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Novas estruturas impulsionam o surgimento de negócios digitais

Segundo o Gartner, o momento atual exige o estabelecimento de uma TI Bimodal, que garanta a solidez dos sistemas, e ágil, para permitir inovação

Bill Coutinho

09/02/2015 às 8h20

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Em tempos de transformações dinâmicas e complexas, empresas têm buscado formas de ampliar os negócios através de soluções digitais. No entanto, essas iniciativas esbarram na estrutura da TI tradicional, que, muitas vezes, limita a agilidade e a capacidade de inovação. Buscando auxiliar empresas a se beneficiarem da nova economia digital, a consultoria Gartner publicou recentemente um relatório sugerindo que a TI fosse estruturada de maneira bimodal, combinando a capacidade de proporcionar suporte confiável para modelos de negócio estabelecidos com a habilidade de criar novas oportunidades por meio de inovação e experimentação.

No papel isso tudo pode parecer fácil, mas, na verdade, a implantação da TI Bimodal tem exigido muito planejamento e competência dos CIOs. Um dos grandes desafios é manter o mesmo nível de solidez dos sistemas que mantém as funções básicas da empresa (chamado pelo Gartner de TI modo 1) e, ao mesmo tempo, abrir espaço para que um outro time possa fazer experimentações com as novas possibilidades que a tecnologia traz ao negócio (chamado de TI modo 2).

Tentar envolver as mesmas pessoas nos dois modos ou se posicionar entre os dois modos é quase certeza de fracasso na iniciativa. O ideal é ter diferentes critérios de avaliação, permitindo a manutenção de limites entre a atuação de dois times distintos. No entanto, é importante lembrar que a proposta de uma TI Bimodal busca estimular o uso de métodos do modo 2 em empresas que só tem o modo 1 e não defende a divisão da TI em duas linhas de atuação distintas.

Em um cenário de transformação constante e de crescente interconectividade, a TI tradicional pode ter um tempo de resposta lento. Por isso, as startups estão bastante acostumadas ao que a Gartner chamou de modo 2, ou seja, uma TI caracterizada por experimentações e pela busca por inovações. Para startups, a necessidade de agilidade é indiscutível: basta lembrar que validar um modelo de negócio rapidamente pode significar uma vantagem competitiva significativa. Neste caso, não se trata apenas de alinhar a TI ao negócio, mas permitir que soluções tecnológicas façam parte do núcleo de novos produtos digitais.

Mas não são só as startups que podem se beneficiar de uma TI mais flexível e ágil. Muitas empresas grandes também estão buscando soluções inovadoras para ajudar na relação com seus clientes, ou na criação de novos produtos.

Se, por um lado, as empresas têm percebido a importância de acompanhar o ritmo alucinante do mundo digital, também está claro que elas não podem se dar ao luxo de abandonar o que veio sendo feito até agora. Neste sentido, a proposta de uma TI Bimodal vai ao encontro da valorização de um conjunto de processos e de melhores práticas já consolidadas e não representa risco à estabilidade, segurança e confiabilidade dos sistemas que suportam as funções básicas das empresas.  É possível aliar agilidade com confiabilidade, atendendo, assim, as necessidades particulares de cada empresa.

*Bill Coutinho é Diretor de Tecnologia da Dextra