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Virtualização ganha força no mercado

Uso crescente demonstra que, se bem gerenciada, ela promove redução de custos, simplificação e aumento da flexibilidade da TI.

Fabiana Monte

14/01/2010 às 8h00

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Por melhor que seja uma tecnologia, ela precisa ser aceita pelo mercado para decolar. A virtualização, amplamente reconhecida e usada pela indústria de Tecnologia da Informação (TI) desde a época do mainframe, é um bom exemplo disso. Nos últimos cinco anos, ganhou status de ferramenta necessária à construção de ambientes distribuídos, por conta da redução de custos que promove, quando bem implementada. E vingou, no mundo e no Brasil.

A tecnologia ganhou novo impulso nesta quarta-feira (13/1), graças ao anúncio de uma parceria entre Microsoft e HP. As duas empresas vão desenvolver produtos e serviços conjuntos com foco, principalmente em cloud computing. A primeira solução combinará o software de virtualização Hyper-V, da Microsoft, o Microsoft System Center e a HP Business Technology Optimization. O que mostra a intenção das duas empresas de ganhar terreno no mercado de virtualização de servidores, dominado pela VMWare, mas com inúmeros players.

Além de HP e Microsoft, há alguns anos, outras companhias veem o potencial do segmento e lançam ofertas. Bons exemplos são IBM, Oracle e Novell. Mas há espaço também para corporações como Citrix, RedHat e BMC. “A entrada de competidores no mercado] valida o fato de que a oportunidade de negócios existe”, afirma o vice-presidente e gerente geral da VMWare para a região das Américas, Richard Geraffo.

O potencial, segundo o presidente da RedHat no Brasil, Alejandro Chocolat, de fato existe. O executivo estima que, atualmente, somente 15% do parque com potencial de virtualização é atendido por ofertas dos fornecedores. Fazendo uma conta simples, ainda há 85% para serem trabalhados. “O mercado ainda é incipiente”, avalia Chocolat.

Pesquisa da consultoria IDC realizada entre outubro e novembro com 155 empresas de médio e grande porte no Brasil indica que 42% delas usam virtualização de servidores. E as 48% que não adotaram conhecem o assunto e como funciona. (Leia cases de quatro empresas brasileiras que adotaram virtualização). A consultoria Gartner prevê que a virtualização movimentará, em todo o mundo, 8,1 bilhões de dólares em 2013. Este valor corresponde a quatro vezes o tamanho do mercado em 2008, que somava 1,9 bilhão de dólares, segundo a mesma análise.

Início do cloud
Pode-se considerar que a virtualização contempla, principalmente, três tipos de ambientes: servidores, desktops e armazenamento, embora haja quem fale também de virtualização de redes e aplicações. A variedade de tipos deve-se à importância desta tecnologia para permitir a adoção em larga escala da computação na nuvem (cloud computing) - justamente o foco do acordo Microsoft-HP.

Uma vez que os ambientes se tornem virtuais, os conceitos de Software como serviço (do inglês Softrware as a Service – SaaS) e infraestrutura como serviço (do inglês, infrastructure as a service - IaaS) ganham relevância, reforçando o cloud computing, cuja proposta é a de que os dados fiquem armazenados e sejam acessados de qualquer lugar, a qualquer tempo, e sem que os proprietários saibam exatamente onde as informações estão. “Você compra processamento, armazenamento e rede como se fosse energia e do provedor que oferece a qualidade exigida, dentro do melhor
preço”, exemplifica o gerente de pesquisas de Enterprise Solutions da IDC, Reinaldo Roveri.

Mesmo a virtualização de servidores, cuja utilização no mercado é mais madura do que o uso de suas “co-irmãs”, ainda pode avançar. O gerente de
pesquisas da IDC aponta que, entre as empresas que adotaram virtualização de servidores, 22% das máquinas a utilizam. “A gente vê que as corporações estão atrás dessa tecnologia”, diz Roveri.

O Gartner prevê que, em 2013, a infraestrutura para virtualização de servidores atinja receita de 1,5 bilhão de dólares, com taxa composta de crescimento de 11,7%. Especialistas apostam que este avanço virá de duas fontes: aumento na penetração entre grandes empresas e expansão no segmento de pequenas e médias tecnologia em estações de trabalho, os maiores incentivadores são simplificação de gerenciamento, maior segurança e acesso remoto. E essa previsão é anterior ao anúncio do acordo HP-Microsoft.

“Muitas empresas estão interessadas porque é uma tecnologia que ajuda muito na redução de custos, na consolidação de equipamentos, no aumento da flexibilidade da infraestrutura e também permite um provisionamento mais ágil”, confirma Roveri. “Com virtualização, a criação de servidor passa de dias para minutos”, observa.

Apesar das previsões positivas tanto para o negócio de virtualização de desktops, quanto para o de servidores, a consultoria indica que a batalha por este mercado começa a mudar de campo. A disputa ocorrerá na área de gerenciamento de ambientes virtualizados. A estimativa do Gartner é que este negócio experimente uma taxa composta de crescimento de 38%, totalizando 4,6 bilhões de dólares em 2013.

Isso porque as funcionalidades do hypervisor (camada de software que divide o hardware e permite que a virtualização ocorra) estão sendo absorvidas pelo hardware e, cada vez mais, as receitas com o negócio de virtualização virão do gerenciamento do ambiente de servidores, com a oferta de serviços de suporte e manutenção. “Virtualização não é um negócio que você aperta o botão e esquece, ao contrário”, concorda o executivo de otimização de TI da IBM, Roberto Diniz.

A IBM é uma das quatro grandes fornecedoras de soluções de virtualização. BMC, Computer Associates e HP completam o quarteto, mas este mercado tem com mais de 100 provedores, de acordo com o Gartner. Além disso, os fornecedores de hypervisor (Citrix, Microsoft, VMWare, entre outros) também oferecem soluções do tipo.

Leia a íntegra da reportagem na edição de novembro de Computerworld.

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