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Open source ajuda a criar inovações com baixo custo, defende Red Hat

Em visita ao Brasil, James Whitehurst revelou os planos da provedora que pretende faturar US$ 5 bilhões em cinco anos

Felipe Dreher

30/03/2016 às 12h13

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Em 2008, James “Jim” Whitehurst trocou o comando da Delta Airlines para ocupar a cadeira de CEO da Red Hat. Ao chegar na organização de tecnologia, se deparou com uma realidade totalmente diferente da que vivenciava à frente da companhia aérea. Nas suas palavras, passou a encarar “um jeito diferente de orquestrar o comportamento das pessoas, do planejamento, das especificação e da execução para permitir que as pessoas façam o melhor de si”.

Aos poucos, se acostumou à nova rotina e venceu diversos desafios. Em quase uma década, colecionou diversos marcos significativos. Foi, por exemplo, responsável por um crescimento intenso do faturamento da provedora de ferramentas open source, bem como, por triplicar a capitalização de mercado da empresa. Mais recentemente, ajudou a conduzir a organização a ultrapassar a marca de US$ 2 bilhões em faturamento.

O executivo esteve no Brasil para um kick off de vendas promovido pela Red Hat em um luxuoso hotel encravado entre a montanha e uma pequena praia na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, Whitehurst conversou com Computerworld Brasil sobre o momento da companhia e suas expectativas quanto ao futuro da provedora. Confira os melhores momentos da conversa!

Computerworld Brasil – No ano passado, vocês passaram a barreira de US$ 2 bilhões em faturamento. O que, na sua opinião, permitiu alcançar esse nível de faturamento?

James Whitehurst – Vejo dois fatores. O primeiro é que há alguns anos desenvolvemos um modelo de negócios de distribuir software free. O conteúdo no núcleo era grátis, mas o restante não. Com o tempo, foi possível dar escala esse modelo único. O segundo ponto é que, a partir de agora, a inovação vem do mundo open source, que se tornou base para muitas tendências que se tornam real, como inteligência artificial, analytics... Percebemos que grandes fornecedores de TI já compreenderam a importância de contribuir nesse ambiente para endereçar soluções inovadoras aos CIOs.

Computerworld Brasil – Como você enxerga o crescimento de receitas dentro de cinco anos?

Whitehurst – Nossa aspiração é faturar mais de US$ 5 bilhões em cinco anos.

Computerworld Brasil – O que seria necessário para isso?

Whitehurst – Queremos fazer com que open source seja a opção default na infraestrutura da próxima geração tecnológica. Da mesma forma que IBM foi no mundo do mainframe e Intel no de cliente servidor, a ideia é que o código aberto assuma essa posição em cloud.

Computerworld Brasil – O você cita “open source como default”, não Red Hat...

Whitehurst – Não dizemos que queremos a Red Hat como a escolha default, mas queremos que a Red Hat seja o vendor preferencial nesse contexto. E, para tanto, não precisamos entregar tudo. Por exemplo, não vamos ser nós que atuaremos em bancos de dados, que é algo super importante e será atendido por outros players [também open source]. O nosso foco específicamente é ajudar clientes suas estratégias de nuvens híbridas, entregando componentes que permitem escolher onde rodam as aplicações.

Computerworld Brasil – Falando especificamente do mercado brasileiro, quais suas expectativas?

Whitehurst – Sempre tivemos um sucesso tremendo no Brasil. Historicamente, nosso desempenho no mercado brasileiro é superior ao das operações na Índia e China combinados. Vemos que é um país muito amigável à soluções open source. Grandes instituições de governo, finanças e telecom são usários sofisticados do código aberto. O plano é manter investimentos em pessoas, treinamento, parcerias e formas de promover nossas soluções.

Computerworld Brasil – De que forma a crise econômica no país impacta a operação local?

Whitehurst – Reforçamos que open source é uma forma de criar inovações com baixo custo. Em momentos de recessão, as empresas cortam custos de tecnologia e podem adotar open source como opção. Quando o mercado vai bem, falamos de open source como a próxima geração de infraestrutura. Temos mensagens para ambos momentos. Especificamente no Brasil, projetamos crescimento agressivo, pois vejo que temos um time local forte e condições para isso. Vale ressaltar que olhamos o mercado sempre no longo prazo. Logo, mais cedo ou mais tarde, o mercado se estabiliza.