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Telefônica quer informações sobre investigação da venda da GVT

Operadora envia carta à Comissão de Valores Mobiliários e solicita informações sobre o assunto.

Redação

21/12/2009 às 17h48

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A Telefônica informou nesta segunda-feira (21/12) que enviou uma carta à presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, a respeito da aquisição da GVT pela Vivendi. Na correspondência, a operadora pede informações sobre os resultados da investigação que a CVM vem fazendo sobre o negócio, bem como das providências que devem ser adotadas a partir das investigações.

No documento endereçado à CVM, a Telefônica diz que "causou estranheza o fato de a Vivendi ter adquirido, aparentemente em apenas um dia (13/11/09), volume relevante de ações e opções correspondentes a 27,6% das ações e/ou direitos de aquisição de ações da GVT - que somados aos 29,9% comprados diretamente dos controladores da empresa, totalizariam 57,5% de seu capital".

De acordo com a Telefônica, as manifestações posteriores da Vivendi para explicar a operação, "deixaram todo o mercado perplexo, fomentando dúvidas e suspeitas sobre os fatos efetivamente ocorridos". A empresa espanhola avalia que a divulgação de informações aparentemente contraditórias pode ter induzido a erro os acionistas que venderam suas ações antes e depois do fato relevante de 13/11/09. O anúncio de tais compras, ao frustrarem o leilão da oferta pública proposta pela Telefônica, limitou o preço que os acionistas poderiam receber por suas ações caso houvesse uma disputa em leilão.

No início de dezembro, o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, declarou que a operadora poderia ir à Justiça para discutir a compra da GVT pela Vivendi. Mas o executivo ressaltou que qualquer providência seria tomada apenas após a conclusão das investigações da CVM. Na carta, a Telefônica questiona se a CVM concluiu ou tem razões para suspeitar de que houve, ao menos, omissão de informação relevante por parte dos envolvidos na operação. A operadora também pergunta se, por conta disso, a CVM solicitou ao Ministério Público a adoção de medidas judiciais para evitar prejuízos ao mercado de ações brasileiro.

Entenda o caso
O grupo francês Vivendi e o espanhol Telefônica estavam travando uma disputa para comprar a operadora curitibana GVT. O interesse da Telefônica era ganhar uma operação que lhe permitisse expandir sua atuação para fora de São Paulo. Já a Vivendi inauguraria suas operações no País.

Em 13/11, a Vivendi surpreendeu o mercado ao anunciar a compra da GVT, em uma negociação realizada diretamente com os controladores da empresa, bem como por meio da aquisição de ações e do direito de opção de compra de papéis de terceiros. Isso aconteceu dias depois da Telefônica ter apresentado para comprar até 100% das ações da GVT, pelo preço de 48 reais por ação, com a condição de que a compra deveria ser aceita por 51% dos acionistas da operadora curitibana.

A venda para a Vivendi também ocorreu um dia após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conceder anuência prévia para a mudança de controle acionário da GVT. O órgão regulador impôs condições para a Telefônica, mas não estabeleceu contrapartidas para a Vivendi, porque o grupo francês ainda não atuava no País.

Dias depois da notícia da venda da GVT para a Vivendi, a CVM divulgou que abrira uma investigação para analisar as condições em que a transação ocorreu. Procurada pela reportagem de Computerworld, a CVM informou que não comenta assuntos em andamento.

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