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Por que Google é a empresa de TIC mais cobiçada no Brasil?

Eleita pelo terceiro ano consecutivo como a melhor empresa de TI para trabalhar no Brasil, a Google usa práticas de gestão que apaixonam os googlers.

Edileuza Soares

26/07/2012 às 7h00

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Em plena quinta-feira, um dia normal, funcionários da Google Brasil chegam para mais um dia de trabalho com trajes de seus ídolos e bandas preferidas. Até o presidente, Fábio Coelho, entra no embalo e aparece fantasiado para comemorar o Dia do Rock. Clientes que visitam a empresa nesse dia são recebidos, mesmo em reuniões, por alguns astros do rock que, apesar do layout inusitado, não deixam de exercer com afinco suas funções.

É nesse clima irreverente, de posse de um pacote agressivo de benefícios, que a gigante de busca de internet cativa os googlers, como são chamados seus colaboradores. Eles são verdadeiros apaixonados pela companhia e dificilmente pensam em deixar o emprego atual, considerado um sonho para muitos jovens que esperam um dia poder passar pelo funil. São aspectos como esses que elegeram a Google pelo terceiro ano consecutivo no Brasil como Melhor Empresa para Trabalhar 2012 de TI & Telecomunicações.

O título foi dado pelo Great Place to Work® (GPTW), que avaliou 100 empresas do setor de TIC no Brasil. Assim, a Google conquistou o tricampeonato, premiação inédita na história do ranking do setor, realizado há sete anos no País. A façanha é resultado das práticas de gestão de pessoal diferenciadas da companhia no mundo todo.

A adoção de uma gestão de recursos humanos diferenciada foi inspirada na proposta de seus fundadores Larry Page e Sergey Brin, que sempre buscaram quebrar padrões e oferecer aos colaboradores um ambiente de trabalho lúdico, descontraído e flexível, em que é possível trabalhar se divertindo. A diversão faz parte da cultura da companhia para estimular a colaboração. A interação na Google é ingrediente básico. As pessoas precisam o tempo todo compartilhar informações com seus pares e times, que podem estar em qualquer parte do planeta.

Hoje, a companhia, com 13 anos de operação e 32 mil funcionários, distribuídos por 40 escritórios em 70 países, entre os quais cerca de 350 no Brasil, é uma das mais premiadas no mercado internacional pelo seu jeito especial de tratar os colaboradores. Além de ambiente descontraído, a Google oferece recompensas, incentiva o desenvolvimento profissional e dá alguns mimos, como alimentação, chocolate e bebida à vontade gratuitamente.

Para Larry Page, atual CEO da Google, as regalias têm objetivo de fazer com que os empregados se sintam parte da empresa, como membros de uma família. O executivo acredita que quando as pessoas são tratadas com respeito, sabem que a companhia apoia o seu desenvolvimento profissional, cuida da saúde e bem-estar, e elas retribuem. O retorno são trabalhadores mais produtivos, felizes e entusiasmados com o que fazem.

Prova de que a fórmula funciona são os resultados da empresa, que em 2011 faturou 37,9 bilhões de dólares, 29% mais que no ano anterior.

Cuidados com a saúde

A preocupação com o bem-estar dos funcionários fez a Google promover campanhas neste ano na área de saúde. No Brasil, a empresa levou uma equipe médica à sede para que todos passassem por um checkup. Mônica Duarte Santos, diretora de RH para a América Latina, conta que foram exames simples, mas que a iniciativa despertou a atenção das pessoas para os cuidados preventivos.

Fez parte da campanha também convidar especialistas para avaliar a postura corporal dos empregados e saber se costumam sentar-se de maneira correta. Foram avaliados o hábito de uso de fones de ouvido, já que muitos gostam de trabalhar ouvindo música. “Alguns praticavam volume acima do recomendado e fizemos um trabalho de prevenção”, relata Mônica.

A Google reforçou ainda o apoio aos comitês, espécies de clubes que reúnem grupos de colaboradores com interesse por determinados temas e causas, como inovação, meio ambiente, alimentação, transporte etc. Um dos mais ativos este ano foi o dos Gayglers, que concentram gays e simpatizantes.

A empresa estimulou quem gostaria de participar da Parada Gay, demonstrando ser uma empresa aberta e que apoia a diversidade. Mônica avalia que aceitar as escolhas das pessoas contribui para estabelecer uma relação de confiança e de longa duração.

Abrir espaço para o diálogo é outra característica da Google. Mônica cita o exemplo do grupo do Comitê de Inovação, que recentemente se queixou sobre não fazer sentido a companhia pagar estacionamento para as pessoas que vão de carro e cobrar 6% do salário dos que optaram pelo vale transporte.

A empresa respondeu, concedendo vale transporte sem custo, assim como o benefício da vaga na garagem para quem vai trabalhar de carro. “Não é o RH nem a diretoria quem faz essa análise”, argumenta a executiva, demonstrando o quanto é positivo conversar. “A comunicação é a chave do nosso sucesso e traz boas ideias.”

Contratação correta

Para atrair e reter bons talentos, o segredo da Google é realizar a contratação adequada. Esse processo começa no recrutamento, quando os candidatos passam por um funil, retendo aqueles que têm talento e ambição de crescimento profissional.

O perfil buscado hoje pela Google é caracteristicamente jovem. A maior parte do seu time de 350 empregados no País está na faixa entre 25 anos e 30 anos. Quem vem de universidades de renome e dominam o inglês têm maior chance. Eles passam por uma bateria de entrevistas com gestores do Brasil e de fora do País.

Mônica avisa os candidatos para que não fiquem atraídos apenas pelos benefícios. Ela alerta que a empresa cobra muito desempenho, busca pessoas criativas, inovadoras, flexíveis e com habilidade para trabalhar em equipe. A colaboração é um lema constante. “Faça uma avaliação e veja se esse é o ambiente que você se adapta e acha que vai ser feliz”, ensina Mônica.

Achar talentos alinhados ao perfil da Google nem sempre é tarefa fácil, o que levou a empresa a abraçar para si parte da responsabilidade na formação de mão de obra qualificada. No ano passado, investiu no primeiro programa de trainee no Brasil. Foram abertas 30 vagas e cerca de 3 mil pessoas se candidataram, com uma proporção de cem candidatos para cada oportunidade de emprego. “É mais difícil entrar na Google que em Medicina na USP”, compara Mônica.

Outro piloto iniciado no ano passado foi o MBA Summer Job, programa para profissionais brasileiros que fazem pós-graduação no exterior e têm interesse de trabalhar na Google durante as férias de verão. A turma prevista para 2012 prevê dez vagas para atender ao Brasil e a outros países da América Latina.

O que faz a diferença

Ambiente de trabalho: horário flexível de trabalho e traje informal. A sede do Brasil, localizada em São Paulo, oferece espaço descontraído com sala de recreação, com videogame, sinuca e pebolim. Redes, pufes e sofás coloridos convidam para momentos de relaxamento e ligeiros cochilos. Outro atrativo são as máquinas de bebidas e chocolates espalhadas pela empresa, para que todos se sirvam à vontade gratuitamente.

Baia personalizada: ao ser contratado, cada funcionário recebe 100 dólares para decorar seu espaço de acordo com a sua preferência. As mesas são um “retrato” de cada glooger.
Notebook com banda larga: todos recebem um notebook e reembolso de 112 reais para os custos com banda larga. Assim, podem usar o computador em qualquer hora e lugar. 

Bem-estar: os googlers têm a opção de fazer sessões de yoga pela manhã, massagem, e aula de dança de salão no ambiente de trabalho. A empresa oferece ajuda mensal para atividades em academia (180 reais),pilates (140 reais), ou Yoga (136 reais). 

Remuneração e benefícios: todos os funcionários da Google são contratados em regime CLT, recebem um lote de ações, prêmios e participação dos lucros.

Outros benefícios:

• 16 mil reais por ano para educação, como MBA ou especialização, desde que justifiquem a necessidade para a função que exercem
• Planos de saúde e odontológico 100% subsidiados, com inclusão de dependentes até do mesmo sexo
• Seguro de vida e plano de previdência privada
• Ajuda de custos de 900 reais para filhos recém-nascidos de funcionários para ajudar nos gastos nos primeiros meses
• Recompensa de 5 mil reais para funcionários que indicam candidatos que são contratados pela empresa
• Estacionamento gratuito
• Não desconta a taxa de 6% sobre o salário para Vale Transporte

Paixão pela Google

Quem trabalha na Google, dificilmente sairá, se a proposta não for muito desafiadora. É o que garante Igor Lima, publicitário baiano, de 32 anos, googler há sete anos. Quando candidatou-se a uma vaga de estrategista de compras na companhia tinha 24 anos. De lá para cá, passou por outras áreas, cresceu e atualmente é Head Office Industry, responsável pelas estratégias de publicidade online para o segmento imobiliário.

Lima destaca que quando um colaborador é recém-chegado à Google [mais conhecido como “noogler”], alguém é designado a recebê-lo calorosamente e ajudá-lo a acelerar a sua adaptação no ambiente de trabalho. Segundo ele, é uma forma de estimular a socialização, especialmente para os que são muito focados na tecnologia, geralmente mais introspectivos.

“Por isso, quando entram aqui, essa característica é perdida”, diz o googler, acrescentando que muitos programas ajudam na integração como os clubes de ciclistas, cinéfilos e amantes de livros,
que até promovem eventos nos finais de semana. “Aqui em São Paulo, assim como eu, quem vem de outras cidades é acolhido por esses clubes. É um relacionamento que cria laços”, conta.

Para os profissionais que querem ser um googler , Lima recomenda que se preparem bastante para esse objetivo. Ele avisa que boa formação conta bons pontos. “Cheguei na Google com três anos de experiência, diploma de uma universidade de referência,  inglês fluente, MBA em Marketing e especialização em negócios no exterior.”

Outra dica: “Estude muito sobre a Google, conheça os produtos da companhia para interagir com os gestores durante as entrevistas. E venha com muita curiosidade, mas tente ser o que é. Se for diferente, não vai dar certo”.

Aos contratados, prossegue Lima, a empresa investe bastante no crescimento profissional. Prova disso é o incentivo de 16 mil reais por ano para que o colaborador realize cursos de educação continuada [até mesmo no exterior], desde que justifique os benefícios que trará para a função exercida.

Por ter MBA e outras especializações, Lima deu preferência aos cursos ministrados pela Google. Porém, ganhou incentivo de 5 mil reais, recompensa que faz parte das políticas da empresa quando um funcionário indica candidatos e gera contratação. Ele indicou a esposa. “O processo seletivo é muito rigoroso. Não é fácil emplacar alguém. A Google sabe que quando indicamos é porque o profissional é bom”, diz  o googler apaixonado.  

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