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O avanço dos wearables como meio de pagamento

felipe.dreher

04/07/2016 às 18h48

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Gradativamente, o uso de moedas e cédulas tem sido substituído pelos cartões de crédito e débito no Brasil. Em alguns lugares no mundo, como na Suécia, por exemplo, a expectativa é que até 2030 o dinheiro saia de circulação. Reforçando essa tendência sabemos que atualmente, apenas 2% das transações financeiras são realizadas utilizando dinheiro, enquanto no restante da Europa, a média é de 7%. Esse movimento parece ser natural, dada a ampla gama de opções de pagamento disponíveis no mercado que vão muito além do plástico, como a utilização de bitcoin, ewallets, smartphones e agora também dos dispositivos vestíveis.

Apesar de ser um nicho de mercado ainda em desenvolvimento, teremos uma experiência que será realizada durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro. A Visa disponibilizará para os atletas o primeiro protótipo de meio de transações por meio de wearables, no formato de um anel que libera pagamentos em máquinas da Visa utilizando tecnologia Near Fiel Communication (NFC). Ainda nesse campo, existem outras opções como os smartwatches, pulseiras e adesivos.

Pode parecer uma realidade distante, mas a praticidade e segurança que esse oferece para os consumidores serão os principais fatores que devem gerar demanda. Por isso, os comerciantes e a própria indústria precisam estar preparados. Uma das principais medidas é adotar uma infraestrutura de terminais POS capaz de processar pagamentos com NFC, o que no Brasil está adiantado, já que 80% das maquininhas contam com a tecnologia.

Se por um lado, os comerciantes estão preparados, a penetração dos wearables é limitada no país. Os preços desses dispositivos são altos, existem poucas opções no mercado e os consumidores ainda não entendem plenamente os benefícios dessa tecnologia. Mesmo assim, uma pesquisa realizada pela Accenture, em 2015, mostra que os consumidores têm interesse em adquirir um dispositivo vestível nos próximos cinco anos. Por isso, grandes players estão se mobilizando para expandir os produtos oferecidos aos consumidores. A Visa fez uma parceria com a suíça Swatch para produzir um relógio com tecnologia NFC, o Bellamy. Com mais opções do mercado, a tendências é que os preços desses dispositivos se tornem mais acessíveis e competitivos.

Outra medida que precisa ser levadas em consideração é que existem muitos players no processamento de transações de pagamentos: bancos, bandeiras de cartões, adquirentes, os provedores dos meios de captura. É preciso que exista um alinhamento entre os envolvidos e, como cada um tem seu interesse em otimizar os ganhos, as negociações podem ser demoradas e acabam atrasando a disseminação da tecnologia.

É preciso analisar também uma série de questões, entre elas a segurança de dados dos usuários e das transações, já que esta é uma das grandes preocupações dos consumidores. De acordo com o relatório Online Payment Journey, produzido pela Worldpay, 24% dos entrevistados tem segurança como prioridade e 57% afirmam que precisam de mais transparência na maneira como seus dados são mantidos seguros.

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O uso de wearables como método de pagamento ainda está em estágio inicial. Não demorará muito, porém, para que a mobilização de grandes empresas no desenvolvimento de dispositivos, o alto índice de máquinas de captura com tecnologia NFC e o interesse em melhorar a experiência do consumidor, tornando o check-out ainda mais rápido e eficiente, façam este método de pagamento conquistar espaço no mercado.

*Juan D'Antiochia é gerente geral da Worldpay para a América Latina.

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