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Setor eletroeletrônico cresce 11%, mas se desnacionaliza

Faturamento voltou ao patamar de 2008, mas dados da Abinee apontam aumento de 32% no déficit da balança comercial do setor.

Verônica Couto

09/12/2010 às 17h39

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O faturamento do setor elétrico e eletrônico deve crescer 11% em 2010, em relação 2009, somando 124 bilhões de reais, valor bem próximo ao anterior à crise, de 123 bilhões de reais. As projeções são da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que estimava, contudo, um incremento maior no setor, da ordem de 15%, devido à expansão de 7,3% do PIB.

O desempenho aquém das expectativas foi atribuído pelo presidente da entidade, Humberto Barbato, à desvalorização de 13% do real em relação ao dólar, responsável também pelo déficit de 22,5 bilhões de dólares, cerca de 32,3% acima do ano passado, e que pode chegar a 33,4 bilhões em 2011, ou 21% a mais.

Ainda que a grande maioria dos projetos de expansão corporativa envolva demanda por dados, os números da Abinee mostram a queda contínua nos investimentos das operadoras de telecomunicações em infraestrutura. Entre 2009 e 2008, o Capex das concessionárias caiu de 13,6 bilhões de reais para 12 bilhões (-11,6%), e, este ano, para 10,4 bilhões (-13,6%). Assim, os fabricantes de telecomunicações esperam queda de 9% no faturamento: de 18,4 bilhões de reais em 2009 para 16,7 bilhões de reais em 2010.

O representante da indústria de equipamentos de telecomunicações, Aluizio Byrro, é cético quanto à intenção das concessionárias de chegarem ao fim de dezembro com investimento realizado de 13 bilhões de reais. “Será preciso muita ginástica”, diz. Segundo ele, a Oi foi a que registrou maior retração, mas, mesmo sem considerá-la, as demais teriam encolhido seus desembolsos a taxa de dois dígitos. Para 2011, os fabricantes de telecom esperam retomar o crescimento (11%), faturando 18,5 bilhões de reais.

O setor eletroeletrônico como um todo acredita que haverá uma expansão nos investimentos de suas associadas da ordem de 48% no ano que vem (para 5,34 bilhões de reais), em grande medida pela efetivação de programas governamentais que, conforme criticou Barbato, não saíram do papel este ano. Por exemplo, obras do PAC no setor elétrico e o Plano Nacional de Banda Larga.

Balança deficitária

Este ano, o aumento de 15% na receita com as vendas de celulares aconteceu principalmente graças ao mercado interno, que cresceu 2% e ampliou em 1% sua participação nos resultados. Foram 61 milhões de unidades produzidas pela indústria, das quais 47milhões para o consumo doméstico.

Mesmo assim, os celulares ainda são os produtos mais exportados do setor eletroeletrônico. Mas não só o faturamento com as exportações desses terminais caiu 26% (de 1,4 bilhão de dólares para 1,058 bilhão de 2009 para 2010) --, como teria havido desnacionalização de partes e peças dessas e de diversas outras linhas de produtos de telecom montados no Brasil. A importação de componentes para o setor cresceu 90%, de 2,4 bilhões de dólares para 4,6 bilhões de dólares.

“A indústria perdeu competitividade”, diz Barbato, que acusa o governo de ter assistido sem reação ao processo de “desindustrialização” do País, devido à política cambial. A entidade defende medidas compensatórias, como a desoneração da folha de pagamento de empresas exportadoras e novas políticas industriais que promovam o chamado “adensamento” da cadeia do Processo Produtivo Básico (PPB), ou seja, a maior produção local, especialmente na área componentes.

No total, os eletroeletrônicos devem exportar 7,75 bilhões de dólares (4% a mais que em 2009 em dólar, mas queda de 9% em real), e importar 35,2 bilhões de dólares (mais 41%), dos quais 18,7 bilhões de dólares em componentes. Em 2011, a entidade imagina que as exportações fiquem no mesmo patamar, e as importações cresçam novamente, 17%, para 41,2 bilhões de dólares.

Informática retoma crescimento
Na área de tecnologia da informação, a Abinee prevê crescimento de 13% na receita com produtos de informática em 2010, de 35,3 bilhões de reais para 39,9 bilhões (já um pouco acima dos 35,3 bilhões de reais de 2008). E projeta, para 2011, expansão de 14%, para 45,5 bilhões de reais.

O segmento de automação industrial deve fechar este ano com faturamento de 3,2 bilhões de reais, crescimento de 7%, e expectativa de crescer 11% em 2011, para 3,5 bilhões de reais. Durante 2010, a Abinee acredita que serão vendidos 14 milhões de computadores, 17% a mais do que ano anterior. E, pela primeira vez, mais notebooks (51% do total, com expansão de 39%).

 

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