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Empresas querem Big Data, mas esbarram na falta de estratégia, diz Gartner

Estudos da consultoria apontam que ainda falta entendimento sobre como colocar essa iniciativa em prática.

Edileuza Soares

14/05/2014 às 12h08

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Determinar o valor de Big Data para os negócios, ter uma estratégia bem definida e achar talentos especializados. Esses são os três maiores desafios das empresas para colocar essa iniciativa em prática, revela estudos do Gartner apresentados durante a Conferência Business Intelligence e Gestão da Informação 2014, que encerra hoje (14), em São Paulo.

Embora a pesquisa do Gartner mostre que BI e Business Analytics é a maior prioridade das empresas para 2014, o tema Big Data ainda é bastante nebuloso. Ian Bertram, vice-presidente de pesquisas da consultoria, percebe que o assunto gera entusiasmo e que os olhos de muitos executivos brilham, principalmente de negócios, quando ouvem falar de Big Data. Entretanto os projetos, na sua análise geram três tipos de emoções que fazem com que as iniciativas se tornem mais lentas que são: conflito, excitação e medo.

Ainda assim, o executivo comenta que esse quadro está evoluindo. Em 2012, um total de 58% das organizações entrevistas pelo Gartner disseram que investiram em algum tipo de solução para análise de dados. 

Em 2013, esse número subiu para 64%, ou seja, 2/3 das companhias abordadas compraram alguma ferramenta para tratar dados. Entre as razões para ter Big Data, 55% apontaram a necessidade de melhorar a experiência com o usuário; 49% mencionaram ganhos de eficiência em seus processos; e 42% querem investir em novos produtos e modelos de negócios.

Desafios a serem vencidos

Ao questionar os executivos sobre os desafios para implementação de Big Data, 56% destacaram não saberem como determinar o valor dessa iniciativa para os negócios. Outros 41% mencionaram falta de estratégia definida para esse tipo de projeto e outros 34% apontam a escassez de talentos especializados como uma das principais barreiras. 

Na avaliação dos analistas do Gartner, a sopa de letras envolvendo Big Data (BI, Business Analytics, data discovery, smart machine etc) gerou um pouco de confusão no mercado.  João Tapadinhas, diretor de pesquisas e chairman da conferência, observa que o processo de adoção está mais lento no Brasil, mas observa que as iniciativas estão começando a surgir em setores como financeiro e de telecom. 

O tema não é mais um hype e sim uma tendência avisa Donald Feinberg, analista distinto e vice-presidente do Gartner. Ele considera que um dos fatores que deverão contribuir para uma adesão maior de Big Data no País é a chegada de novos players, como fornecedores da plataforma de código aberto Hadoop, que ainda não têm presença física no mercado local. 

O analista do Gartner menciona também o aumento do esforço das companhias para formação de cientistas de dados ou profissionais com habilidade para lidar com grandes volumes de dados. Ele confirma que esse problema não é só do Brasil

A saída que Bertram sugere para eliminar essa barreira é que as empresas tentem capacitar profissionais de sua equipe com visão de negócios. Esses especialistas podem ser lapidados para lidar com Big Data. Ele cita exemplo de companhias que buscaram esse tipo de mão de obra no mercado, mas que não acertaram porque trouxeram executivos com boa formação acadêmica sem conhecimento da operação.