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Gartner aponta os cinco domínios que formam a nova plataforma digital

Chamada de “Infraestrutura da Civilização”, ela vai usar tecnologias atípicas para a área de TI e mudar a forma como as pessoas vivem em sociedade

Da Redação

26/10/2016 às 9h33

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A jornada digital está apenas no começo e ainda não existem vencedores, afirma o Gartner. As plataformas digitais dão às empresas uma base ágil e flexível para explorar novas possibilidades de negócios. “Os grandes desafios estão relacionados à criatividade e à capacidade de alinhar e organizar os recursos. Tudo é possível, mas deve ser feito agora”, afirma Cassio Dreyfuss, Líder Regional de Pesquisas do Gartner para o Brasil, durante o Symposium/ITxpo, que acontece esta semana em São Paulo.

O cuidado que as empresas deverão ter é não deixar que décadas de antigos arranjos organizacionais (não somente em TI) inibam por mais tempo a transformação digital. A estrutura organizacional futura é multifuncional e bimodal, com parte do trabalho voltado para a previsibilidade e desenvolvimento e o outro, para a incerteza e exploração.

"Apesar dos atuais desafios econômicos e políticos que enfrentamos no Brasil, os CIOs brasileiros devem ser parte dessa jornada para o futuro. Junto a um programa robusto de otimização de custos, as empresas nacionais não devem atrasar a sua mudança em direção a plataformas digitais de negócios”, analisa o executivo.

Na área de TI, nova infraestrutura precisa ser criada não só para reformular o negócio, mas também a forma como as pessoas vivem. Os CIOs (Chief Information Officers) são os criadores dessa infraestrutura, chamada pelo Gartner de “Infraestrutura da Civilização” (do inglês Civilization Infrastructure). Uma nova plataforma digital que se estenderá para além da infraestrutura tradicional de TI utilizando novas tecnologias atípicas para a área.

Transformação digital

Software e serviços de TI serão a chave para o desenvolvimento da infraestrutura da civilização. Val Sribar, Vice-Presidente de Grupo do Gartner, explica que essa infraestrutura será a mais importante conquista de TI da próxima década: “A infraestrutura da civilização mudará para sempre a forma como as pessoas agem social, digital e fisicamente por meio de sensores conectados e da inteligência digital.”

Segundo o executivo, os CIOs irão participar da criação de uma nova plataforma digital baseada em inteligência, que permitirá a criação de ecossistemas, negócios conectados e indústrias em queda. Ela irá mudar a própria sociedade e a forma como as pessoas vivem.

Na opinião do Gartner, essa nova plataforma digital consiste em cinco domínios: sistemas tradicionais de TI, experiência do cliente, Internet das Coisas (IoT), inteligência e fundação de ecossistemas.

“Esses domínios estão interconectados e são interdependentes. Todos têm uma função e todos são necessários”, explica o analistas.

Vejamos em detalhes:

- Sistemas tradicionais de TI - É a forma como os CIOs dirigem e escalam operações, construindo em cima do que já foi criado, utilizando sistemas tradicionais de TI de alta performance (como os Data Centers e redes) e modernizando para serem parte da plataforma digital.

Por exemplo, empresas líderes de mercado já estão na metade do caminho de transição para a Nuvem, começando pelas áreas de Vendas e Marketing e agora com metade das capacidades de suporte em vendas já em Cloud. Essa migração continuará até o final da década para áreas como RH, Compras e Gestão Financeira. “É preciso tornar as capacidades de Nuvem, mobilidade, social e dados o foco das empresas enquanto investem na resiliência, continuidade dos negócios e recuperação de desastres, visão e abordagem externa híbrida”, afirma o executivo.

- Experiência do cliente - É como os CIOs se conectam e envolvem em novas empreitadas. A experiência digital pode ser a única interação entre os clientes e a organização. É assim que as empresas se comportam no mundo digital. As companhias pioneiras estão explorando como as novas experiências de realidade virtual e aumentada mudarão o engajamento com os clientes.

“No mundo dos chatbots e dos Assistentes Pessoais Virtuais (VPAs, do inglês Virtual Personal Assistants), os aplicativos de celular e até mesmo a presença das organizações na web se tornarão muito menos relevantes”, aponta o Sribar. “O novo diferencial competitivo é entender a intenção do cliente por meio de algoritmos avançados e da inteligência artificial, criando novas experiências que resolvam os problemas antes até mesmo que os clientes percebam que existam”.

- A Internet das Coisas (IoT) - É a maneira como a empresa sente e age no mundo físico. Adicionar dispositivos ao domínio da IoT é a parte fácil. Já os processos, fluxos de trabalho e a integração de dados são bem mais complicados. De fato, dois-terços das empresas já tiveram de reestruturar seus sistemas de TI existentes para acomodar a IoT. A Internet das Coisas também muda a forma como os CIOs devem investir em Analytics porque o tempo para tomada de decisões mudará de dias para minutos e então para instantes. Os executivos devem planejar a mudança de seus investimentos para Analytics em tempo real, que até 2020 será três vezes mais utilizado do que o Analytics tradicional, constituindo 30% do mercado.

- Inteligência - É como os sistemas analisam, aprendem e decidem de forma independente. Os CIOs começam com a gestão tradicional, ciência e inteligência dos dados. Os algoritmos determinam a ação. O novo tipo de inteligência, dirigido pela aprendizagem de máquina, é a inteligência artificial. “Estamos construindo máquinas que aprendam com a experiência e que produzam resultados que seus criadores não previram explicitamente. São sistemas que podem experimentar e adaptar-se ao mundo por meio dos dados coletados. A aprendizagem de máquina e a inteligência artificial mudam na velocidade dos dados, não na velocidade da liberação de códigos, que têm agora as informações como nova base”, explica Sribar.

- Base de Ecossistema - É o modo como a empresa interage como uma instituição no mundo digital e vai além da capacidade de decidir. Os CIOs precisam desenvolver a capacidade de interagir com os clientes, parceiros, indústrias adjacentes e até mesmo com a concorrência de forma que os ecossistemas permitam a transformação de negócios tradicional com cadeias de suprimento de valor lineares para os negócios com ecossistemas digitais em rede.

"Muitos modelos de indústria irão se transformar com os ecossistemas digitais, mudando de simples relações dirigidas por intermediários para parcerias distribuídas gerenciadas por um sistema de registro compartilhado como o blockchain. Construir um ecossistema forte ajudará a administrar a transição. Os ecossistemas são o futuro do digital”, diz o executivo.

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