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Capacidade produtiva ociosa é o diabo morando nos detalhes

Um dos principais benefícios das novas tecnologias é automatizar processo para reagir rápido sobre os pontos que estão fora do previsto

Allan Pires*

29/03/2016 às 7h00

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Em um ambiente econômico não positivo como o que estamos enfrentando, com projeções pessimistas capazes de congelar os próximos passos de uma empresa, o gerenciamento eficiente da capacidade produtiva é um dos grandes desafios a serem enfrentados, pois o desequilíbrio resultante deste pode acarretar buracos no fluxo de caixa e não permitir um retorno adequado aos investimentos já realizados no passado.

É clássico dizer que uma boa gestão do empreendimento significa a busca constante da máxima utilização dos recursos a fim de melhorar a competitividade, retorno de investimento e obter mais benefícios para os clientes. Claro que sempre que mencionamos capacidade produtiva logo pensamos em produção industrial. Mas este termo não é privilégio deste setor.

A capacidade produtiva pode ser mensurada também nos recursos logísticos como caminhões, trens, vans, recursos humanos, pontos de vendas, departamento financeiro, entre outros. Saber definir e equacionar dinamicamente a capacidade de produção versus a demanda real é crucial para sobreviver e se tornar mais competitivo – independente do setor ou tamanho da empresa.

Mas conseguimos avaliar constantemente todos os detalhes relacionados à nossa capacidade? Estamos atentos aos pequenos gargalos dentro de uma organização? Acredito que uma boa gestão passa pelo seguinte: análise da capacidade produtiva e potencial de retorno esperado comparando-se com a produção e custo real.

Contudo, o que mais vejo são empresas trabalhando apenas na definição de macro indicadores para obter uma visão geral dos números, sem conseguir mitigar pequenos gaps de expectativas que comprometem o resultado total ou deixa de se realizar o retorno máximo possível ou, ainda, esconde ineficiências que foram encobertas por sucesso momentâneo de algum outro elo da cadeia de valor.

Exemplo clássico: uma equipe regional de vendas atinge resultados tão positivos que encobre os resultados negativos de outras regiões. Os grandes indicadores não são precisos na identificação de onde há capacidade ociosa, retrabalho desnecessário, operação com custo acima dos resultados, etc.

Quando se trata de capacidade produtiva ociosa, o diabo mora nos detalhes. Uma empresa baseada em operações preestabelecidas – sem o devido monitoramento de cada atividade e antecipação de eventuais problemas, pode perder clientes importantes, Market Share, positivação de alguns produtos e morrer no mercado. Isso simplesmente porque existem gaps que macro indicadores não conseguem demonstrar, portanto, cada pequeno detalhe conta.

E por que as empresas não monitoram todas as atividades e a capacidade produtiva? Não monitoram porque o custo e o tempo para coletar e consolidar as informações da forma tradicional é inviável. Um dos principais benefícios das novas tecnologias de análise de dados como BI & Analytics é automatizar esta coleta e consolidar os dados para que o executivo tenha em suas mãos todos os detalhes de como anda o seu negócio, reagindo rápido sobre os pontos que estão fora do previsto e antecipando cenários futuros. Além de mencionar que as ofertas atuais de BI & Analytics são mais eficientes que as maneiras tradicionais de coleta e consolidação de dados.

O desafio, nestes tempos incertos, é saber harmonizar a sua capacidade de produção e a sua demanda. Para isto, preste bem atenção nos detalhes, pois são tantos pontos a serem analisados, que aquele pequeno problema que você não viu poderá fazer você perder dinheiro, oportunidade, mercado, retorno ou seu futuro. E aí será o diabo.

*Allan Pires é CEO para a América Latina e Texas da multinacional dinamarquesa Targit, especializada em Business Intelligence

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