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PaaS beneficia desenvolvedores

Usar plataforma de desenvolvimento na nuvem agiliza o tempo de criação de aplicações, com flexibilidade e redução de custos.

Edileuza Soares

01/10/2012 às 7h30

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Muitos são os benefícios proporcionados aos desenvolvedores quando optam pela contratação de plataforma como serviço (PaaS). Consultores ressaltam que é uma boa maneira de o profissional dedicar-se, de fato, ao trabalho de construção de aplicativos, deixando o restante com o fornecedor, como gerenciamento, licenças de uso, atualização e manutenção da infraestrutura, entre outras agruras, com a vantagem da redução de custos da operação.

Eles afirmam que ainda é terreno árido no País, porque o conceito e os modelos comerciais ainda não estão claros, o que estanca o avanço da adoção. “Há muito desconhecimento”, dizem. Mas quem já entendeu e adotou, já desfruta de bons resultados.

Mas não basta ter apenas uma boa ideia para começar um pequeno negócio no ramo de desenvolvimento de software no Brasil. É preciso capital e ter acesso às tecnologias certas, o que é um privilégio de poucos empreendedores. Mas a nuvem está encurtando esse caminho e ajudando startups a alçar voo, lançando operações baseadas em plataforma como serviços (PaaS). Foi em cima desse modelo que o baiano Camilo Telles construiu o seu negócio, a startup Zeteks, dona de um sistema para venda de ingressos online, que processa desde megaeventos internacionais a pequenos rodeios no interior de São Paulo.

“Quem já abriu uma empresa sabe o quanto é difícil colocá-la em operação”, conta Telles, que fundou a startup em 2009, com a visão de que no futuro a compra de ticket será online. Ele acredita que a nova geração não perderá tempo em bilheterias, preferindo fazer pedidos de entradas pelo celular. Por apostar nessa tendência, o empresário decidiu migrar sua aplicação, que estava num servidor nos Estados Unidos para rodar na plataforma como serviço Azure da Microsoft. Segundo ele, a empresa deu um salto e começou a virada.

O grande teste para esse momento foi a conquista do contrato para vendas dos ingressos para o Rock in Rio 2011. Seu software bateu a comercialização de 700 mil tickets. Este ano, a companhia esteve à frente de outro megaevento, que foi a turnê do ex-Beatle Paul McCartney este ano ao Brasil, que vendeu 400 mil entradas.

“Somos uma empresa de serviços, baseada em software, e não queríamos gerenciar mais servidor nem ter infraestrutura”, conta Telles. Ele avalia uma das maiores vantagens do uso de PaaS é poder alocar processamento de acordo com a demanda do seu negócio, que é elástico. “Nunca sabemos quanto vamos vender. Tem dias que não vendemos nada. E em outros, vendemos um milhão de ingressos”, conta o fundador da Zeteks.

Com essa característica, Telles afirma que teria dificuldades para montar servidores dentro de casa. “A maior contribuição da plataforma como serviço é que os custos são variáveis e não fixos”, conta o executivo, que estima vender em 2012 ingressos para cerca de 200 eventos, que vão de megaeventos a campeonatos de futebol do São Paulo Futebol Clube.

A Zeteks é operada por uma equipe de dez pessoas, somando analistas e desenvolvedores e chamou tanto a atenção do mercado que recentemente foi adquirida pela Santarema Eventos. Mas Telles continua à frente do negócio, que ele acredita ter muito espaço para crescer.

Segurança no celular

A empresa mineira Invit percorreu caminho parecido ao da Zeteks. A companhia baseou-se na plataforma como serviços na nuvem da Microsoft para desenvolver o software Agentto, lançado em versão beta em novembro do ano passado com aporte da Financiadora de Estudos Especias (Finep).Trata-se de uma solução de segurança para usuários de celular, que cria uma rede de proteção para transmitir alertas para polícia, familiares e amigos do assinante em caso de sequestro ou situações de emergências.

O Agentto roda em smartphones com sistema operacional Android, iOS (Apple) e Windows Phone e se integra a bases de dados de instituições públicas, como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e órgãos de defesa do consumidor. O usuário baixa a aplicação e monta a rede de pessoas que ele gostaria que fosse avisada em situação de perigo.

Paulo Roberto de Oliveira, diretor de Tecnologia da Invit, conta que a companhia optou por desenvolver a aplicação na nuvem pelo seu modelo de negócio. Como o software está disponível para usuários de celulares gratuitamente, não gera receita.

“A aplicação foi pensada para atender a milhões de usuários no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Precisávamos de alto poder de processamento a baixo custo”, diz, explicando que sem PaaS a solução seria inviabilizada.

aquisição

O Agentto está chegando ao mercado na sua versão final e já conta com 3 mil assinantes em Uberlândia, onde fica a sede da Invit. A expectativa de Oliveira é conquistar 12 milhões de usuários até o final de 2012. Para ser distribuído em larga escala, o software foi desenvolvido em quatro línguas: português, inglês, francês e espanhol.

Pelo sucesso conquistado em tão pouco tempo, Oliveira informa que há planos de torná-lo um negócio a parte da Invit, controlado por uma empresa nova que levará o mesmo nome do aplicativo.     

Codiminer nasce para apoiar startups 

Criada no final do ano passado para prestar serviços de web, a Codiminer desenvolve aplicações em cima de PaaS para ajudar startups de internet a se lançarem rapidamente no mercado. Segundo Daniel Pisano, cofundador da companhia, 14 projetos estão no forno. Entre seus clientes, estão empreendedores de e-commerce, redes sociais, focadas em futebol e outros tipos de negócios online.

A Codiminer faz projetos sob demanda, atuando desde a concepção dos negócios até o desenvolvimento. Segundo Pisano, em dez meses de operação, a empresa já entregou alguns projetos. Entre os que já foram lançados estão a Palpiteiros (palpiteiros.com.br), rede social, focada em futebol.

Para criar aplicações web para seus clientes, a Codiminer apoia-se na linguagem Ruby on Rails. “Essa tecnologia está sendo bem aceita em comunidades do mundo e gerou um nicho de trabalho”, diz Pisano. Ele conta que percebeu que a plataforma oferecia uma oportunidade de negócios e resolveu formar a empresa com outros dois sócios.

“O mercado estava demandando por uma empresa especialista para atender rapidamente a startups com modelo de desenvolvimento de uso mínimo de infraestrutura, esforço e máximo de valor para o produto”, relata Pisano. A Codiminer nasceu com capital dos sócios.

Para desenvolvimento das aplicações, a Codiminer usa infraestrutura de empresas como Dualtec, Locaweb, Amazon e Heroku. “A Heroku, por exemplo, desenhou uma oferta de PaaS em cima da tecnologia que utilizamos. Essas empresas fornecem a infraestrutura para fazer desenvolvimento de aplicações e hospedar essas aplicações quando elas vão para o ar”, informa.

Pisano avalia que o grande benefício do PaaS é a possibilidade de trabalhar em ambientes mais automatizados. Assim, sobra mais tempo para focar no desenvolvimento das aplicações. “A plataforma facilita a vida do desenvolvedor e do administrador do sistema para que haja o mínimo esforço de configuração dos serviços voltados para infraestrutura. Esse é o core da empresa”, avalia o executivo da Codiminer.

Estrutura da operação

A Codiminer conta com um time de 55 desenvolvedores com conhecimento de PaaS, o que garante entregas rápidas para que startups consigam se lançar com mais velocidade no mercado. Para ganhar mais fôlego, a empresa alinhava no momento uma parceira com a Dualtec, que está estruturando uma infraestrutura como base para PaaS.

O maior desafio da recém-chegada a esse mercado é o de competir com empresas já consolidadas e em curva acentuada de conhecimento. Com serviços diferenciados e velocidade, a empresa espera criar uma clientela cativa e fechar 2012 com faturamento de 8 milhões de reais.

Setor financeiro no PaaS

“A Tivit criou uma plataforma de desenvolvimento de processos entre empresas diferentes, como se fosse um hub”, explica Fabiano Droguetti, diretor de Soluções e Tecnologia da Tivit. Segundo ele, a última oferta conjunta, originada dessa plataforma, foi com a Câmara de Cessões de Crédito da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). “É uma plataforma de serviço que a CIP está evoluindo para outros serviços que fazem parte do sistema financeiro”, relata Droguetti.

Em janeiro deste ano, mais um sistema foi desenvolvido, o C3. Projetado para registrar parcelas de operações de crédito, objetos de negociações de cessões interbancárias, o C3 não permite duplicidade dos processos, por meio de um controle ágil e centralizado.

O sistema, cujo funcionamento foi autorizado como Câmara sistemicamente importante pelo Banco Central, é fruto de iniciativa do mercado como medida macroprudencial para as operações de cessão de crédito. Para implementar o modelo, a CIP firmou acordo com a Tivit, no início de 2011, que contemplou duas áreas de negócios: a de Sistemas Aplicativos e a de Terceirização de Infraestrutura de TI.

A demanda da CIP tinha como objetivo ampliar a segurança das operações de cessões de crédito interbancárias, reduzindo riscos e evitando que o mesmo crédito fosse negociado simultaneamente com duas ou mais instituições financeiras.

“A C3 é uma infraestrutura de mercado que aprimora o controle das cessões de crédito. Só em março do ano passado, as cessões corresponderam a 4,16 bilhões de reais, demonstrando sua importância sistêmica”, afirma Joaquim Kavakama, superintendente da CIP.

Além do desenvolvimento de todo o sistema, a Tivit é responsável pela sustentação do aplicativo, que possui 100% do processamento das transações em tempo real, operados nos data centers da empresa, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que possuem 99,999% de disponibilidade, segundo a companhia.

O projeto cosumiu cerca de dois meses para o lançamento da primeira fase, que foi a conciliação do estoque dos contratos já cedidos, com a alocação de uma equipe de 60 pessoas e conta com 15 terabytes de storage.

A participação na C3 é aberta para todas as instituições financeiras e a fundos de investimentos que operam no mercado de cessões de créditos, originados dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Plataforma entra na moda

A Salesforce.com ajudou a tradicional marca da indústria da moda, a Burberry, a desenvolver uma solução capaz de unir a empresa à legião de fãs e parceiros. De acordo com a CEO da britânica Burberry, Angela Ahrendts, “é preciso estar totalmente conectado com todos os envolvidos com a sua marca”. Esse é o primeiro passo para estabelecer uma relação de longo prazo com os consumidores, cada vez mais exigentes e presentes na internet e redes sociais.

A tecnologia que protagonizou a realização foi a Force.com, plataforma como serviço (PaaS) da Salesforce.com, que contribui para o desenvolvimento de soluções e coloca em funcionamento aplicações sociais e móveis em tempo real. Usada por milhares de empresas em todo o mundo, já contribuiu para o lançamento de aplicativos de organizações de diferentes tipos e setores de atuação.

Tudo começou a partir de um encontro entre o CEO da Salesforce.com, Marc Benioff, em um hotel em Nova York, nos Estados Unidos, com Angela e o CTO da BurBerry, John Douglas. O esboço do que é hoje o social business da empresa teve início em um guardanapo. Nascia ali, segundo eles, o primeiro passo em direção à integração total entre empresa, funcionários, clientes e marca.

A Burberry usa meios de comunicação web e mídias sociais para ampliar a divulgação e a presença da marca e interagir com clientes e fãs de maneiras totalmente novas. A preocupação de Angela e do diretor Christopher Bailey é modernizar a empresa, que tem mais de 150 anos de atuação, para que permaneça ativa nas próximas décadas.

Admirada especialmente pelas mulheres, a empresa está desbravando novos caminhos em mídias sociais. A marca tem mais 10 milhões de fãs no Facebook, em que conta com uma página ativa e usa a tecnologia da Salesforce.com para manter-se nesse nicho e estar à frente da concorrência no contato com os consumidores. “Queríamos ser uma empresa totalmente digital, de ponta a ponta, e por isso procuramos a Salesforce.com para nos ajudar a construir essa estratégia”, diz a executiva.

“Nossa visão é que o cliente tem acesso total à Burberry, em qualquer dispositivo, hora e lugar, recebendo a mesma experiência que teria ao ir pessoalmente à loja”, diz Angela. “Todos estão alinhados ao mesmo sentido da marca e da cultura da empresa. E podem vir ao Mundo Burberry e entender o caminho e a missão que estamos trilhando.”

Ela lembra que qualquer CEO em busca de diferencial e lucratividade tem de voltar às atenções para o mundo social e conectar-se com todos aqueles que têm relação com a marca. “Se ele não fizer isso, o modelo de negócios daqui cinco anos poderá se perder”, aconselha.

Na trilha dos maratonistas

Outra empresa que estabeleceu forte ligação com os consumidores por meio da web é a norte-americana Asics, fabricante de vestuário e calçados para o segmento de esportes. Ela quis ir além da exibição de cartazes e logotipos em maratonas-chave para impactar positivamente as experiências dos corredores. A empresa também queria se envolver com os amigos e familiares que não puderam estar lá pessoalmente para apoiar e torcer pelos maratonistas no dia da corrida.

Bill Logee, gerente de Marketing da Acsis, explica como surgiu a ideia de estruturar uma iniciativa nas redes. “Queríamos fazer algo um pouco mais altruísta, e realmente melhorar a experiência dos participantes e os consumidores, em vez de apenas falar com eles.”

Para atingir esses objetivos, a empresa escolheu a plataforma como serviço (PaaS) da Salesforce.com, a Heroku, contribuindo para o desenvolvimento da campanha Support your Marathoner [Apoie o seu Maratonista].

Comprada em 2010 pela Salesforce.com, a Heroku é a criadora de uma plataforma para aplicativos em nuvem baseada na linguagem Ruby e Java e suporta múltiplas estruturas, bases de dados e linguagens. Mais de 170 mil aplicativos em todo o mundo foram desenvolvidos na esteira da solução. O Facebook, por exemplo, é um dos grandes usuários da plataforma.

A promoção Acsis permite que amigos e parentes enviem palavras de encorajamento, utilizando vídeos, imagens ou texto para os maratonistas que estão apoiando. Cada corredor recebe uma etiqueta RFID para colocar até mesmo no tênis para que, ao passar pelos sensores em determinados marcadores de milhas na corrida, suas mensagens personalizadas sejam exibidas em telas gigantes de LED.

Os corredores podem se inscrever por Facebook ou Twitter, grandes redes que possibilitam contatos entre amigos, empresas e consumidores em todo o mundo, para criar uma página de perfil e solicitar mensagens de apoio. Lá, amigos e familiares podem entrar em suas contas no Facebook e Twitter para registrar e postar mensagens. Os maratonistas também têm a opção de pré-gravar mensagens que são enviadas para atualizar os seguidores sobre seus progressos.

Em sua primeira edição, em 2010, a ING New York City Marathon, com o Support your Marathoner, recebeu 19 mil mensagens pessoais e 2 mil vídeos. Além de continuar em Nova York, o programa já foi expandido para a Costa Oeste e LA Honda Maratona. “Essa foi a primeira maratona de eventos socialmente desenvolvida”, diz Logee. “As plataformas sociais estão nos tornando mais interativos e envolventes do que qualquer ação que já realizamos antes. Nós não poderíamos criar esse tipo de impacto sem ser por meio das redes sociais.”