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Desafios para implementação de redes definidas por software

Erivelto Tadeu

28/04/2017 às 17h10

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No processo de transição para redes definidas por software, muitas vezes ouço um diálogo comum em salas de reunião nos países latino-americanos — e, possivelmente, no mundo todo. Algo como: “Estou animado com esse projeto e com as vantagens que pudemos vislumbrar, mas como vamos, de fato, fazer isso?”

O crescente interesse na adoção de software é real e já bem provado. Segundo a IDC, o mercado mundial de redes definidas por software (SDN) — que compreende infraestrutura de rede física, software de virtualização e controle, aplicativos de SDN e serviços profissionais — terá uma taxa de crescimento médio anual composto (CAGR, na sigla em inglês) de 53,9% entre 2014 e 2020 e valerá cerca de US$ 12,5 bilhões em 2020.

O que é frequentemente menos discutido, no entanto, é a realidade envolvendo a implementação dessas soluções e a expertise que ela requer. A verdade é que para fazer essa transição, as organizações precisam cada vez mais olhar para fora de suas próprias equipes e exigir do ecossistema do setor uma abordagem mais holística, completa.

Ao mudarmos a maneira como arquitetamos as redes em escala global, enfrentamos um desafio de requalificação, em que todas as partes — fornecedores, integradores de sistemas e prestadores de serviços — terão que desempenhar um papel na aprendizagem e no treinamento.

Virtualização de funções de rede (NFV)

Vamos analisar um dos mais populares casos de uso de NFV — o CPE virtual. É um exemplo adequado e contemporâneo de como as novas arquiteturas mostram que algumas de nossas antigas maneiras de trabalhar e pensar acabam se tornando carências no futuro. Em toda a América Latina, muitos dos serviços empresariais gerenciado (Enterprise Managed Services, em inglês) estão sendo pressionados para aumentar a rapidez de entrega e reduzir as despesas operacionais. Sendo assim, NFV e CPE virtual são perfeitos para as companhias que possuem muitos clientes empresariais para esses tipos de serviços e desejam melhor desempenho e maior escolha a custos mais baixos, proporcionando um caminho mais rápido para novas receitas. É uma decisão fácil, certo?

Nem tanto. Existem muitas etapas a serem vencidas antes que um operador possa, por exemplo, automatizar a configuração de VPN ponto a ponto para conectar filiais à nuvem e substituir o dispositivo de hardware de um cliente por funções de rede virtualizadas mais baratas e mais flexíveis em um whitebox. Esse cenário pede ainda a aquisição de um conhecimento profundo em OpenStack e em novos componentes que podem ser pouco conhecidos e de difícil aprendizado.

O caminho adiante

Para enfrentar esses desafios, devemos adotar uma nova mentalidade que inclua um papel muito mais amplo junto aos nossos clientes. Isso inclui envolver-se mais profundamente em uma série de atividades relacionadas à construção e modernização de redes – desde consultoria e design até construção, integração, operação e transferência de operações de novos ativos e processos. Às vezes, podemos ir ainda mais longe e levar novos serviços ao mercado, trabalhando em conjunto com a organização de marketing do provedor de serviços. É diferente da maneira que sempre fizemos as coisas e é bem provável que este seja de fato o caminho a seguir.

Se as nossas primeiras experiências são uma indicação do que podemos esperar, o desenvolvimento de novas habilidades e a adoção de novos papéis tanto para fornecedores como para operadores podemos dizer que não será fácil, mas também não será impossível.

*Hector Silva é diretor de tecnologia da Ciena para a América Latina.

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