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Pagamento eletrônico aposta em segurança e gestão de riscos

Empresas responsáveis pelas plataformas investem em equipes de investigação e em tecnologia para diminuir fraudes e vencer desconfiança do brasileiro.

Guilherme Felitti

26/11/2009 às 9h00

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Não bastam as ferramentas de pagamento eletrônico oferecerem
funcionalidades além do acerto de contas com lojas online: as empresas
responsáveis pelas plataformas no Brasil têm que investir em segurança
para vencer a desconfiança dos consumidores.

Para ajudar na
popularização, serviços que atuam no Brasil, como PagSeguro, MoIP,
Mercado Pago e Pagamento Digital, investem em servidores dedicados,
parcerias com grandes revendedores e equipes de analistas que coíbem
fraudes como forma de atrair novos clientes.

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“O
brasileiro pouco a pouco vai se acostumando com este pagamento. O
grande tabu ainda é a questão a segurança, e não apenas para o
pagamento eletrônico”, explica o cofundador e diretor geral do MoIP,
Igor Senra, parceira de desenvolvedoras de solução de e-commerce como
Jet, EZ Commerce e Tray Sistemas.

Da mesma forma como é
prejudicado pela desconfiança do consumidor, o sistema de pagamento
eletrônico pega carona na crescente popularização do comércio
eletrônico no Brasil. Este ano, as vendas  natalinas devem ser 30%
maiores do que as registradas em igual período de 2008, alcançando 1,63
bilhão de reais
, de acordo com a consultoria e-bit.

O
avanço do comércio eletrônico brasileiro fica ainda mais evidente se
considerarmos que, em cinco anos, o setor cresceu seis vezes – em 2004,
foram movimentados 1,75 bilhão de reais.

A
maneira como pequenos e médios comerciantes na internet se apoiam nos
sistemas para que seus produtos sejam vendidos com um risco menor de
fraude por parte do consumidor faz com que a segurança seja necessária
não apenas para o usuário final.

Isso implica no risco das
empresas de pagamento eletrônico assumirem potenciais prejuízos quando
é o consumidor que lesa o lojista, como explica o diretor de projetos
especiais do UOL, Ricardo Dortas, responsável pelo PagSeguro.

Verifica
A
preocupação do UOL em investigar as causas que levam a problemas nas
compras online levou à formação de um grupo, composto com cerca de 30
pessoas, que foi “emancipado” do PagSeguro e, como empresa
independente, recebeu o nome de Verifica.

“Todo pagamento recebe
‘score’ de alto, médio ou baixo risco e, dependendo da classificação,
tomamos ações como cancelar a conta, entrar em contato e pedir mais
informações para garantir que a pessoa que está pagando é quem fala que
está pagando”, detalha ele.

O cuidado é uma forma de diminuir a
incidência do que o mercado de pagamentos eletrônicos se acostumou a
chamar de “chargeback”: após receber o produto o comprador malicioso
cancela o pagamento, repassando o prejuízo para o lojista.

“Fazemos
monitoramento e não repassamos (o “chargeback”). Tentamos ir atrás, mas
se não conseguimos, assumimos o prejuízo. Nossos índices de perda estão
abaixo dos índices de perda do mercado”, afirma Dortas, sem citar
explicitamente a porcentagem de fraudes no total de transações pelo
PagSeguro.

A pluralidade da equipe envolvida na operação do
PagSeguro prevê ainda funcionários que tenham contato constante com os
bancos, resolvendo possíveis problemas de conexões com as instituições
financeiras, e responsáveis pela área técnica que cuidam dos servidores
dedicados para a plataforma.

O Mercado Pago, sistema de
pagamento eletrônico do Mercado Livre usado apenas para transações
dentro do portal de leilões, opera, pelo menos no quesito técnico, em
sistema semelhante, com servidores dedicados e técnicos que cuidam da
infraestrutura.

O Mercado Livre, porém, não detalha
especificamente sua organização interna relativa à segurança da
plataforma, afirmando apenas que o setor emprega cerca de 200
funcionários na América Latina, com estratégia mais voltada para “a
prevenção que para a ação”, segundo a empresa.

Focada em
transações eletrônicas entre instituições bancárias e empresas grandes
e médias, a BrasPag coloca como ação básica na sua proteção de
informações o respeito ao conjunto de regras PCI Security Standards,
criado para cartões de crédito mas passível de ser aplicado a
pagamentos eletrônicos.

Segundo o diretor geral da BrasPag,
Svante Wester Berg, o guia “não soluciona tudo, mas é o que tem hoje em
termos de padrões internacionais”.  O PCI define as melhores práticas
tanto de processos tecnológicos como também, nas palavras do executivo,
“humanos”, indicando como respeitar dados sensíveis de cartão de
crédito.

Cartão de crédito, o rival?

“O brasileiro
ainda tem muito medo de usar cartão e roubarem seus dados para fazer
comprar. Pagamento eletrônico tem potencial bom já que conseguem vender
que é mais seguro por não estar passando o cartão de crédito”, explica
o diretor da CiaShop, Walter Hannemann.

“Muito embora o usuário
dê os dados (do cartão de crédito) para a empresa responsável pelo
pagamento eletrônico. É mais uma questão de confiança: em quem você
confia mais para passar seus dados”, afirma o executivo, cuja
consultoria desenvolve de soluções para comércio eletrônico.

Além
do nível de segurança, que Hannemann vê como alto o suficiente para não
atrapalhar o avanço de qualquer que seja a forma de pagamento no
e-commerce brasileiro, o executivo crê no potencial do pagamento
eletrônico por sua capacidade de “ajudar quando há disputa”.

Como
o já citado caso do “chargeback”, se o consumidor tem problemas na
efetivação da compra, a plataforma o ajuda a recuperar o dinheiro ou
negociar um novo prazo de entrega, algo que se beneficia da falta de
confiança plena que consumidores no Brasil têm em comércios online ou
sites de leilão.

A postura é conflitante em relação ao recente
plano revelado pelas empresas Redecard e Visanet: como forma de
diminuir fraudes, ambas estipularam regras em novembro que, caso
desobedecidas, poderiam implicar em multas ou descredenciamento dos
varejistas filiados.

Popularização
Dortas defende outra
vantagem da tecnologia, que se comportaria como uma espécie de
“carteira eletrônica” do consumidor: ao invés de preencher diversos
formulários e revelar informações bancárias para muitos serviços, a
plataforma de pagamento eletrônico faz este gerenciamento.

A
popularidade, portanto, estaria atrelada a acordos fechados com grandes
sites de comércio eletrônico para que as ferramentas de pagamento
eletrônico fossem aceitas, setor onde o PagSeguro desponta com
parcerias fechadas com Casas Bahia e Livraria Cultura.

A
popularização do sistema “vai depender mais do vendedor. Se o vendedor
começar a priorizar, (o pagamento eletrônico) tende a se valorizar sim.
Existe, inclusive, a possibilidade de não existir cartão de crédito.
Mas não acredito neste é argumento forte”, defende Hannemann, da
CiaShop. “Hoje, todos já têm um”.

Svante segue a mesma linha de
pensamento e defende que uma maior penetração dos sistemas de pagamento
eletrônico depende da aceitação conjunta de plataformas, varejistas e
consumidores, além do entendimento de método de compra populares no
País.

“Leva tempo para mudar preferência de pagamento (do
consumidor brasileiro) e muitas vezes o comportamento offline vira
online. Antes do cartão de crédito, o parcelamento já existia no cheque
e acabou sendo assimilado”, diz o executivo, indicando uma possível
adaptação dos sistemas de pagamento eletrônico no Brasil, que, além do
investimento em segurança, ajudaria em sua popularização.

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