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Aquisição da Sun é compra de participação de mercado, dizem especialistas

São Paulo - Alfredo Pinheiro, da Compass Management, Rinaldo Angelicola, da FTI Consulting, e Pedro Bicudo, da TGT, avaliam o rumor da negociação.

Vinicius Cherobino

18/03/2009 às 12h11

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A notícia da IBM negociando a compra da Sun por 6,5 bilhões de dólares caiu como uma bomba no mercado de tecnologia. Concorrentes ferozes em várias linhas de produtos, as duas organizações têm sofrido com a crise financeira mundial (IBM cortou 4,2 mil funcionários em janeiro passado e a Sun cortou 2,5 mil em 2008). Qual seria o motivo da compra?

Alfredo Pinheiro, presidente da consultoria britânica Compass Management, se disse surpreso com a negociação e, especialmente, com os valores. “Se o negócio for concretizado, a IBM vai pagar a metade do faturamento de 2008 da Sun”, afirmou, lembrando que a empresa faturou 13,8 bilhões de dólares no ano passado.

Para ele, a negociação trata simplesmente da compra de participação de mercado. “Vejo três motivos para a negociação: compra por estar barato ao mesmo tempo em que aproveita para diminuir o seu próprio ciclo de venda e retirar um competidor”, argumenta. Pinheiro ressalta, contudo, que é cedo demais para especular sobre possíveis linhas de produtos descontinuadas.

Rinaldo Angelicola, diretor da FTI Consulting, concorda com a tese de compra de market share. “A sobreposição de portfólio é enorme, as duas empresas possuem atuação forte no mercado corporativo e o sistema de distribuição é parecido”, relata. Ao analisar o hardware das duas companhias, Angelicola faz a ressalva que não havia competição tão direta entre os servidores das duas companhias. “A IBM tem produto mais high end, enquanto os equivalentes ao Solaris tinham preço maior e desempenho menor. Naquela faixa, vimos uma competição mais direta entre Sun e HP”, diz.

E o que os usuários de Solaris podem pensar desta aquisição? “Se isso é bom ou ruim para quem tem Solaris, é bom lembrar que a IBM não tem um dos melhores históricos após grandes aquisições. Qual era o tamanho do Lotus Notes [em participação de mercado] antes e o que virou depois?”, questiona Angelicola.

Veja aqui as recomendações do Gartner sobre fusões envolvendo fornecedores.

Pedro Bicudo, da TGT, concorda e alerta: "quem tem equipamentos Sun deve tomar cuidado com seus investimentos e se preparar, porque a tendência é de descontinuidade em longo prazo". Sobre o negócio em si, o analista afirma que, caso seja concluído, ele será estratégico para a IBM.
"Com a aquisição, a IBM terá a liderança absoluta do mercado mundial de servidores, com 42%, e um grande potencial de ampliar esse crescimento", afirma.

Além disso, a compra serviria como proteção ao mercado da IBM. "Se outra empresa comprasse a Sun, poderia fazer sombra à liderança", conlui Bicudo

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