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Carreira quente: analista de negócios em tecnologia

São Paulo - Profissional deve compreender as reais necessidades do usuário de tecnologia e garantir eficiência das soluções.

Rodrigo Afonso

17/04/2009 às 7h00

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No mercado de tecnologia, gestores e profissionais estão cansados de ouvir aquela velha máxima que diz “é necessário alinhar tecnologia da informação aos negócios”. Falar é fácil, mas para colocar isso em prática é necessário que as áreas de negócios e de tecnologia de uma organização se entendam muito bem, o que geralmente é um grande desafio.

Para criar esse entendimento, existe um tipo de profissional específico no mercado: é o analista de negócios. Por meio de uma convivência intensa com a área da empresa ou cliente que demanda tecnologia, o profissional passa a conhecer toda a rotina de trabalho do usuário e consegue coletar dados para orientar o projeto, de forma que ele ofereça as melhores soluções.

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Na estrutura atual, o trabalho é realizado por profissionais oriundos tanto da área administrativa quanto da área tecnológica, mas que não estão 100% focados nessa atividade. “Atualmente, muitos gerentes de produtos, analistas de sistemas, profissionais de melhorias de processos, entre outros, fazem essa função, muitas vezes sem saber”, afirma Suzandeise de Almeida, diretora da unidade de São Paulo do International Institute of Business Analysis (IIBA).

Um dos trabalhos do instituto dirigido por Suzandeise é promover a profissão no País com a denominação correta e difundir os padrões internacionais para a área. Internacionalmente, o IIBA possui um manual de melhores práticas, conhecido como Babok (Business Analysis Body of Knowledge).

Para a diretora, o profissional da área deve ter habilidades de comunicação e entendimento de negócios de uma maneira geral. Para Tecnologia da Informação, formação técnica é um quesito muito valorizado, mas, segundo a executiva, as próprias empresas ainda não sabem muito bem o que exigir de quem vai exercer essa atividade. “Muitas vezes exigem-se profundos conhecimentos técnicos pouco usados no dia-a-dia do trabalho. Ainda assim, é uma carreira na qual vale a pena apostar, pois as organizações começam a descobrir sua real função”, afirma.

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Conheça profissionais da área

Sandra Siqueira, coordenadora de sistemas do hospital paulistano Sírio Libanês, acompanhou um projeto de nutrição no qual o analista de negócios acompanhou, por algum tempo, o dia-a-dia do setor, documentando e até filmando as atividades realizadas. A partir dessa experiência, o analista pôde entender qual era a dinâmica de trabalho e mapear suas necessidades para, então, desenvolver soluções.

“Neste caso, pudemos observar uma mobilização rápida de departamento de tecnologia no atendimento às necessidades da área. Os próprios nutricionistas se sentiram mais valorizados e comprometidos com o projeto que envolvia sua área. Consequentemente, o tempo de resposta foi menor no desenvolvimento”, afirma Sandra.

A profissional afirma que o analista de negócios não pode ser confundido com um gerente de projetos ou um gestor de relacionamento, apesar de precisar ter habilidades comuns a esses dois profissionais. “O expertise em gestão é muito importante, mas esse profissional está muito mais preocupado em ir ao núcleo da real necessidade do usuário do que em controlar o processo como um todo”, comenta.

Cláudio Kerber, líder de uma equipe de análise de negócios na Ionics, empresa de automação para o mercado de combustíveis, acredita que o bom profissional da área consegue enxergar além das necessidades declaradas do usuário. “É necessário questionar por que o cliente pede determinada solução e atingir um diagnóstico. Nem sempre o que ele está pedindo é o que ele realmente necessita”, diz Kerber.

Para Kerber, o profissional tem que ter excelente capacidade de síntese, pois interage com muita gente e precisa reunir idéias para chegar a uma conclusão. “Além disso, precisa saber priorizar as necessidades dos negócios”.

Kerber diz que o profissional pode ser nativo tanto de gestão quanto de tecnologia. “O profissional de TI tem um pragmatismo que pode ser muito útil para a equipe, ao passo que o de gestão sabe enxergar bem o negócio. O ideal é juntar os dois tipos em uma equipe de análise de negócios”, complementa.