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Digital Banking: carteira eletrônica e transferência de valores P2P

Os pagamentos por celular têm que ser tão fáceis quanto usar notas e moedas. Bancos começam a pensar em como podem reaver a confiança dos clientes

Marco Santos *

09/04/2015 às 8h25

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Em vez de ficar procurando moedas ou cartão de crédito/ débito para pagar um café ou uma conta no supermercado, imagine fazer isso via celular, através de um aplicativo no smartphone? Isso, sem dúvida, transforma radicalmente a maneira de lidar com seu dinheiro e já é um movimento real em países como a Itália, por exemplo.

A carteira digital, como é conhecida, também pode ser aplicada a postos de gasolina, máquinas de venda automática, compras on-line ou qualquer outro estabelecimento físico ou on-line que possua tecnologia NFC (Near Field Communication). Agora imagine fazer transferência de valores com um toque no celular? Essa é uma realidade nos países da Europa.

Conhecidas como soluções P2P (Peer-to-peer), são baseadas em transferências a crédito SEPA (Single Euro Payments Area ou Área Única de Pagamentos em Euros) e estão disponíveis a todos os bancos que operem nesta área, atingindo mais de 400 milhões de clientes correntistas europeus.

Tal cenário também está sendo discutido no Brasil. Para ser capaz de competir com FinTechs e empresas da Internet, os bancos estão mudando sua mentalidade e começando a pensar em como eles podem reaver a confiança perdida enquanto parceiros para seus clientes.

Os pagamentos por celular têm que ser tão fáceis quanto usar notas e moedas. Ao invés de se preocuparem com rivalidades, os bancos deveriam formar alianças fortes e caminhar para um padrão comum. Isso daria condições de ofertar uma plataforma de pagamento de alta segurança, vinculada não só a verificação de clientes e detalhes da conta com protocolo de autenticação do próprio smartphone, como também de poder se comunicar com as interfaces do banco, suportando os sistemas operacionais relevantes para o mercado, tais como Android, iOS e Windows Mobile.

Além da interface intuitiva, os usuários ficaram impressionados com a facilidade na transferência de valores a amigos ou colegas de trabalho: bastaria um toque na agenda do smartphone - não é mais necessário maiores detalhes da conta ou outros formulários de transferência. Caso o beneficiário já fosse um usuário da plataforma de pagamento, um símbolo apareceria junto ao seu nome e a quantia desejada seria imediatamente creditada. Caso contrário, o destinatário receberia um convite por mensagem de texto para registar-se com alguns passos simples.

É com esta mentalidade que o cenário brasileiro de pagamento móvel poderia tornar-se um elemento de um sistema de Gestão de Finanças Pessoais, abrangendo toda a situação financeira do cliente, que vai desde a inovação, passando pelo serviço e chegando à segurança, ou seja, os três elementos-chave para o sucesso do setor bancário.

*Marco Santos é managing director Latam do Grupo GFT.