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Geração Y assume posição de CIO

admin

28/10/2014 às 9h10

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O que acontece quando a “Geração Y” assume a liderança do departamento de tecnologia da informação de uma organização? Pois bem, possivelmente estamos próximos a descobrir a resposta para essa questão – embora algumas companhias já tenham millennials na posição de CIO. O fato é que características trazidas por esses jovens profissionais já começam a reverberar nos modelos e rotinas de gestão das organizações. 

Em conversa recente, o executivo de uma integradora de softwares comentou que de uns tempos para cá vem se deparando com interlocutores com abordagens mais peculiares nas reuniões que vai para vender ou defender um projeto. Ele chegou a citar o encontro que teve com um executivo de 30 poucos anos de idade à frente da TI de uma empresa de commodities com doses salientes de criatividade e arrojo no que tange adoção e condução de projetos de tecnologia. 

Os tempos estão mudando (especialmente devido a necessidade de usar a tecnologia como vetor e fonte de retorno aos negócios) e essas novas gerações começam a deixar marcas na forma como isso se desdobra dentro dos departamentos que tratam da compra e aplicação tecnológica. “É inquestionável que temos uma nova geração no mercado de trabalho atualmente. E esta geração cresceu num contexto diferente”, comenta o vice-presidente da Strategy&, Carlos Eduardo Gondim.

Na cartilha que traça perfis, os profissionais da geração Y carregam em seu DNA uma postura ousada e ansiosa, com níveis elevados de relacionamento, apetite voraz por recursos tecnológicos, comunicação intensa e instantânea, uma carga de informação sem precedentes e uma exigência gigante. 

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Talvez por isso ainda seja raro ver um diretor millennial – especialmente em uma organização tradicional. “Os Ys que ascendem [nas estruturas corporativas] são aqueles que menos se enquadram nos estereótipos que normalmente se aplicam à essa geração”, observa o consultor Anderson Figueiredo. Sobre os que já conseguiram galgar os degraus empresariais, ele observa que, o muda na condução de projetos e relação com fornecedores toca questões como condução de projetos pautados por uma aversão a controles, reports, reuniões constantes,...

Quando se deparar com um interlocutor da geração Y, os especialistas ouvidos pela reportagem recomendam evitar a desconfiança quanto a idade (afinal, se chegou a posição de CIO, teve seus méritos); ouvir mais do que falar; tratar a ansiedade do interlocutor com ponderações objetivas, diretas e sem muito rodeios; estar preparado para responder questionamentos não tradicionais motivados por características típicas das pessoas mais jovens. 

Amplo
Mais do que uma questão etária, vivemos uma questão de paradigma tecnológico, que certamente influencia na maneira como as organizações tratam e aplicam a tecnologia. “Quando chegamos ao C-Level, o fato preponderante não é a geração que o executivo representa, mas a capacidade de se adaptar aos novos tempos”, define Guilherme Portugal, diretor para o grupo de talentos e organização da Accenture. 

A ideia reforça a afirmação de que o CIO dos dias atuais ostenta, independente de sua idade, um perfil menos técnico e carrega consigo uma visão mais abrangente do negócio. “O movimento para era digital é algo que atinge todo mundo. O ponto-chave é que nas gerações anteriores os executivos se relacionavam com pessoas de perfil semelhantes. Hoje, precisa estar mais preparado para se comunicar com diferentes perfis”, cita. 

Na prática, membros da geração Y que lideram ou compõem a equipe podem contribuir no processo de aprendizado, o que está bastante alinhado às mudanças rápidas de mercado. O segundo ponto é a capacidade de construir relacionamento com pessoas de diferentes perfis, e se comunicar de forma clara com esses públicos. Essas características ajudam as organizações a se moverem rumo a negócios mais digitais, que contemplam três grandes revoluções que surgem com a urgência de nossos tempos: nuvem, aplicativos e dados. 

Por outro lado, precisam amadurecer alguns conceitos, avaliam os entrevistados. “Um ponto que vem sendo corrigido é não ter o foco em resultados”, comenta o executivo da Accenture. Assim, se antes esses jovens traziam ideias que nem sempre conseguiam transformar em resultados de negócio, agora precisarão provar valor em termos de controle e gestão. 

Cada vez mais a coisa não é ou branco ou preto, como se fosse algo apenas definido pela década que a pessoa nasceu. Têm executivos que se adaptaram a esse novo ambiente com 60 anos e pessoas com 35 com postura altamente conservadora. “O corte não é tão cristalino. Vemos cada vez mais e mais pessoas com essa característica dentro de uma postura ou mais conservadora ou mais digital”, comenta Milton Da Vila, sócio da área de consultoria empresarial da Deloitte.

A beleza, ao que tudo indica, está na habilidade de extrair o melhor do que cada geração pode ensinar uma a outra. Pelo visto, muito do aprendizado virá a medida que as coisas evoluam. E estamos apenas no começo dessa caminhada. 

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