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IPv6: empresas não devem deixar migração para depois

Alerta é dos gestores das tabelas IP’s, que recomendam: estudos e testes de laboratório podem começar desde já.

Curtis Franklin

04/02/2011 às 13h29

Foto:

Os gestores das tabelas de endereços
IPV4 em todo o mundo têm uma
mensagem para as empresas que
ainda relutam em migrar suas
redes para IPv6: você faria melhor se não
deixasse para a última hora. Esperar até o
último minuto vai acarretar investimentos
urgentes em atualização de equipamentos
e transformar o que poderia ser
um incremento na funcionalidade
dos negócios em um pesadelo da
modernidade.

Agora que os últimos
lotes de endereços IPv4 forem designados,
os operadores de redes globais devem
acelerar a migração para o modelo IPv6, que
dispõe de um volume de endereçamentos
muito mais amplo que seu antecessor.

Mas, entre os usuário, muitos gestores de TI não enxergam
a lógica de investir tempo e dinheiro no
desenvolvimento de IPv6 o quanto antes.
Jason Schiller, engenheiro sênior de
redes internet, diz que parte do desafio
para CTOs e departamentos de TI consiste
em entender que a atualização para IPv6
não tem necessariamente que ser um
processo caro e que colocará abaixo toda
sua infraestrutura atual.

Na realidade, poderá ser preciso
substituir alguns itens de hardware, mas
é possível também usar atualizações de
software para resolver as necessidades em
IPv6, especialmente se for o caso de uma
empresa menor que não lida com grandes
quantidades de tráfego de rede.

“Redes menores, que têm menos tráfego,
podem ser atualizadas por software”, diz
Schiller. “Contudo, não estou dizendo que
vai ser barato. Em alguns casos, o contrato
de software pode ser caro e algumas
vezes você terá de atualizar também seu
motor de roteamento. E, para algumas
redes, você terá de passar por alguns
testes importantes de IPv6 em laboratório
para se certificar de que tudo funcionará
conforme o necessário.”

Assim que o IPv6 começar a funcionar, mesmo as pequenas empresas terão que estar prontas em termos de software e equipamento. E estar pronto é
tarefa a ser levada a sério. Vai garantir
que tarefas essenciais atreladas ao
funcionamento da web não sofram o risco de lentidão e paradas repentinas.
Esse trabalho também dará
oportunidade, às companhias, de negociar
a compra de soluções agora, de maneira
planejada e com margem para preços
melhores; melhor que ter de comprar “já,
pelo amor de Deus, não importa o preço”.

Primeiros passos

Faça uma lista de todos os componentes
atuais da rede e verifique a habilidade
de eles interagirem com o IPv6. Fique
atento. Existe fabricante por aí anunciando
equipamento com possibilidade de suporte a processos ligados ao IPv6; dê preferência
a hardware com suporte nativo.

No movimento migratório para o
modelo IPv6, fique atento ao provedor de
acessos, à estrutura da rede, ao servidor e
às estações de trabalho. A maior parte
do trabalho pesado ficará a cargo dos provedores. Assim que este estiver pronto
para o admirável mundo novo, as estações
de trabalho e o servidor irão embarcar de
pronto na onda.

Além dos provedores de acesso, os maiores provedores de conteúdo
da internet – incluindo Google, Yahoo,
Netflix e Microsoft – conduzem
negociações preliminares para a criação
de uma lista compartilhada de usuários
capazes de acessar seus sites via IPv6. Uma “DNS Whitelist for IPv6” (“lista
branca de DNS para IPv6”) seria uma
lista de endereços IP que já contam
com conectividade IPv6. Os provedores
poderiam usar essa lista para servir
conteúdo aos endereços IP nela incluídos
já via IPv6, em vez de IPv4, atual versão
atual do protocolo da internet.
Visitantes não listados na DNS Whitelist
receberiam conteúdo em IPv4.

Sistemas operacionais como Windows,
Linux e Mac OS também já estão
prontos para trabalhar em redes IPv6.
O Windows 7, por exemplo, já inclui as
configurações dessa modalidade de IP
nas interfaces de rede. As questões mais
críticas estão localizadas em nível de infraestrutura de rede.

 

Roteadores, switches, dispositivos de
segurança, impressoras e aparelhos de
fax com menos de dois anos de idade
provavelmente estão prontos para
decifrar o IPv6.

Se o equipamento tiver entre dois e cinco
anos, talvez possa oferecer suporte ao novo
esquema. Com hardware de cinco anos ou
mais velho, a aderência ao IPv6 será bastante
incerta, e a migração será uma boa razão
para trocar de equipamento.

Infelizmente, não existe um programa
de certificação de hardware com
adesivos do tipo “Pronto para o IPv6”,
o que demanda que se investigue,
na documentação do fabricante, se o
hardware em questão “gosta” ou não de
endereços IP com 128 bits. Realizar um
levantamento de atualizações de hardware
ou de firmware é a sugestão do dia.

Se a infraestrutura ainda não estiver
redonda para trabalhar com o modelo 6
de IPs, o uso de protocolos de transição
é uma saída temporariamente possível.
Há várias dessas “muletas” para usar;
6to4, Teredo, 6over4 e ISATAP são só
algumas delas. Cada um desses programas
“embrulha”, por assim dizer, endereços que vêm em formato IPv6 em pacotes
IPv4. Dada a pouca estabilidade e
segurança também limitada, essa muleta
não deve ser utilizada ad infinitum.

Retaguarda

Outro desafio que as empresas enfrentam
em relação ao IPv6 é assegurar que todos
seus equipamentos de retaguarda estejam
prontos para o protocolo. Se uma empresa utiliza um sistema
de rastreio de pedidos IPv4 feito em
casa e sob medida, então ela pode ter de
reprojetar seu sistema para se certificar de
que ele possa enviar e receber tráfego em
IPv6. O gerente de produtos da Verizon,
William Schmidlapp destaca que, embora
isso possa parecer muito doloroso de
implantar, não significa que seja preciso
refazer completamente sua infraestrutura
de rede.

Algumas pessoas podem acreditar que
terão de atualizar sua infraestrutura inteira
para lidar com o novo protocolo. Mas,
na verdade, pode haver certos segmentos
em que não seja preciso um sistema
IPv6 nativo, e seja possível fazer isso por
tunelamento. Nesse processo, uma rede
joga tráfego IPv6 dentro do que parece,
por fora, tráfego IPv4, para que possa
circular em redes IPv4.

Schmidlapp recomenda às empresas
que ainda relutam em investir na migração
para IPv6 que, pelo menos, mergulhem
seus dedos na água para ter uma ideia de
quais serão suas necessidades futuras para
IPv6. Isso envolve estudar quanto tempo
se passará até que sua empresa fique sem
endereços IPv4, descobrir que ferramentas
de retaguarda precisam ser atualizadas e
então testar e certificar o IPv6 em sua rede.

Schiller diz que esse “investimento
limitado” vai, no mínimo, oferecer aos
departamentos de TI uma experiência
valiosa na transição, o que ele diz que virá
gradualmente, ao longo de um período de
anos em vez de tudo de uma vez.

Mas em algum ponto, observa
Schmidlapp, as empresas terão de ir
todas para o IPv6 ou se arriscarão a
ter suas capacidades de comunicação
seriamente limitadas.

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