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Livro ensina segredos do sucesso em campanhas de crowdfunding

O autor, Vinicius Maximiliano, explica que o importante é aliar criatividade, simplicidade e transparência ao projeto

Da Redação

17/04/2015 às 15h50

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O crowdfunding (que poderia ser traduzido como "financiamento da multidão") é um dos movimentos econômicos mais poderosos atualmente em nível global, mudando de forma importante a prática de captação de recursos para novos negócios e empreendedores.

No Brasil a prática de expor um projeto ao grande público e captar recursos a partir de milhares de colaborações individuais também está atraindo muita gente interessada e é inevitável que surjam perguntas como: Por onde começar? Como organizar uma campanha?

O advogado corporativo e especialista em finanças Vinicius Maximiliano Carneiro resolveu investir nesse segmento lançando o livro “Dinheiro na Multidão – Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional", que visa responder às perguntas e ajudar os marinheiros de primeira viagem a concretizar seus sonhos.

Simples, mas criativo

O autor explica que uma característica comum a projetos bem sucedidos é a simplicidade ao explicar o projeto. “Ser simples, significa dizer claramente o que se pretende, quem vai fazer, como e quando. Por isso abuse da criatividade, pois as pessoas quando analisam um projeto, buscam aquilo que elas gostariam de fazer por si mesmas, mas o farão através da janela do seu projeto. Então seja simples, porém ousado”, aconselha.

Maximiliano explica que é vital lembrar que o financiamento coletivo de um projeto é um negócio! “Portanto, é fundamental incluir no orçamento assessoria especializada para essa estruturação. Em um projeto de tudo ou nada, economizar nisso pode ser definitivamente negativo. Inclua esses custos no projeto e estruture-o de forma profissional. Afinal, você está fazendo uma “oferta” que outros validarão e colocarão algum dinheiro nela".

Transparência

Ele afirma que quanto mais transparente o idealizador da campanha for, mais confiança haverá no projeto. “Além disso, procure um advogado e um contador. Números e leis (mesmo as que ainda não existem!) fazem a diferença em um país como o Brasil. Pode ser que você nem saiba, mas que exista algum benefício fiscal para quem doar fundos a um tipo específico de projeto, o que aumenta as chances de sucesso”, diz o especialista.

Financiadores de projetos coletivos buscam proximidade, facilidade de contato e possibilidade de opiniões. “O conceito de coletivo, ainda mais no Brasil, onde somos naturalmente mais sociáveis, assume contornos quase que pessoais. Portanto, esteja preparado para interagir, e muito, com seus financiadores”, recomenda.

Plataforma

Em financiamento coletivo, é fundamental escolher bem a plataforma onde o crowdfunding será buscado. “Diga-me sua plataforma e lhe darei ou não um like! Sites ou plataformas que não possuem o público ideal para o seu projeto, poderão frustrar suas expectativas”, diz o autor. Para isso é necessário pesquisar, avaliar sites e plataformas e verificar a credibilidade deles.

Algumas campanhas são longas, chegam a durar 60 dias. Por isso é preciso ter material e motivação para todo esse tempo. Assim, é preciso usar a criatividade e manter seu público ativo, envolvido. As pessoas querem saber o que está acontecendo, a evolução, números alcançados. Se a campanha não estiver indo tão bem, o ideal é pedir ajuda. “Conclame as pessoas a se movimentarem para alcançar o objetivo. Faça novos vídeos, mostre números, resultados, produtos em andamento. Enfim, apareça, mesmo durante a campanha! Quem só dá as caras no lançamento, dificilmente vai terminar com o total financiado”, alerta.

Ter um cronograma claro, estruturado e organizado de todo o desenvolvimento do projeto é importante. Afinal, quem financia, quer acreditar que tudo será feito da forma como foi proposto. Uma dica é aplicar algumas regras e conceitos e mostrar ao público que existe uma linha de ação para cada passo do projeto. E isso nada tem a ver com o tamanho da arrecadação. Tem relação direta com profissionalismo no trato com o dinheiro de terceiros e que confiam em você.

Mantenha o foco

Caso o projeto tenha como foco um novo produto, maravilha! Mas é preciso ter algo para mostrar. “Quem vem pra rede buscando vender somente uma ideia, pode se queimar no mercado brasileiro. Nossa cultura é bem diferente da norte-americana ou inglesa, onde as pessoas são educadas desde cedo para um conceito de “risco de investimento” em ideias. Aqui, somos naturalmente conservadores, desconfiados e céticos".

“Por isso, os projetos têm de ser sempre desenhados “para fora”, ou seja, para pessoas que nunca viram você na vida, não sabem nada sobre você e que terão que acreditar e confiar no que está falando em um vídeo de três minutos. Portanto, crie projetos para fora, nunca para dentro. Salvo se sua família e amigos, sozinhos, conseguirem financiar tudo... ai é bem diferente! ”, orienta o especialista.

“O projeto e a arrecadação têm que ser suficientes para sua realização, não para tornar seu criador rico ou pagar as contas atrasadas dele. O cuidado precisa ser ainda maior quando falamos de campanhas parciais, ou seja, aquelas em que o idealizador, mesmo que não atinja o total pleiteado, vai levar as doações com ele. Se for esse o seu caso, não esqueça que um projeto com custos mal equacionados pode simplesmente ser inviável se não atingir a meta de financiamento... e todos os que apostaram na ideia podem ficar muito decepcionados com sua postura caso não entregue o prometido, com muito menos dinheiro”, conclui.

O autor é advogado corporativo, gestor contábil e financista. Possui MBA em Direito Empresarial pela FGV. É Especialista em Direito Eletrônico pela PUC/MG, atuou como advogado de Propriedade Intelectual no Brasil para a Motion Picture Association (MPA), Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (ADEPI) e também para a União Brasileira de Video (UBV).

O livro online está disponível no site do autor. Desde dezembro até fevereiro, foram feitos mais de 2 mil downloads da obra. No portal é possível também conferir vídeos e artigos do autor.

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