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IoT ganha impulso e deve movimentar US$ 13 bilhões até o fim da década no Brasil

Com a definição de uma política pública de incentivos pelo BNDES, a previsão da IDC Brasil é que o mercado de Internet das Coisas dobre de tamanho até o final da década

Erivelto Tadeu

26/01/2017 às 19h53

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O mercado brasileiro de tecnologia da informação e comunicações (TIC) deve crescer cerca de 2,5% neste ano, puxado pelo segmento de TI, cuja expansão deve ser da ordem de 5,7%, de acordo com estudo da IDC Brasil, divulgado nesta quinta-feira, 26. A consultoria estima que o mercado de TI como um todo, considerando hardware, software e serviços, somará cerca de US$ 25 bilhões no ano.

Já o mercado de telecomunicações deve permanecer praticamente estável, com ligeiro crescimento de 0,4% no período, com aumento no consumo de dados e redução nos serviços de voz. O mercado corporativo de telecom, o chamado de B2B, seguirá em declínio, mas compensado pelo segmento residencial. O número de conexões 4G, segundo a IDC, vai passar de 108 milhões, respondendo por 40% da base total.

A IDC aponta o processo de transformação digital como o principal impulsionador do crescimento do mercado de TI no ano. Pesquisa recente da empresa da consultoria revelou que, no Brasil, pouco mais de 10% das empresas já investem cerca de 5% de seu faturamento em tecnologias inovadoras, tais como Internet das Coisas (IoT), blockchain, analytics, cognitive/AI e realidade aumentada/realidade virtual (AR/VR).

Na avaliação de Pietro Delai, gerente de consultoria e pesquisa de infraestrutura e telecom da IDC Brasil, o segmento de IoT deve finalmente ganhar impulso a partir do segundo semestre deste ano, com a definição de uma política pública de incentivos pelo BNDES. A previsão, segundo ele, é que o “ecossistema” de IoT no Brasil dobre de tamanho até o final da década, superando US$ 13 bilhões.

Apesar de ainda devendo apresentar um ritmo lento de crescimento, a tecnologia de blockchain um elemento importante de transformação digital deve registrar crescimento no número de projetos. “A adoção [da tecnologia] ainda será gradual, uma vez que ainda há muitos desafios regulatórios e de compliance no Brasil”, observa Delai.

Analytics em alta

Mais animadora, a projeção para o mercado de software de business analytics no Brasil é de um crescimento de 4,7% neste ano, movimentando US$ 848 milhões. A IDC avalia que a necessidade de tomar decisões de maneira mais rápidas e assertivas levará as empresas a investir em ferramentas analíticas.

Do mesmo modo, a tecnologia de cognitive/AI deve assumir uma posição importante nos processos de relacionamento com o cliente e de tomada de decisão. Segundo Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria de software e serviços da IDC Brasil, a expectativa é que nos próximos três anos os investimentos nessa tecnologia quintupliquem embora a base ainda seja bastante pequena para atendimento inteligente ao cliente, respostas automatizadas e chatbots.

A mesma tendência deve ser verificada em relação a tecnologia de AV/VR neste ano. A previsão é que o mercado brasileiro dobre em número de unidades, ultrapassando a casa dos 100 mil produtos. Segundo Reinaldo Sakis, gerente de pesquisa e consultoria de consumer devices da IDC Brasil, estima-se que uma em cada dez das maiores empresas voltadas para o consumidor experimentará AR/VR como parte de seus esforços de marketing neste ano.

Segurança e cloud

Em relação aos mercados mais tradicionais, as perspectivas são igualmente promissoras. E como “tradicional” leia-se computação em nuvem, que neste ano chega como mainstream. De acordo com a IDC, o mercado de cloud pública deve crescer 20% neste ano, atingindo US$ 890 milhões no Brasil. Apesar do cenário ainda recessivo, as empresas devem investir em cloud devido as vantagens como redução de custos.

Na migração das empresas para a nuvem, deve ganhar importância os cloud brokers, provedores de data centers ou integradores que atuarão como “intermediários” na venda de serviços de nuvem. Segundo Ramos, até 2018, 85% dos ambientes serão multicloud, conjugando serviços de mais de uma nuvem pública para atender as necessidades de negócios. “E os brokers vão se tornar grandes intermediadores, ajudando as empresas na tomada de decisões e no gerenciamento desses ambientes”, diz ele.

Após a profusão de ataques sofridos pelas empresas em 2016, inclusive no Brasil, cujo ano foi bastante conturbado, os investimentos em segurança devem ser retomados e ampliados já neste primeiro semestre e ultrapassar US$ 360 milhões até o fim do ano. As principais áreas de interesse dos gestores de segurança para novos projetos são gestão de indentidades (IAM, na sigla em inglês), com 58% das intenções de investimento, e correlação de eventos (SIEM), com 57% dfas intenções.

Smartphones ganham fôlego

Já o mercado de smartphones, que apresentou queda nas vendas em 2016, volta a ganhar impulso neste ano, com  previsão de crescimento de 3,5% em unidades na comparação com o ano passado. A IDC tem como premissa o fato de a troca média dos aparelhos ocorrer a cada dois anos e de que pelo menos 37% da base instalada ativa ter sido adquirida antes 2015.

Se a projeção estiver correta, as vendas totais deve atingir cerca de US$ 15 bilhões, já que no ano passado elas totalizaram cerca de US$ 11 bilhões no Brasil.

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