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Medial Saúde terceiriza gerenciamento de seu data center

Empresa contrata a EDS para fazer a gestão do parque de 127 servidores que concentram 60TB de dados.

Rodrigo Caetano

09/09/2009 às 7h00

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Não existe almoço grátis. A famosa frase, atribuída a Milton Friedman, conceituado economista americano, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 1976 e um dos maiores defensores do capitalismo, explica de forma resumida um dos principais motivos de fracasso das iniciativas de terceirização de serviços de tecnologia da informação (TI). Ao pensar apenas na vantagem financeira, as empresas tendem a encarar uma queda significativa na qualidade do serviço, o que acaba afetando diversos processos na companhia.

A melhor maneira de gerar valor aos negócios com a terceirização é apostar em uma estratégia de buscar conhecimento, não só preço. Isso significa terceirizar aquilo que não faz parte do seu negócio principal para alguém que conheça mais a tecnologia em questão do que você mesmo. Assim, a empresa consegue, no mínimo, manter a qualidade do serviço, com uma estrutura de custos atraente.

Essa estratégia foi o que levou a Medial Saúde, operadora de planos de saúde, a confiar a administração de seu data center à EDS, prestadora de serviços de TI comprada pela HP, no ano passado, por 13,9 bilhões de dólares. Para dar conta do crescimento dos negócios, segundo o Chief Information Officer (CIO) da companhia, Chu Tung, era preciso um parceiro mais capacitado capaz de lidar com a gestão do ambiente tecnológico, deixando a equipe de TI da Medial concentrada nas aplicações estratégicas.

A EDS será responsável por gerenciar um parque de 127 servidores, com plataformas Windows, Linux e Unix, e uma série de bancos de dados que concentram um total de 60 TB (terabytes) de informações. A infraestrutura atende, principalmente, a hospitais e prestadores de serviços da Medial. Um dos pontos mais críticos do contrato é a migração do sistema de geração de imagens digitais. Atualmente, explica Tung, os exames feitos em laboratório são disponibilizados digitalmente para os médicos. Os arquivos, pela complexidade, não podem ser compactados, o que acarreta em um altíssimo volume de dados.

O processo de escolha do fornecedor teve uma curiosidade. A EDS, na realidade, não participou da requisição de propostas (RFP, da sigla em inglês request for proposal) feita no início do ano passado pela Medial. Mas, quis o destino, que a vencedora da concorrência, no caso a HP, adquirisse, meses depois, a fornecedora de serviços. Além disso, o CIO da empresa de saúde, Chu Tung, que assumiu o cargo após a decisão do fornecedor, foi presidente da EDS no Brasil por quase dez anos.

Responsabilidade

Experiente no mercado de terceirização, Tung afirma que a empresa terceiriza o serviço, não a responsabilidade. “Nós vamos acompanhar uma série de indicadores, definidos no contrato, para garantir a qualidade do serviço”, afirma o executivo. O não cumprimento do que foi acordado gera multa ao fornecedor.

As penalidades são baseadas no prejuízo causado à empresa em caso de queda do serviço. “Se o nosso call center não funciona, podemos ter problemas com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regulamenta o setor", explica Tung. "As multas podem chegar a milhões de reais”, diz. A partir dessa ligação do serviço de TI com o negócio da companhia, é possível definir, não somente os níveis de serviço, mas também as multas que serão aplicadas em caso de falha.

Esses valores, no entanto, não buscam uma redução do custo. São apenas simbólicos. A relação com o fornecedor, geralmente, é de longo prazo. Segundo Tung, a escolha é baseada também no nível de capacidade do prestador. No caso da EDS, os níveis de serviço mínimos oferecidos já eram mais altos do que demandava a Medial. Por conta disso, existe um relacionamento de confiança, baseado em expectativas alinhadas, que minimizam as chances de frustrações futuras.

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