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Cenário ainda impõe cautela para quem quer mudar de emprego

Para especialistas, o momento continua sendo o de cautela já que retomada da economia ainda não aconteceu de fato.

Andrea Giardino

06/11/2009 às 9h07

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Passado o furacão, muita gente começa a tirar da gaveta os planos de trocar de emprego. Mas até que ponto o cenário está de fato propício para mudar? Para o consultor de gestão e carreira Julio Sergio Cardozo, da Julio Sergio Cardozo & Associados, hoje vem acontecendo o que ele chama de “pretensão ilusória” e envolve os dois protagonistas do mercado, que tentam tirar proveito do pós-crise: empregado e empregador.

De um lado está o profissional que acredita ter agora novas oportunidades e uma remuneração mais atraente; de outro as empresas apostando que vão encontrar talentos por salários mais baixos. “As companhias continuam com escassez de talentos, mas não querem pagar pelo passe”, analisa. Resultado, muitas preferem contratar jovens em início de carreira e formá-los como alternativa para o cenário que foi criado em que se fala na falta de orçamento.

“Um grande erro”, ressalta Cardozo. Na sua opinião, a curva de aprendizado reflete em custo maior do que se a empresa optar por contratar um profissional pronto e preparado para já dar resultados. “Para determinadas posições, não dá para esperar que o profissional seja treinado até ficar no ponto ideal”, diz.   

Realidade que serve de alerta para os profissionais que pretendem se mexer em busca de um novo emprego. De acordo com o consultor, a tão falada retomada da economia ainda não aconteceu de fato e as perspectivas continuam obscuras. “Minha dica é pé no chão, não acho que esse seja o momento de mudar de emprego”, aconselha Cardozo.

Olhar os aspectos financeiro e de carreira no médio e longo prazo são determinantes para um processo de mudança, sobretudo diante de um quadro de incertezas. É o que defende o gerente da divisão de tecnologia da empresa de recrutamento Michael Page, Ricardo Basaglia. “O mundo é formado por ciclos, nada mais natural que as empresas passem por altos e baixos”, diz.

Agora, afirma, as organizações estão revendo projetos, de olho em custo e se preparando pelo que está por vir. Como a economia caminha para a recuperação, Basaglia acredita que a gora é do profissional fazer as apostas certas e tentar distinguir quais são as empresas que devem ganhar mercado. “É importante avaliar de que forma elas vão se posicionar daqui para frente”, recomenda.

Fazer uma análise clara do que o a nova empresa pode oferecer em termos de plano de carreira e salário é fundamental, segundo o consultor. “Na área de TI existe uma série de  profissionais que trocam de emprego seduzidos por uma oferta financeira no curto prazo melhor e depois ficam estagnados”, alerta Basaglia. “Vale a pena sair da zona de conforto agora e arriscar, mas com cautela e olhando se os ganhos podem se perpetuar no médio prazo”.

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