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Gartner: há pouca experimentação de tecnologias inovadoras na AL

Consultoria indica que quase metade das empresas na região não vê os novos conceitos tecnológicos como algo relevante. Postura estaria ligada a uma visão de curto prazo

Felipe Dreher

09/02/2015 às 8h30

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2015 é o ano em que os gestores de TI na América Latina têm a chance de assumir a posição de líderes digitais em suas organizações. Pelo menos essa é a visão do Gartner. Esse movimento, contudo, não será fácil. Há muitas oportunidades e, pelo menos, dois grandes desafios: os gestores aceitarem o convite de liderar essa transição e liberarem recursos para tal movimento. 

A jornada pode ser mais árdua do aparenta, com mais elementos compondo a equação. Um estudo da consultoria indica que os CIOs latino-americanos não demonstram muito apetite para experimentar conceitos novos e inovadores. Segundo Álvaro Mello, vice-presidente de pesquisas, há pouco experimentação de tecnologias inteligentes (robótica, impressão 3D, computação cognitiva, realidade aumentada e internet das coisas) na região. 

“Quase metade das empresas diz que essas tecnologias não é relevante para elas no momento. Quer dizer que elas não as colocam no horizonte de seus projetos. Isso nos fez ligar o sinal de alerta", avalia o especialista, em entrevista à Computerworld Brasil. Na sua opinião, essa postura tem relação com a característica de curto prazo das organizações, que trata os assuntos de maneira "muito operacional". 

Segundo o especialista, apenas 10% das organizações na região focam em planejamento de TI em um prazo além de três anos. "Grande parte das iniciativas atendem questões instantâneas", diz. 

Mello observa que as empresas não estão se voltando para fazer um planejamento que considera experimentação de novos conceitos e que isso pode ser bastante arriscado no futuro. "Recomendamos que os CIOs não esperem outras indústrias amadurecerem tecnologias para, só então, experimentarem", reforça.

Na sua visão, os próximos três anos precisam ser de testes de novos conceitos para que, entre 2017 e 2020, os benefícios já sejam perceptíveis, uma vez que a concorrência tende a se acirrar com a chegada de concorrentes mais afeitos ao uso desses recursos. 

Há também toda uma estrutural para fazer as transições necessárias. Estudos recentes do Gartner apontam que um total de 76% dos gestores de TI na região concordam que disciplinas de gestão de risco em suas empresas não estão adequadas para monitorar e responder os requisitos de agilidade trazidos por um contexto de negócios digitais. Em resumo, as organizações reconhecem o nível de risco quando se trata de digital business é muito maior do que anteriormente. 

“Os mecanismos não estão adequados para o novo cenário”, comenta Mello, sinalizando que isso faz com que as companhias não entreguem as experiências necessárias aos clientes dentro desse novo contexto. "Digital trata de experimentação, mas as empresas não tem a política para isso ou uma postura para que sejam tolerantes a falhas", sinaliza. 

Freada nos investimentos

Os orçamentos de TI na América Latina crescerão apenas 0,4% sobre 2014, contra uma taxa global estimada da ordem de 1%. O percentual é muito diferente dos 7% de crescimento reportados em 2014 frente ao ano anterior. "Vai crescer pouco porque há um compasso de espera e expectativa de como a economia se comportará em países como Brasil, que representa mais de 60% dos respondentes da região", observa o especialista, que adiciona: “Passamos do maior crescimento do mundo no ano passado para o menor esse ano”. 

As prioridades de alocação de recursos refletirão uma contínua adesão ao que o Gartner chama de Nexus of Forces. Três das disciplinas no conceito se destacam entre cinco as prioridades dos investimentos do ano: analytics, infraestrutura e data center, cloud, ERP e mobilidade. 

Outro dado interessante é que, de acordo com a consultoria, praticamente 50% dos gastos de TI já está fora dos recursos formais do departamento de tecnologia da informação. “Entendemos que o cenário requer que a organização trabalhe como um time”, aconselha Mello. Frente ao cenário descrito acima, o Gartner dá cinco conselhos aos CIOs:

1. Encontre maneiras criativas de liberar um tempo para interagir mais com seus pares nas áreas de negócio.

2. Pense em nuvem e mobilidade primeiro lugar em seu próximo projeto ou quando iniciar um experimento/inovação.

3. Estabeleça métricas de desempenho que vão além do retorno no departamento de TI e crie níveis de serviços (SLAs) relacionados ao resultado no negócio como, por exemplo, taxas de inovação ou de competências digitais da organização. Deixe de justificar projetos apenas pelo business case e mire valores intangíveis à empresa.

4. Não perca a oportunidade de experimentar ativamente “tecnologias inteligentes” (smart techs) em sua empresa em 2015. Experimente aquilo que não conhece. 

5. Desenvolva um estilo de gestão entre o conselheiro (que foca em desenvolver competências em profissionais de sua equipe para ajudá-lo no processo de  transformação) e o visionário (líder carrega consigo a visão para o objetivo que atingir e seguir a jornada). Comando e controle, da forma como vinham sendo feitos, sozinhos, não entregarão as mudanças conforme o mercado exigirá.