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Tech Mahindra planeja nova aquisição no Brasil para atrair bancos

Busca por sócio no País faz parte da estratégia da prestadora de serviços de TI indiana para que filial contribua com 10% da receita global em dois anos.

Edileuza Soares

14/07/2014 às 8h19

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Com metas agressivas para avançar no Brasil, a Tech Mahindra, uma forte concorrente da Tata, estuda uma nova aquisição no País ou formação de joint venture. Os novos planos para o mercado local da companhia, que faz parte do conglomerado indiano Mahindra Group e é considerada uma das cinco maiores prestadoras globais de serviços de TI, após a compra da Satyam, foram anunciados durante a visita a São Paulo, na semana passada, do Chief Executive Officer (CEO) da coporation, CP Gurnani.  

Em agosto do ano passado, a Tech Mahindra comprou 51% do capital da empresa brasileira de consultoria SAP, Complex IT, com investimento inicial de US$ 6,5 milhões em dinheiro, cujo pagamento total poderá passar de US$ 20 milhões, com base no desempenho da operação adquirida no prazo de 18 meses. Desta vez, o alvo é um sócio com experiência no atendimento ao setor financeiro, segmento que a companhia explora em outros mercados, mas que precisa fortalecer sua presença País.

Atualmente, as verticais que a prestadora de serviços indiana disputa no País com mais força são as de manufatura, oil&gas e logística. Mas a prestadora de serviços quer expandir também nos segmentos de bank, telecom e varejo, setores da economia que Gurnani acredita que há grande potencial para aquisição de soluções que Tech Mahindra possui habilidade para entrega. 

As apostas da companhia são as tecnologias baseadas nas megatendência: mobilidade, Big Data e soluções empresariais pelo modelo de Business Process Outsourcing (BPO). O CEO global da Tech Mahindra ressalta que o mercado brasileiro é estratégico para companhia pelo seu potencial de negócios. 

Apesar da desaceleração da economia do País, o executivo afirma que a subsidiária registrou um crescimento de 30% em 2013. Esses índices devem se manter em 2014, puxados principalmente pelo contrato conquistado com a Federação Internacional de Futebol (Fifa), para monitoramento das aplicações dos estádios durante a Copa do Mundo.

A razão para tanto otimismo, segundo Gurnani, é a pressão que as companhias estão enfrentando para atender necessidades de seus clientes finais. "Hoje os consumidores são mais avançados que as empresas e elas vão precisar ter tecnologias equivalentes", diz ele, mencionando exemplos como dos dispositivos móveis. 

Esse cenário abre oportunidades para Tech Mahindra enfatiza o CEO global da companhia, destacando que há hoje muitas aplicações no mercado para as empresas automatizarem processos via dispositivos móveis com soluções em nuvem de forma segura. Ele acredita que a popularização da Internet das Coisas e da computação de vestíveis deverá reduzir preços dos sensores, estimulando a transformação dos negócios e incentivando as organizações a serem mais digitais.

A transformação digital é uma tendência e Gurnani espera poder replicar no Brasil a estratégia global da companhia, que está sediada em Mumbai, na Índia, emprega 90 mil funcionários e fatura US$ 3 bilhões. A meta para a filial é que seus negócios representem em dois anos 10% desse montante, ou seja, se torne uma empresa de US$ 300 milhões, quatro vezes mais que os US$ 70 milhões registrados em 2013 e o triplo dos US$ 100 milhões previstos para o ano fiscal de 2014.

Escassez de mão de obra

Alberto Rosati, CEO da Tech Mahindra Brasil, compartilha da visão otimista de Gurnani sobre a oportunidade de negócios no mercado local. Porém, observa que a escassez de mão de obra é uma barreira para a expansão do mercado de TI no País. Hoje, a filial opera com um time local de mil funcionários com potencial para crescer a equipe. Mas o desafio é encontrar talentos que dominem o idioma inglês e possuam as qualificações exigidas pela organização.

O executivo considera que o Brasil tem chance para exportar mais serviços de TI e levar uma parcela maior dos US$ 120 bilhões que a Índia fatura com esse negócio, mas não consegue pela falta de profissionais especializados. Ele aponta que dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) mostram que as exportações de TI da indústria brasileira são da ordem de US$ 2,5 bilhões ano. 

Na sua avaliação, esse volume ainda é baixo pela dificuldade das empresas para atuar fora do País. Um exemplo é a própria filial da Tech Mehindra, que vende apenas 5% de seus serviços no mercado externo por causa da falta de capacitação e aumento dos custos com exportação.  

A desoneração da folha de pagamento pelo governo federal barateou o preço da mão de obra brasileira, mas o executivo afirma que os custos de exportação ainda são altos, o que reduz a competitividade do País nos negócios de offshore.

Uma das saídas apontadas por Rosati para reverter esse quadro, além de redução dos impostos pelo governo, é a união da indústria de TI para capacitar talentos. Além das iniciativas de cada uma, ele destaca a necessidade de parceiras com universidades para que os futuros profissionais cheguem mais preparados ao mercado de trabalho. 

O executivo faz um apelo também ao governo para que busque soluções para o problema da falta de domínio do inglês. Em sua opinião, o gap da capacitação técnica, a indústria consegue suprir rapidamente, mas ensinar línguas leva mais tempo, não só do inglês, como também do espanhol. 

Essa é uma responsabilidade, segundo ele, da iniciativa pública e privada. Se não houver uma união de esforços entre ambos, o Brasil não conseguirá avançar nessa área, acreditam os CEOs global e local da Tech Mahindra.  

 

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