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Investir em bem-estar dos talentos traz resultado, diz CEO do SAS

Empresa, que inspirou o Google a oferecer ambiente de trabalho diferenciado, está entre as melhores empregadoras, segundo o Great Place to Work.

Edileuza Soares

18/11/2014 às 18h25

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Oferecer ambiente de trabalho que permita aos colaboradores equilibrar a vida pessoal com a profissional faz com que os talentos sejam mais felizes, produtivos e traz resultados para os negócios. Quem faz as contas dos ganhos com esse tipo de investimento é o empresário Jim Goodnight, programador de software que domina bem a matemática. Ele é CEO do SAS, fornecedora norte-america de soluções de business analytics, que em 1976 conseguiu realizar o sonho de fundar uma empresa com cultura diferenciada, inspiradora e baseada nas boas práticas da gestão de recursos humanos.

A ideia de Goodnight deu tão certo, que inspirou a Google a se tornar uma empresa cobiçada para se trabalhar   e outras organizações na busca de modelos de ambientes para colaboradores mais flexível e humanizados. Sua organização virou uma referência e é hoje umas das melhores empresas para se trabalhar. 

O SAS tem conquistado diversos prêmios do Great Place to Work (GPTW), eleita entre as melhores multinacionais de TI e do ranking geral entre as primeiras para se trabalhar, inclusive no Brasil. 

Em 2013 e 2014, a produtora de software aparece em segundo lugar da lista do GPTW, atrás somente do Google. Os títulos são resultados de um projeto visionário que Goodnight traçou há mais de 40 anos, quando estava concluindo sua pós-graduação.

Com voz tranquila e calmo, Goodnight, que hoje tem 71 anos e em 2011 apareceu no ranking da Forbes entre os 50 homens mais ricos do mundo, lembra que a iniciativa de criar uma empresa de software que oferecesse bem-estar para seus funcionários veio depois de uma experiência desagradável em uma companhia que trabalhou após a faculdade, onde o ambiente era bastante hostil. 

O empresário recorda que nesse local as pessoas trabalhavam até tarde da noite e no dia seguinte tinham que chegar cedo porque o chefe reclamava. Até o cafezinho eles tinham que pagar. A situação é muito diferente do SAS, onde as máquinas de café, geladeiras com bebidas e recheadas de guloseimas estão distribuídas pelos escritórios. O consumo é à vontade e de graça. 

Conforto e bem-estar começa pela sede 

Quem visita a matriz do SAS, cravada na pequena cidade de Cary de 151 mil habitantes, no estado da Carolina do Norte (EUA), se impressiona com a infraestrutura oferecida aos colaboradores. Ao todo, a companhia emprega 13,7 mil profissionais, os quais estão distribuídos pelos 140 escritórios, espalhados pelo mundo, incluindo o do Brasil. 

Entre estes, 5,3 mil estão baseado na sede, que opera em um campus localizado em um parque com área construída de 1,2 mil metros quadrados. 

O local lembra uma universidade, com mais de 20 prédios espalhados com menos de seis andares. Todos são construídos dentro das práticas de sustentabilidade e identificados por consoantes do alfabeto. Nesse parque funcionam uma creche para atender os filhos de funcionários, uma escola para as crianças do Jardim da Infância, centro de saúde com equipe de médicos, nutricionistas, fisioterapeuta e psicólogos. 

Há também academia no local com piscina olímpica, quadra de esportes, campo de golfe, espaço para churrasco, picnic, cafeterias e dois restaurantes. Existe ainda espaço para massagem, cabeleireiro entre outros serviços. Os funcionários podem também frequentar o parque no fim de semana com seus familiares. 

Entre os privilégios da maioria dos funcionários é ter a sua sala individual. Tanto que a empresa quando de refere ao número de funcionários menciona a quantidade de escritórios do local, em contraste com boa parte das empresas que acomodam suas equipes em locais com espaços divididos por baias. 

O SAS acredita que os escritórios privados permitem aos profissionais se concentrar mais em suas atividades e garantem mais produtividade. Quando precisam compartilhar experiências ou participar de reuniões, todos vão para os espaços reservados para essa finalidade.

Quem passa pelos ambientes se depara com uma surpresa boa pelas mesas, que são os vidros com chocolate M&M, uma marca registrada do SAS. Desde o início, a empresa oferece esse mimo aos funcionários. Anualmente, a companhia compra 22,5 milhões de toneladas dessa guloseima para abastecer os frascos de todos seus escritórios ao redor do mundo. Até os cookies da sobremesa na hora do almoço são recheados com M&M.

Faz parte da cultura do SAS incentivar os funcionários para que balanceiem bem suas atividades profissionais com pessoais e que voltem mais cedo para casa. Sua jornada semanal de trabalho é de 35 horas. A empresa oferece ainda uma série de outros benefícios, estimulando seus colaboradores a buscarem cursos para aprimoramento da carreira e dá apoio em outros projetos. 

Todos os colaboradores são tratados como membros da "Família SAS", o que contribui para permaneçam anos na companhia. Cerca de 45% dos empregados têm mais de 10 anos de casa e mais da metade estão na faixa etária acima de 45 anos. Quem está contratado não quer sair e os que buscam uma vaga na companhia passam por um funil apertado. 

Benefício com retenção

Com tantos benefícios, o SAS registra uma taxa de turnover de 4%, enquanto esse índice na indústria de TI nos EUA gira em torno de 20%. Como resultado, a companhia economiza por ano cerca de US$ 100 milhões em despesas relacionadas à rotatividade de funcionários. 

"O SAS tem muitos benefícios ao oferecer um bom ambiente de trabalho", avalia Goodnight, que mora no parque onde funciona a sede do SAS. Entre as vantagens, ele menciona o fato de a companhia atrair bons talentos, economizar com a retenção e ter profissionais mais criativos para inovar.

O impacto disso pode ser percebido no crescimento da companhia, que em 1980 faturava US$ 10 milhões, saltou para US$ 1,1 bilhão em 2000 e em 2013 fechou com uma receita de US$ 3 bilhões. 

*Edileuza Soares viajou para Cary a convite do SAS