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A segurança nos carros conectados

Crackers já conseguiram exibir falsas informações no painel de controle, mover o volante, frear e até desligar o motor. Porém, as ameaças vão muito além disso

Fabio Cossini*

30/04/2015 às 12h56

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A cada dia que passa, objetos e pessoas estão mais conectados, seja por lazer, conforto ou fins profissionais. Até um dos maiores objetos de adoração em todo o mundo, o automóvel, já está ficando repleto de sensores. Os carros simplesmente deixaram de ser máquinas isoladas para ser um verdadeiro ponto conectado às redes. Para ter uma ideia, atualmente, muitos componentes que controlam os veículos são computadores que dominam até 100 milhões de linhas de software para um carro de ponta.

Os motoristas ligam seus smartphones para ouvir música e fazer chamadas telefônicas ou, ainda, controlam a temperatura interior do carro por voz. Os veículos conectados também dão vantagens a seus fabricantes, que podem receber dados sobre o comportamento e qualidade do seu produto, e às seguradoras, que podem analisar o comportamento dos seus clientes ao dirigir, mitigar riscos na sua carteira ou oferecer serviços diferenciados.

Infelizmente, a segurança das conexões dos carros pode comprometer toda essa agradável experiência, caso não seja intensamente considerada pela indústria automobilística em toda a cadeia produção.

Recentemente, pesquisadores conseguiram invadir os sistemas computadorizados dos mais modernos automóveis com apenas um laptop e um programa da Internet, disponível para quem quiser acessar. Enquanto isso, crackers já conseguiram exibir falsas informações no painel de controle, mover o volante, frear e até desligar o motor. Porém, as ameaças vão muito além disso. Informações pessoais, como e-mail, contato e mensagens de texto podem se tornar alvo de invasores. Rotas de GPS podem ser alteradas de modo que o veículo seja direcionado para áreas de maior risco de assalto e sequestro ou para causar tumulto no trânsito.

Contudo, esse cenário pessimista pode ser evitado se uma nova consciência para a segurança for explorada em todas as fases da indústria automobilística, do projeto ao pós-venda. A ideia é que todos os componentes de um veículo sigam padrões de segurança e passem por testes que preveem mecanismos de contingência em caso de falhas. Ao deixarem as concessionárias, o monitoramento de automóveis e uma assistência técnica igualmente sólida em termos de processos e boas práticas podem evitar ameaças de intrusões, desvio de informações privadas e fraudes.

Independente da quantidade de dispositivos conectados em nossos automóveis nos próximos anos, não há como evitar que ameaças coloquem em risco aquilo que está sendo desenvolvido para facilitar e tornar nossa vida ao volante mais simples e agradável. Infelizmente, não se pode prever quando será e qual será a intenção daqueles que agem para comprometer os sistemas de segurança desenvolvido para o nosso bem-estar. Os veículos deixaram de ser somente um produto de engenharia eletromecânica e passaram para componentes de um sistema maior, que integra veículo, estradas, fabricante e consumidor, para proporcionar uma experiência agradável e transporte seguro. Além de freios ABS, airbags e outras modernidades, os consumidores estão exigindo segurança digital, que seja entregue junto com o veículo. Hoje, as empresas que puderem entregar segurança e conveniência aos consumidores, serão responsáveis por alavancar o verdadeiro poder do veículo conectado.

*Fabio Cossini é arquiteto de TI da IBM Brasil.

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