinas.

"No passado, o conceito de virtualização era um conceito que as pessoas e empresas gostavam. Técnicos diziam que queriam colocar para todos os usuários, mas a conta não fechava. Hoje a conta fecha", diz o executivo que dá como exemplo o projeto da Universidade de São Paulo (USP), a Nuvem USP, que em 2013 ganhou o prêmio Citrix Innovation Award.

A universidade adotou a Citrix CloudPlatform para criar uma nuvem privada de arquitetura flexível, que conseguiu facilitar o monitoramento e o gerenciamento dos servidores, o controle dos backups e o dimensionamento da necessidade de processamento e armazenamento de cada unidade, eliminando gastos com equipamentos que ficariam ociosos.

Segundo a universidade, o projeto custou cerca de R$ 200 milhões, mas prevê grande economia a longo prazo uma vez que reduz a necessidade de gastos com compra de equipamentos, manutenção, consumo de energia elétrica e de água, além de investimentos em segurança patrimonial, espaço físico e recursos humanos.

"Para viabilizar isso eu terei de fazer investimento no data center, pois alguém vai ter que executar todas essas aplicações. Mas por outro lado você investe em um lugar muito mais seguro", compara Banhara salientando que focar na segurança nos moldes tradicionais, como investimentos em soluções de antivírus, é, entre outras palavras, como "secar gelo".

"Nós fizemos uma pesquisa onde 74% dos gestores de TI entrevistados dizem que eles precisam de um novo framework de segurança, porque se eu continuar pensando nesses múltiplos acessos e no dispositivo, na hora que entrar a Internet das Coisas, você vai perder a conta do número de dispositivos", prevê o executivo.

Nesse cenário, diz Banhara, gestores vão "morrer loucos" com soluções tradicionais em um universo onde a arquitetura da transformação digital, que fornece a flexibilidade de trabalhar em qualquer dispositivo em qualquer lugar, exige não ser afetada pelas vulnerabilidades do mundo antigo.

*Jornalista participou do Citrix Synergy 2017 à convite da Citrix Brasil

Deixe uma resposta